Pouco úteis no time principal, jovens fazem falta ao Real B

Se o time principal do Real Madrid começou a temporada procurando encaixar suas novas peças e se acostumar com a saída de nomes importantes, como os de Higuaín e Özil, as mudanças no time B do clube da capital tiveram impacto negativo imediato neste começo de campanha na Liga Adelante, a segunda divisão espanhola. Neste domingo, o Real Madrid Castilla foi dominado e derrotado por 2 a 0 pelo Barcelona B, no Mini Clasico disputado na Catalunha.
Com a subida dos nomes mais importantes da última temporada para o time principal, a equipe perdeu, principalmente, poder ofensivo e soma seu quinto revés em cinco jogos disputados pela segundona. O êxodo para o time A, no entanto, não tem sido muito justificado, justamente pela chegada de tantos reforços, que têm deixado os jovens sem espaço.
Dos jogadores da equipe principal que empatou em 2 a 2 com o Villarreal em El Madrigal, dois vieram da base merengue nesta temporada. Na defesa, Nacho participou da partida inteira, como lateral esquerdo, por causa das ausências de Fábio Coentrão e Marcelo, lesionados em jogos por suas respectivas seleções. No ataque, Álvaro Morata apenas deu sequência às suas curtas aparições neste início de Campeonato Espanhol e participou dos últimos 23 minutos do jogo. No banco, Casemiro e Jesé Rodríguez, também recém-promovidos ao elenco principal, sequer entraram em campo. E é a partir do atacante espanhol que podemos dar o melhor exemplo de “desperdício” de talento no elenco Blanco.
Destaque do Real Madrid Castilla na última temporada, Jesé marcou impressionantes 21 gols em 26 jogos na segunda divisão – média de 0,80 por partida – e, ainda assim, só teve uma oportunidade no time principal nestas quatro primeiras rodadas de La Liga, entrando nos minutos finais da vitória sobre o Athletic Bilbao por 3 a 1 no início do mês. No entanto, a pouca utilização do jovem talento pode ser facilmente justificada pelas opções com que Carlo Ancelotti conta. Além de Cristiano Ronaldo, Di María e Benzema, que já estavam no time na última temporada, o Real trouxe Isco e Bale, atletas que pouquíssimos técnicos no mundo ousariam deixar no banco. O valor investido nesses jogadores aumenta ainda mais a pressão para que eles sejam utilizados, sobrando pouquíssimo espaço para quem chega do time B.
Enquanto isso, o Castilla amarga a lanterna da segundona, com nenhum ponto conquistado e apenas um gol marcado. E tomando o início de campanha como ponto inicial para projeções é difícil imaginar a equipe escapando da queda para a terceira divisão. Certamente não seria inteligente manter jovens promissores por muito tempo em uma competição do nível da Liga Adelante. Mas lançá-los diretamente ao time principal, em que se sabe que não terão o espaço necessário para estar em ritmo de jogo e atingir seu desenvolvimento de maneira plena, não parece a decisão mais esperta por parte de Ancelotti.
Há equipes na elite espanhola que precisariam de um atacante como Jesé, e o empréstimo do atleta para um time em que atuaria constantemente seria benéfico para os próprios merengues. Afinal, teriam de volta no fim da temporada um jogador mais desenvolvido e bem acostumado ao futebol da primeira divisão. Ainda assim, se a escolha for a de manter o atacante – e também os outros promovidos – em Madri, que seja na “filial” que mais precisa dele.



