Espanha

No Real Madrid, Hazard tem a chance de referendar patamar que alcançou na Copa de 2018

Quase um ano atrás, Brasil e Bélgica se encontraram em Kazan, pelas quartas de final da Copa do Mundo. Subjacente à disputa por uma vaga na semifinal do Mundial, para reforçar a narrativa do jogo, a imprensa falava em uma batalha indireta entre Neymar e Hazard pelo posto de favorito como sucessor de Cristiano Ronaldo no Real Madrid. O embate teve um vencedor claro, no placar e também no desempenho, com o belga sendo o melhor em campo e liderando tecnicamente a equipe na vitória por 2 a 1. Mesmo sem gol ou assistência, foi o grande articulador do ataque dos Diabos Vermelhos contra o Brasil.

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Uma temporada depois, Hazard enfim chega ao maior campeão da Champions League. O jogador tinha apenas mais um ano de contrato com o Chelsea. Agora, assina com o Real Madrid até 30 de junho de 2024. Segundo a imprensa espanhola, os madridistas desembolsaram € 100 milhões mais variáveis pelo craque dos Blues.

Eden Hazard pareceu sempre destinado ao Real Madrid. E, quando eu digo sempre, é coisa de década mesmo. No fim de maio de 2009, a imprensa repercutiu a informação de que Zinédine Zidane teria recomendado ao clube a contratação de um jovem de 18 anos que destruía na Ligue 1: Hazard, do Lille. Dez anos depois, o flerte que começou lá atrás enfim se concretiza. E bem no momento em que o belga parece mais preparado para assumir um desafio desse tamanho.

Os últimos dois anos de Hazard no Chelsea foram curiosos. À medida que o time pareceu perder seu protagonismo a nível europeu e mesmo nacional, ficando fora da disputa pelo título, concentrada em Liverpool e Manchester City, o ponta cresceu individualmente. O clube pode não ter alçado grandes voos, mas o jogador aproveitou para mostrar o peso de sua importância e brilhar sem concorrência pela posição de protagonista.

Hazard alcançou seu ápice técnico há alguns anos. O que temos visto nas temporadas anteriores é o melhor que veremos dele. Aos 28 anos, não deve revolucionar seu estilo de jogo e apresentar algo a mais do que aquilo que tanto serviu ao Chelsea. Entretanto, a partir do momento em que ele leva aquilo para uma Copa do Mundo, contribuindo como grande destaque para uma campanha marcante de terceiro lugar na competição, o belga se coloca em um novo patamar. E é este o patamar que lhe permite chegar ao Real Madrid de maneira que não poderia ter chegado antes.

O clube espanhol vive um momento de vácuo de liderança técnica. Desde que Cristiano Ronaldo saiu, não chegou algum jogador de estatura sequer próxima à do português. A aposta foi em jovens, com Vinícius Júnior, Brahim Díaz e Odriozola marcando o foco do clube no futuro. Uma temporada de transição depois, com decepções na Champions League e em La Liga e um ciclo completo, com Zidane deixando o clube e retornando, o Real investe em uma grande estrela para capitanear uma nova reestruturação.

Durante muito tempo, Hazard teve em mente ir ao Santiago Bernabéu. Sem dúvidas, a menção de Zidane a seu nome lá em 2009 foi lisonjeadora. Nos últimos tempos, o jogador passou a deixar clara a sua vontade de defender o Real Madrid. Teve que esperar, e o momento em que a transferência acontece parece ser o melhor para todos. O Real Madrid viu que a aposta no futuro é mesmo para o futuro. Vinícius Júnior, por melhor que seja, precisará de alguns anos para alcançar seu máximo potencial. O Chelsea pôde ver seu ídolo escrever um último capítulo especial, com um recital na final da Liga Europa contra o rival Arsenal, e ainda levando um bom dinheiro por sua transferência – o Marca fala em € 100 milhões, além de variáveis. Hazard, por sua vez, chega a um dos maiores clubes do mundo consolidado como um dos melhores do mundo.

Agora, seu desafio pessoal será cumprir a expectativa e agradar uma torcida exigente. O sucesso de Hazard no Real Madrid referenda o patamar que o belga alcançou tão merecidamente. Mais do que isso, dependendo do que possa conquistar na capital espanhola, pode até mesmo se catapultar uma prateleira acima.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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