Quando o Barcelona joga como no primeiro tempo, não há Manchester City que resista
Não foi apenas que o Barcelona teve um noite que lembrou os dias daquela era de ouro entre o fim da última década e o começo da atual. Mas foi também uma apresentação para ser colocada ao lado das melhores daquela equipe de Guardiola. Pode ter sido uma homenagem ao treinador, sentado na sua cadeira no Camp Nou, testemunha de um show de futebol. Intensidade, velocidade, dribles desconcertantes e passes brilhantes. Teve de tudo. E quando há tanto, quem consegue segurar Messi, Neymar, Iniesta, Suárez e Rakitic?
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A equipe de Luis Enrique teve altos e baixos nesta temporada, mas talvez o primeiro tempo tenha sido os melhores 45 minutos do Barcelona sob o comando do treinador. Ou talvez a etapa mais afiada de Messi desde o final da Copa do Mundo, e uma coisa tem muita influência na outra. A sua apresentação no Camp Nou foi apenas um micro-cosmo do espetacular desempenho dele em 2015, com 20 gols em 18 partidas. Ele não esteve em todos os lugares do campo porque não quis, nem precisou. Ficar entre o meio e a ponta direita foi suficiente para dominar a partida.
Carregou a bola, atraiu a marcação e, na hora certa, serviu os companheiros. Quem se aproveitou bastante disso foi Neymar, sempre aberto pela ponta esquerda. Teve várias chances de marcar e não aproveitou nenhuma. Chegou perto, aliás, apenas na primeira, quando acertou o pé da trave. Nada que desanimasse o Barcelona. Messi tabelou com Iniesta e recebeu cara a cara com Hart. Chutou em cima do goleiro. Depois, levou perigo duas vezes seguidas com cobranças de falta. O gol dos donos da casa era uma questão de tempo. O Manchester City não jogava mal, até tentava tocar a bola, mas ficou simplesmente zonzo com a velocidade e a picardia dos adversários. O argentino deu rolinho em Fernandinho, Kompany e Milner. Neymar, no volante brasileiro.
É difícil reagir enquanto o adversário acerta tantos socos próximos ao queixo e o nocaute é iminente, mas Pellegrini poderia ter dado um jeito no lado direito da defesa antes do intervalo. Porque foi de lá, mais uma vez, como ao longo de todo o primeiro tempo, que o gol do Barcelona saiu. Messi avançou pela direita, cortou para o pé esquerdo e percebeu Rakitic correndo nas costas de toda a zaga, que se amontoava na grande área. Em menos de um milésimo de segundo, calculou trajetória, força e soltou o passe. O croata encobriu Hart para abrir o placar.
O Manchester City estava desmoralizado, mas não morto. Se alguma coisa impediu o primeiro tempo do Barcelona de ser perfeito, foi a incompetência na hora de fazer o segundo gol e decidir a parada. A desaceleração do segundo tempo permitiu a ressurreição dos ingleses. A estratégia catalã para o segundo tempo foi o contra-ataque, com alguma razão. Sabia que o adversário voltaria desesperado, e o ataque, com Suárez, Neymar e Messi, é veloz e inteligente o suficiente para se aproveitar disso.
De certa forma, funcionou. Porque o Barcelona criou várias oportunidades para matar a partida, mas parou diversas vezes em Joe Hart, destemido para sair aos pés dos adversários quando era necessário, esperto para cortar os cruzamentos e ágil para defender as tentativas de finalização. As cenas eram quase idênticas: defesa do City desarrumada, contra-ataque, passe em profundidade, e Neymar de repente se via frente a frente com o goleiro. Perdeu o duelo em todas as três boas oportunidades que teve. Hart foi sem dúvida o melhor jogador do Manchester City, principalmente porque o ataque não estava nos dias mais inspirados.
As ameaças vinham de longe, longe demais. Touré levou perigo de fora da área, com aqueles chutes que apenas ele consegue desferir. Bony também arriscou. Mas os principais lances que palpitaram o coração dos torcedores saíram de erros dos próprios jogadores do Barcelona. Primeiro, quando Ter Stegen achou que era Manuel Neuer e tentou driblar na lateral direita. Agüero recuperou, mas a defesa já estava de prontidão em cima da linha para cortar a bola. O segundo, no pênalti cometido por Piqué em cima do argentino, que cobrou para defesa do goleiro alemão.
No geral, foi uma exibição quase impecável do time da casa, muito pouco ameaçado e liderado por uma noite de gala de Messi. O placar foi magro porque Joe Hart também decidiu vestir terno e grava para essa partida, e Neymar estava com o pé muito descalibrado. Pelo segundo ano seguido, o Manchester City cai para os espanhóis, mas desta vez fica difícil culpar alguém. Quando o Barcelona atua dessa forma, quase ninguém consegue pará-lo.