Presidente da liga quer levar jogos do Espanhol e da Copa do Rei para o exterior
Além de presidir a liga espanhola, Javier Tebas parece adorar aparecer na imprensa com declarações que sabe que repercutirão bastante por causa de sua posição. Fala em planos que sequer estão desenhados, como o mais recente, de levar partidas de La Liga e da Copa do Rei para o exterior, como parte do processo de expansão da marca do futebol espanhol.
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Em conversa com jornalistas durante o Sport Business Summit, congresso de líderes esportivos realizado nesta quarta-feira em Londres, Tebas revelou a vontade, que pode muito mais ser sua do que da liga em si, até onde sabemos: “A médio prazo, vamos jogar partidas de La Liga e da Copa do Rei no exterior. A curto prazo, isso não será possível, e ainda não decidimos onde jogar esses jogos. Precisamos desenvolver o projeto e, é claro, conseguir as permissões internacionais necessárias da Uefa e da Fifa. No momento, a Fifa está um pouco ocupada com o escândalo de corrupção”.
Tebas reforçou o sucesso dentro de campo das equipes espanholas nas competições europeias das últimas temporadas, mas afirmou que o futebol espanhol tem uma preocupação de também crescer em outros aspectos. “A Bundesliga é a liga com menos dívidas no mundo. A Premier League é a que consegue mais dinheiro de direitos de transmissão, e La Liga é a que vence todos os troféus. Queremos ser os melhores nas três áreas, não apenas no aspecto esportivo”, disse o mandatário da liga espanhola.
Parte desse crescimento passa por uma maior popularização do futebol espanhol entre fãs internacionais, e levar jogos dos torneios espanhóis a outros países seria a estratégia encontrada pelo dirigente para isso. “Se tivermos as estrelas, então Japão, Indonésia e muitos outros países vão assistir ao futebol espanhol. Os Estados Unidos, a China e a África são estratégicos para o crescimento do futebol espanhol. Em três ou quatro anos, o crescimento será particularmente forte na África, graças ao (crescimento no) uso do celular”, projetou.
As revelações de Tebas foram tão genéricas e parecem tão embrionárias que nem cabe aqui discutirmos o planejamento, que não existe. O que dá para dizer é que os torcedores espanhóis não ficariam nada satisfeitos em ver partidas domésticas levadas para outros cantos do mundo. Uma disputa de uma Supercopa da Espanha no exterior, nos moldes do que faz a Itália, é até imaginável, mas a aceitação para a repetição da estratégia com partidas de temporada regular seria muito pequena. No máximo, Tebas consegue apenas novos motivos para ser criticado pelas torcidas espanholas. Há diversas boas possibilidades para se promover La Liga, que se vende por sua própria qualidade, e levar seus jogos para outros países não é uma delas.



