Espanha

Piqué confirma o fim de sua tumultuada relação com a seleção espanhola

A contratação de Luis Enrique para ser o novo técnico da Espanha, no lugar de Julien Lopetegui, não foi o bastante para fazer com que Gerard Piqué mudasse de ideia. O zagueiro do Barcelona havia anunciado que se aposentaria da seleção espanhola depois da Copa do Mundo de 2018, embora tenha apenas 31 anos, e confirmou a sua decisão, neste sábado, em entrevista coletiva antes da Supercopa da Espanha, contra o Sevilla, no Marrocos.

Chega ao fim a tradicional dupla com Sergio Ramos, que rendeu títulos à Espanha. Piqué começou sua carreira no futebol internacional em 2009 e conquistou a Copa do Mundo da África do Sul e a Eurocopa, dois anos depois. Na estreia do Mundial da Rússia, contra Portugal, chegou a 100 partidas pela equipe e encerra sua passagem com 103 jogos e cinco gols marcados.

Apesar de um currículo de respeito, a relação de Piqué com a torcida espanhola sempre foi muito tumultuada. Além de ser um símbolo da Catalunha, em eterno litígio com o governo central de Madri, o jogador do Barcelona não costuma ter pudor de criticar ou provocar o Real Madrid. A primeira vez que mencionou que deixaria a seleção depois da Copa do Mundo da Rússia foi após receber uma tonelada de críticas por um incidente depois da vitória da Espanha sobre a Albânia, em outubro de 2016.

Piqué foi acusado por torcida e imprensa de ter cortado parte das mangas da camiseta que usou naquela partida, removendo o vermelho e amarelo da Espanha. O zagueiro foi apoiado pela Federação Espanhola, que até soltou um comunicado explicando que o modelo de mangas longas que o jogador vestiu não carregava as cores do país. “Eu tentei de tudo, mas não aguento mais. O problema com as mangas foi a gota d’àgua. Eles conseguiram me tirar a alegria de defender a seleção e, mesmo com apenas 31 anos depois da Rússia, vou embora”, disse, na ocasião.

As suas posições políticas também entram na conta. Embora não apoie a independência catalã ostensivamente, foi a favor do referendo extra-oficial que terminou em repressão da polícia ano passado. Os catalães foram às urnas para votar a favor ou contra a separação da região. Por considerar o pleito ilegal, o governo espanhol ordenou a polícia a impedir que a votação acontecesse, o que descambou para a violência e deixou centenas de pessoas feridas. No mesmo dia, o Barcelona precisou enfrentar o Las Palmas com portões fechados.

Pouco depois, Piqué apresentou-se à seleção espanhola e foi recebido com cartazes e vaias, depois de ter dito que o povo deveria ter o direito de expressar sua opinião. Respondendo às reações, ele disse que “não era o caso dele”, mas que um independentista poderia jogar na seleção espanhola. Naquele momento, cogitou aposentar-se imediatamente do time nacional, mas não fez isso porque não queria dar razão aos que o vaiavam.

Piqué foi mal na Copa do Mundo da Rússia, um dos piores jogadores da campanha fraca da seleção espanhola, atrapalhada pela saída abrupta de Lopetegui, às vésperas da estreia, depois de ser anunciado que treinaria o Real Madrid ao fim do torneio. Luis Enrique foi contratado para substituí-lo e, apesar da boa relação com o zagueiro, com o qual trabalhou no Barcelona, não conseguiu demovê-lo da decisão.

“Falei com Luis Enrique duas semanas atrás e o informei da decisão que havia tomado, uma decisão em que pensei muito. Não voltarei atrás”, afirmou. “Estou muito feliz pelos sucessos que tivemos nos últimos anos. A Copa do Mundo, as Eurocopas, mas a minha etapa chegou ao fim. Quero me concentrar no Barcelona e desfrutar da equipe nos anos que ainda tenho aqui. Quantos mais, melhor”.

Com a saída de Iniesta para o Vissel Kobe, do Japão, Piqué foi eleito o terceiro capitão do Barcelona, atrás de Lionel Messi, o principal, e Sergio Busquets, o seu vice, consolidando a posição de liderança que já tinha no clube catalão e que, pela forma como a exercia, contribuiu para algumas rusgas na sua passagem pela seleção espanhola.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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