Cesare Prandelli foi o nome escolhido pela diretoria do Valencia para tirar o time de maus lençóis. Bem, ainda não dá para dizer que ele atracou a tarefa. O jogo contra o Sporting Gijón, no último final de semana, foi seu primeiro sobre o comando técnico de Los Che. Entretanto, a vitória por 2 a 1 fora de casa foi conseguida graças à adoção de uma postura defensiva que claramente não existia quando o treinador era Gary Neville. Esta está sendo a primeira experiência do italiano no futebol espanhol, e mesmo pouquíssimo tempo de trabalho no país ibérico, ele já notou algumas diferenças na forma como o esporte é praticado nos dois lugares.
LEIA TAMBÉM: O Mestalla aplaudiu de pé o roupeiro que dedicou 55 anos de sua vida ao Valencia
“No futebol italiano há mais pressão do que no espanhol. Na Espanha há mais respeito”, analisou Prandelli em entrevista concedida ao programa de televisão Calciomercato – L’Originale. “A cultura dos espanhóis não é a de obter resultados, mas sim a de estilo de jogo e a do respeito”, acrescentou à sua observação. Antes de assumir o cargo até então ocupado por Marcello Lippi na seleção italiana, em 2010, o técnico teve passagens pela Roma, Parma e Fiorentina, onde permaneceu por mais tempo. “Hoje em dia, jogadores e técnicos tendem a se afastar do público todos os dias, e esse distanciamento pode se tornar em ódio dentro do futebol”.
Esquivando um pouco do esporte, Prandelli falou também sobre a questão cultural da Espanha e disse estar gostando muito de Valencia. “É uma cidade que saúda as diferenças culturais. As pessoas amam viver aqui”, confessou o treinador. “No último domingo, voltamos bem tarde de Gijón depois da vitória sobre o Sporting. Mas apesar do horário, as crianças que jogam nas categorias de base do clube estavam nos esperando para nos recepcionar e celebrar conosco o resultado positivo. Foi uma emoção forte e eu tive uma sensação de pertencimento incrível”, contou.
O próximo desafio de Los Che em La Liga é encarar o Barcelona no Mestalla, no sábado. Será o primeiro jogo de Prandelli em casa, e uma ótima oportunidade para o time ganhar confiança e alavancar sua campanha no campeonato, caso vença. “A última vez que enfrentei [Luis] Suárez foi durante a Copa do Mundo de 2014, quando ele mordeu [Giorgio] Chiellini”, relembra o italiano. “Encontrarei ele novamente daqui a dois dias, mas não tenho nada contra ele”, disse. “A preparação para um jogo contra o Barcelona não é fácil. Você não pode parar o talento que eles têm, apenas dificultá-lo. O segredo é aproveitar os momentos de fraqueza deles”.



