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Presidente do Valencia pede demissão e amplia crise

Sem viver grande temporada dentro de campo e ainda em situação instável financeiramente, o Valencia agora precisa superar os problemas políticos. Presidente do clube desde 2009, Manuel Llorente renunciou ao cargo nesta sexta-feira. O dirigente não aceitou a decisão da Generalitat, o governo da Comunidade Valencia, de nomear 11 patronos para supervisionar as atividades do conselho administrativo dos Ches.

“Saio com a consciência de que o trabalho foi muito bem feito. Assumimos um clube que estava em situação bastante precária e deixamos um que está muito melhor do que aquele. Agora somos um clube respeitado nas instituições futebolísticas europeias e que era o oitavo, há alguns meses, no ranking da Uefa. A situação ainda é delicada, mas melhorará.”, declarou Llorente, em entrevista coletiva na qual anunciou sua decisão.

Em grave crise financeira, o Valencia abriu seu capital em meados de 2009, na mesma época em que Llorente assumiu o cargo. Ao todo, 72% das ações foram compradas pela Fundação Valencia CF, entidade criada para salvar o clube e que recebeu injeção de dinheiro do Bancaja, ligado ao governo da Comunidade Valencia. Não à toa, a Generalitat tem fortes influências na administração.

Llorente também explicou o jogo de forças e disse que conversou com o presidente da Fundação antes de definir sua situação: “O momento de sair chegou quando a Generalitat disse que estávamos estorvando. Então, ponderei o que era bom e o ruim e tomei a decisão. Não quero me apegar ao cargo. Entendi que começava outra época no clube, na qual se definia um cenário no qual podiam formar-se conselhos paralelos e com o que não posso consentir. Dois não riem se um não quer”.

Para quitar as dívidas, o dirigente intensificou a política de venda de jogadores. O clube lucrou € 146 milhões nas últimas três temporadas, com as negociações de jogadores como David Villa, David Silva, Juan Mata e Jordi Alba. Além disso, Llorente tentou viabilizar a retomada das obras no Nou Mestalla, o novo estádio dos Ches, paralisadas em fevereiro de 2009. O dirigente chegou a acordo com algumas empresas para seguir a construção, mas a falta de garantias urbanísticas não levou o projeto para frente.

Por fim, Llorente fez um balanço de sua administração: “Agradeço à torcida pela compreensão. Também à família, aos jogadores e aos funcionários. Fico orgulhoso do trabalho que fiz nesse clube. Nada foi gerado espontaneamente. Tivemos que vender jogadores importantes para equilibrar as finanças. A torcida é o suporte deste clube e tem que seguir apoiando como agora, porque precisamos entrar na Liga dos Campeões”.

E a importância da Champions se torna ainda maior diante das dificuldades vividas pelo Valencia. Nesta temporada, por exemplo, a campanha até as oitavas de final rendeu cerca de € 16,5 milhões. Sexto colocado em La Liga, a dois pontos da zona de classificação para a LC, o time precisa conquistar a vaga se não quiser perder mais algumas peças vitais na próxima janela de transferências.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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