Espanha

Quando é bem feita…

Shunsuke Nakamura foi, até certo ponto, uma contratação surpreendente do Espanyol para a próxima temporada. Aos 31 anos, o japonês chega a Barcelona após uma bem sucedida passagem pelo Celtic e com mercado em outras grandes equipes europeias. Sem falar no complicado momento financeiro dos Pericos, que estão prestes a inaugurar seu novo estádio. De qualquer modo, o que mais espanta nessa situação é a apresentação do atleta.

Nesta segunda-feira, já na nova casa do clube, o estádio Cornellà-El Prat, sete mil pessoas foram ver o novo ídolo vestir a camisa sete azul e branca da equipe, fazer algumas embaixadas, acenar aos torcedores e se despedir de todos. De acordo com a própria imprensa espanhola, foi a maior apresentação de um jogador pelo Espanyol em toda história.

Até aí, entende-se o momento que passa o país, com a gastança sem controles promovida pelo Real Madrid e as apresentações cinematográficas de Kaká e Cristiano Ronaldo, diante de 50 mil e 80 mil pessoas, respectivamente. Mas o Espanyol é apenas um time médio da Espanha. Em sua cidade, é totalmente relegado à marginalidade com a grandiosidade e história do Barcelona. Lutou contra o rebaixamento em toda última temporada, e mesmo assim sete mil pessoas estiveram nesta segunda na nova casa do clube. Apenas para ver uma contratação de perto.

Tudo isso dito, fica a inevitável comparação: o futebol brasileiro não consegue fazer nada parecido. Tomemos o exemplo de Ronaldo no Corinthians. Eu, como repórter da revista Trivela, acompanhei a apresentação do Fenômeno no Parque São Jorge. Festa, fogos, torcida enchendo as ruas ao redor, euforia total… e não tinha cinco mil pessoas lá. E estamos falando da maior torcida do estado e do maior jogador brasileiro dos últimos anos.

É impossível não perceber o quanto fazemos as coisas erradas. E como tratamos mal o torcedor. Enquanto um clube como o Espanyol consegue promover uma belíssima festa, nós ainda capengamos no marketing esportivo.

Voltando à parte esportiva

O Espanyol parece renascer após uma temporada decepcionante e de muito sofrimentos para seus torcedores – ainda mais com a Tríplice Coroa do Barça. O time só engrenou com a chegada do técnico Mauricio Pochettino na 20ª rodada, e mesmo assim lutou muito para sair da zona do rebaixamento. No final das contas, conseguiu uma honrosa décima colocação.

Para a temporada 2009/10 a diretoria perdeu poucos jogadores (o atacante Nenê foi o mais sentido) e já acertou os reforços do lateral-direito argentino Ivan Pillud, ex-Newell’s Old Boys, do jovem venezuelano Camacho, ex-Caracas, também para a lateral-direita, o meia Verdú, ex-Deportivo, o ótimo atacante israelense Bem Sahar, que estava no Chelsea, além do já citado Nakamura.

Os dois últimos são contratações de peso para o clube, que estava há muito tempo direcionando seus investimentos para o Cornellà-El Prat. Com capacidade para 40 mil pessoas, o novo estádio é uma arena muito moderna e adequada às reais necessidades do Espanyol – apesar de ser fora da cidade. Afinal, atuar em um Lluís Companys sempre vazio era deprimente. Pode ser a temporada de redenção para o clube catalão.

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Equipe Trivela

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