Espanha

Por pura intolerância, ultras catalães pró-separatismo agrediram torcedores da seleção espanhola

Não é necessário ver o resultado de consultas informais sobre a independência da Catalunha para saber que o desejo do povo catalão não é unânime. Embora a vontade pareça universal, já que apenas quem é a favor se manifesta ferrenhamente quanto a questão separatista, é preciso levar em consideração que a população da comunidade autônoma ultrapassa sete milhões de pessoas. Ou seja, é impossível pensar que nenhuma delas seja contra. E, este mês, uma evidência de extrema intolerância mostrou por que catalães satisfeitos com a atual conjuntura da região evitam levantar bandeiras: jovens torcedores do Sant Andreu, time da Catalunha, agrediram pessoas que manifestavam apoio à seleção espanhola em Barcelona.

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O episódio lamentável aconteceu no início do mês, em uma tenda montada próxima à saída de uma estação de metrô, no bairro de Sant Andreu. Três membros, dentre eles duas mulheres, da associação “Barcelona com a seleção” sofreram ataques, insultos e ameaças por estarem munidos de bandeiras e camisas da Fúria. Segundo investigou a justiça local, os agressores são ligados ao Desperdicis, grupo de torcedores ultras do Sant Andreu, time catalão que disputa a quarta divisão do Campeonato Espanhol. “Nas arquibancadas, algumas vezes gritamos contra o Estado espanhol, mas, especialmente, contra a Europa”, disse um dos detidos à polícia, tentando justificar o ocorrido a seguir da confissão de seu envolvimento com a torcida organizada.

Além de se configurar como absurda, a origem do acontecimento também é um pouco incoerente, já que na própria seleção da Espanha há jogadores catalães que já se posicionaram a favor da independência e nem por isso boicotaram a Fúria. Obviamente existe a questão do orgulho e do sentimento nacionalista, mas ela também está presente na equipe espanhola, e pôde ser vista, com muita transparência, na comemoração da primeira conquista da Copa do Mundo. A identidade da Catalunha estava com Xavi quando o jogador deu uma volta olímpica no estádio Soccer City carregando uma ‘estelada’. E, tudo bem, ninguém é obrigado a apoiar, nem precisa concordar com a existência de algo que não coincide com suas crenças. Mas não existe forma pior de perder a razão quando se utiliza insultos e violência para se defender no que acredita.

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Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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