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Presidente de La Liga defendeu fundos de investimento no futebol com argumentos risíveis

A Fifa anunciou em dezembro de 2014 a proibição à participação de empresários e fundos de investimento nos direitos econômicos de atletas, uma das poucas decisões da entidade amplamente aprovadas pela comunidade de fãs do esporte. Mas mesmo após pouco mais de um ano, há gente insatisfeita, expressando esse descontentamento publicamente, e não se trata de nenhum agente ou coisa do tipo. Javier Tebas, presidente da liga espanhola, criticou o veto, afirmando que beneficia a Premier League e esquecendo dos problemas gerados por sua própria administração.

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Em declarações publicadas pelo Marca, Tebas defendeu a importância da presença dos investidores no futebol espanhol usando como parâmetro de comparação justamente o que realmente causa problemas ao esporte no país: a divisão dos direitos de TV. “Para nós, isso é tão estratégico quanto a venda centralizada de direitos de transmissão. Sem os fundos de investimento, em três anos, as estrelas de La Liga estarão na Premier League”, argumentou o dirigente.

O que Tebas escolhe deixar de fora, no entanto, é que o principal fator que fez a Premier League dar esse salto financeiro em relação às outras principais ligas foi justamente a negociação centralizada dos direitos de transmissão do campeonato, coisa que o futebol espanhol empurrou com a barriga o quanto pôde e que só agora começa a consertar. E, claro, levará tempo para que algum surja algum efeito prático significativo.

O presidente de La Liga então pega a compra recente de Amrabat pelo Watford para exemplificar seu ponto. “A proibição apenas beneficia a Premier League. Há um exemplo óbvio de uns dias atrás: um clube como o Watford pôde levar o Nordin Amrabat do Málaga. Isso não teria acontecido se eles pudessem ter tido a ajuda de um fundo”, especula o dirigente. O próprio cenário alternativo proposto por Tebas reforça o problema de seu campeonato. O modesto clube inglês teve a capacidade de comprar o jogador justamente por receber uma quantia mais justa de direitos de TV, diferentemente do que acontece com equipes do mesmo patamar que o Watford na Espanha.

Já perdido em seus argumentos sem sustentação, usou a falácia retórica de atacar as figuras que tomaram a decisão, apontando o escândalo de corrupção que abalou a Fifa. Ele é importante, é verdade, mas não faz parte da discussão sobre a participação de investidores nos direitos econômicos dos atletas. “Não menos importante, a proibição vem de um Comitê Executivo da Fifa de 22 membros, metade dos quais está na prisão. O resto está em julgamento por corrupção. Todos, exceto dois, estão sob investigação”, atacou.

Tebas demonstrou uma preocupação justificada com a possibilidade de a Premier League se distanciar demais das outras ligas, tornando-se uma “NBA”, nas palavras do próprio presidente de La Liga. Isso, no entanto, se combate com estratégias de crescimento das outras ligas, e não com a participação de terceiros no futebol. Até porque, a Espanha está longe de ser tão dependente desse tipo de negócio. Segundo um relatório de 2014 da empresa espanhola KPMG, apenas entre 5,1% e 8% dos atletas jogando no país tinham esse tipo de vínculo, com esse número dividido entre cinco clubes. Se Tebas quiser fortalecer essa discussão, precisará de argumentos melhores.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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