Piqué se defende de acusação de conflito de interesses por ter intermediado acordo entre Federação e Arábia Saudita por Supercopa: “Totalmente legal”
Áudios vazados ao jornal El Confidencal mostraram que a empresa do zagueiro do Barcelona receberá € 24 milhões pelo contrato de seis para realizar a Supercopa da Espanha na Arábia Saudita
Gerard Piqué disse que o acordo que ajudou a intermediar entre o governo da Arábia Saudita e a Federação Espanhola para levar a Supercopa da Espanha ao país do Oriente Médio é “importante, totalmente legal” e, na opinião dele, não representa nenhuma conflito de interesse.
O jornal El Confidencial publicou áudios vazados na última segunda-feira em que Piqué conversa com o presidente da Federação Espanhola, Luis Rubiales, sobre as negociações para realizar a Supercopa na Arábia Saudita, incluindo a repartição dos € 40 milhões que a federação receberia por cada edição do torneio.
A reportagem também confirmou que a Kosmos, empresa do zagueiro do Barcelona, receberá € 24 milhões em comissões do governo saudita pelo contrato de seis anos que foi firmado entre as partes, o que levantou discussões sobre conflito de interesses em um jogador em atividade estar ajudando a moldar competições em que ele atua – e ganhando dinheiro para isso.
Piqué convocou jornalistas para uma entrevista coletiva virtual em seu canal de Twitch na noite da última segunda-feira, após a derrota do Barcelona para o Cádiz no Camp Nou, no qual foi desfalque por lesão. “Eu me sinto orgulhoso por este acordo porque é importante para o futebol espanhol, totalmente legal e, no meu modo de ver, não há um conflito de interesses”, disse o jogador de 35 anos.
“Temos conexões muito boas no Oriente Médio e o pessoal da Arábia Saudita comentou que queria levar competições de futebol para lá. Vendo o panorama, optamos por falar com o senhor Rubiales para ver se estariam interessados em transferir a Supercopa. A Kosmos também propôs mudar o formato (com quatro times disputando semifinal e final)”.
“Olhando com perspectiva, foi um sucesso. Eu lembro uma Supercopa em Tânger (2018, a última no formato antigo) que foi muito distante da que temos agora. Falamos também com a Sony para levá-la para Miami. Eles falaram com outras opções. Depois de avaliar muito e falando com todos, decidiram pela Arábia Saudita. Eu apenas levei uma proposta para a Federação. Antes de mudar o formato, ela levava € 120 mil. Agora são € 40 milhões”, completou.
Piqué disse que a única coisa ilegal na história foi o roubo dos áudios e documentos, que a Federação Espanhola denunciou como trabalho de hackers, e que ele sabe separar os acordos comerciais da sua empresa da sua vida de jogador, negando que a proximidade com Rubiales possa render alguma vantagem para o Barcelona. Em outro áudio vazado pelo El Confidencial, Piqué e Rubiales discutem realizar a Supercopa da Espanha no Camp Nou, antes do acordo com os sauditas.
“É uma notícia que saiu em 2019. E não foi notícia. Agora em 2022 vazam esses áudios e agora é notícia. Sei separar o que é um acordo comercial do que fiz minha vida inteira, que é jogar futebol. Não recebi nenhuma ajuda. Me dizer que um acordo comercial terá uma influência na competição é porque não tem ideia de quem eu sou. Eu simplesmente estou ajudando o presidente a ter uma fórmula que tenha lógica. Não tem nada a ver assuntos comerciais com os esportivos”, afirmou.
“Estamos falando de algo legal. Podemos debater a moralidade do fato, mas o único ilegal neste assunto é o vazamento dos áudios. Oficialmente nós cobramos comissão diretamente do governo da Arábia Saudita. Em nenhum caso cobramos nada da Federação Espanhola. Não tenho nenhum acordo comercial com a Federação”, disse.
Em novos áudios publicados pelo El Confidencal nesta terça-feira, Piqué tenta convencer Rubiales a envolver o rei emérito Juan Carlos na negociação. O monarca que abdicou em 2014 abandonou a Espanha dois anos atrás em meio a escândalos de acusações de corrupção que envolviam pagamentos por um trem de alta velocidade na Arábia Saudita – uma das investigações que já foram arquivadas pelas autoridades espanholas.
Em outra conversa, Piqué afirmou que ofereceria um vídeo de apoio de Lionel Messi ao presidente da Associação de Jogadores de Futebol da Espanha (AFE) que estava pedindo a sua ajuda contra um outro sindicato que estava sendo montado por Javier Tebas, presidente de La Liga, caso a AFE defendesse o calendário proposto pela Federação Espanhola.



