Espanha

Potencial de crise

Domingo, 14 de setembro de 2008. No dia anterior, o Barcelona empatara em casa com o Racing de Santander e causava desconfiança de seus torcedores. Era a segunda rodada do Campeonato Espanhol e o time catalão contava com apenas um ponto. Será que contratar o novato Pep Guardiola como técnico havia sido uma boa ideia? Não era melhor ter se desfeito de Eto’o e renovado mais profundamente o time dos tempos de Frank Rijkaard?

Faz mais de um anos e dois meses, e essa foi a última vez que o Barça esteve em alguma situação que beirasse uma crise. Ou, no mínimo, dúvidas a respeito de sua própria força. Pois, na semana que vem, os blaugranas podem relembrar a sensação de se sentirem vulneráveis e sem o controle da situação. São dois jogos decisivos nos próximos sete dias, sendo que um tropeço já pode desestabilizar o ambiente em Les Corts. Dois, então…

Nesta terça, os culés recebem a Internazionale pela Liga dos Campeões. Uma derrota, somada a uma vitória do Rubin Kazan em casa contra o Dínamo de Kiev, elimina a equipe de Messi, Ibrahimovic, Xavi e Iniesta do torneio ainda na fase de grupos. E com uma rodada de antecedência. Seria a primeira vez que o campeão europeu não chega às oitavas de final na temporada seguinte.

No domingo, é a vez de enfrentar o Real Madrid. O jogo também será no Camp Nou, mas um elemento serve para dar um ar de perigo para os catalães: os madrilenos assumiram a liderança do campeonato. Assim, uma derrota permitirá aos merengues abrir quatro pontos de vantagem e é possível que o time de Guardiola caia para a terceira posição (o Sevilla se torna o segundo colocado se também vencer).

Vá lá, seria muito apocalíptico tudo isso acontecer. Ainda que a Internazionale seja incansavelmente pragmática, é uma equipe que não consegue impor seu estilo na Liga dos Campeões. E, em Milão, o duelo ficou no 0 a 0. Ou seja, a chance maior é de sobrevivência catalã na LC. No clássico contra o Real, os blaugranas contam com a vantagem de jogar em casa – algo que tem muita força nesses duelos – e estão com o time mais ajustado. Com Cristiano Ronaldo de volta, claro que uma vitória branca é possível. Mas não é a aposta mais segura.

Ainda assim, os prognósticos relativamente favoráveis não impedem que esta seja uma semana de apreensão em Les Corts. Uma vitória por 8 a 0 sobre o Real tem pouco valor se o time tiver sido eliminado da LC dias antes. Do mesmo jeito, sobreviver na competição continental pode ser apenas um consolo se houver derrota para o rival no domingo.

Esse cenário se resume em uma simples palavra: pressão. E o Barcelona com Guardiola não está tão acostumado a lidar com ela. Se sucumbir, pode entrar em um princípio de crise. Se sobreviver bem, pode até tomar novo impulso, tamanha a confiança que ganhará.

Um time começa pela defesa

Um ponto em quatro partidas, com 12 gols sofridos (média de três por jogo). E não foram tropeços quaisquer: o Cádiz tomou de 4 do lanterna Castellón e do fraco Girona, além de cair para o Villarreal B. Desse modo, o time que surgiu como candidato à promoção já se preocupa seriamente com um retorno à Segunda B (terceira).

O Cádiz já se acostumou a frequentar a segunda e a terceira divisão. Mesmo assim, é um clube que ainda provoca alguma repercussão na Espanha, pois conta com alguma tradição e, principalmente, uma torcida das mais fiéis e fanáticas entre os pequenos. Tanto que a passagem pela Terceirona na temporada passada foi vista com pesar. Durou apenas uma temporada. Com um time jovem, os gaditanos obtiveram o acesso rapidamente.

O ânimo com o retorno à Segundona foi tamanho que a diretoria investiu em reforços, a ponto de se iludir com uma briga na parte de cima da tabela. O destaque é a dupla de ataque, formada pelo nigeriano Ogbechi (ex-Paris Saint-Germain e Valladolid) e o experiente Diego Tristán (ex-Deportivo de La Coruña e West Ham). Além disso, o técnico Javi Gracia ainda pode contar com o uruguaio Fleurquín (capitão da equipe, ex-Galatasaray) e o argentino Toedtli (ex-Huracán e Sevilla).

O problema é na defesa. A base inexperiente da temporada passada não teve grandes melhorias. Com isso, é dada a oscilações. Nas seis primeiras rodadas, a retaguarda funcionou bem e sofreu apenas três gols. Como o ataque não ajudou muito, a equipe ficou no meio da tabela. Mas ainda era uma situação sob controle. O problema é que a defesa perdeu ritmo. E as derrotas começaram a se acumular.

Após 13 rodadas, os andaluzes sofreram 21 gols, segunda defesa mais vazada do campeonato (à frente apenas do lanterna Castellón). O pior é que o ataque continua pouco produtivo: com 11 tentos, é o segundo mais fraco da competição, ao lado de Huesca e Real Unión e um à frente do Celta (outro time tradicional em maus lençóis).

Se Tristán, Ogbechi e Toedtli começarem a fazer gols, o Cádiz pode crescer. Mas o ponto-chave para ter uma campanha consistente é a defesa. Em longo prazo, é preciso sofrer poucos gols para ter um desempenho sólido. Como os gaditanos se preocuparam mais no ataque, iludiram a torcida. Mas podem ter preparado o caminho para nova queda.

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Equipe Trivela

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