O Deportivo La Coruña vive um verdadeiro milagre em La Liga. Os galegos permaneceram na zona de rebaixamento em 22 das 33 rodadas, mas vêm sendo capazes de uma reação inimaginável desde meados de março. A equipe venceu quatro e empatou dois de seus últimos seis jogos, desempenho suficiente para respirar na 17ª colocação. Ascensão surpreendente, que gera suspeitas da Liga de Futebol Profissional (LFP), organizadora do torneio.
A entidade passou a desconfiar do Depor por conta de uma confusão nos vestiários do Levante. A derrota parcial por 3 a 0, em casa, fez com que o meia José Barkero disparasse contra os próprios companheiros. Durante o intervalo, acusou o goleiro Gustavo Munúa, o zagueiro Sergio Ballesteros e o lateral Juanfran de entregarem o jogo para os adversários. “Não quero participar desta farsa”, bradou Barkero. No fim das contas, o Deportivo venceu por 4 a 0.
Barkero até tentou desfazer o entrevero nesta quarta-feira. O meio-campista pediu desculpas aos companheiros, por “ter feito muito danos às imagens e às famílias de pessoas que deram tanto pelo clube”. Além disso, o veterano pediu para que a renovação automática de seu contrato não seja exercida. O estrago, contudo, já estava feito. Ainda mais porque o Levante já esteve envolvido em um caso de combinação de resultados: em 2007, quando facilitou a permanência do Athletic Bilbao.
A LFP faz seu papel ao correr atrás da história, principalmente para honrar as palavras de seu novo presidente. Eleito no último mês, Javier Tebas afirmou recentemente que tomaria as medidas cabíveis para punir os clubes que buscassem incentivos financeiros para evitar o rebaixamento em La Liga.
De qualquer forma, é difícil imaginar que a ascensão do Deportivo tenha se baseado apenas em “malas brancas”. Das quatro vitórias recentes do time, o único adversário que não corre risco de rebaixamento é justamente o Levante. Os outros derrotados foram Celta, Zaragoza e Mallorca, trio que ocupa a zona da degola atualmente. E, se comprovada a corrupção, a LFP precisaria investigar outro ponto: correndo o risco de falência, de onde os galegos tiraram o dinheiro para o suborno? Um vespeiro muito maior.


