Espanha

Golaços, reação incrível, 5×4 no placar: Barça bateu o Sevilla em uma Supercopa inesquecível

A Supercopa Europeia pode até valer taça, mas não deixa de ser uma grande festa. Um título mais para abrir a temporada do que para engrandecer o currículo dos clubes. Por isso mesmo, Barcelona e Sevilla fizeram uma partida bastante aberta em Tbilisi, diferente de como as decisões costumam ser. Mas para ser lembrada como um jogaço por muito e muito tempo, diante da sequência de fatos que valorizam bem mais o título deste ano. Após show nas cobranças de falta no começo, os blaugranas abriram o segundo tempo goleando, mas permitiram três gols e o empate dos andaluzes. Até que a partida fosse definida para o Barça no segundo tempo da prorrogação, com a vitória por 5 a 4 e o quarto troféu no ano. Uma Supercopa especial na galeria de cinco conquistas do clube no torneio, igualando o Milan como maiores campeões.

Logo de cara, o destaque foi mais uma vez Lionel Messi. O camisa 10 não fez tanto assim com a bola rolando, mas comandou o espetáculo nas bolas paradas durante o início do jogo. O Sevilla abriu o placar logo aos três minutos, em uma linda cobrança de falta de Banega. Porém, o argentino mexeu com os brios de seu compatriota e viu Messi buscar a virada antes dos 15. Também duas faltas letais do artilheiro, sem chances para o goleiro Beto. De quebra, o craque quase fez ainda um gol olímpico, salvo pelo goleiro.

A partir de então, o primeiro tempo sempre esteve nas mãos do Barcelona. O time de Luis Enrique pressionava bem mais e criava as chances, especialmente com Luis Suárez, o mais ativo em campo. O uruguaio teve um gol anulado por impedimento, pouco antes de perder uma chance cara a cara com Beto. Mas, na sequência do lance, Luisito se redimiu com um passe magistral para Rafinha balançar as redes e anotar o terceiro antes do intervalo.

Tudo apontava para uma goleada do Barcelona. E ela veio logo no início do segundo tempo, com Suárez finalmente deixando o seu. Contudo, os blaugranas relaxaram. Até demais. E duas falhas seguidas de Mathieu ressuscitaram o Sevilla. Primeiro, o defensor errou o tempo de bola e permitiu que Reyes anotasse o segundo dos andaluzes. Depois, cometeu um pênalti infantil, convertido por Gameiro. Por fim, os rojiblancos consumaram o terceiro gol em 25 minutos, mostrando bem o seu serviço no mercado de transferências. Ciro Immobile, que acabara de sair do banco, aproveitou a bobeada de Bartra e passou para Konoplyanka empatar.

A partir de então, o jogo passou a ser rondado entre as duas áreas. O Barcelona acordou e voltou a partir para cima. Ainda assim, suas maiores ameaças seguiam nas faltas de Messi. No final do tempo regulamentar, quase ele mandou outra bola na gaveta, assustando Beto. Nada suficiente para evitar a prorrogação.

Já no tempo extra, por mais que os times demonstrassem ímpeto, faltava mais energia para que criassem melhores chances de gol. Só que, mais uma vez, os rumos da partida seria decidido por uma cobrança de falta. Aos 10 minutos do segundo tempo, Messi carimbou a barreira, mas pegou o rebote, exigindo uma defesa espetacular de Beto. Porém, depois do milagre, o goleiro nada pôde fazer quando Pedro pegou a sobra. Saindo do banco, o atacante acabou sendo o iluminado na decisão. E, por mais que tenha tentado, o Sevilla não conseguiu buscar novo empate nos cinco minutos restantes. A melhor chance veio com Konoplyanka, na pequena área, mas o ucraniano errou o alvo. Independente do resultado, os andaluzes caíram de pé, ainda mais em nova temporada de reconstrução após o bicampeonato da Liga Europa.

O papel decisivo de Pedro, aliás, é emblemático. O atacante negocia sua transferência para o Manchester United e, pouco antes do jogo, a imprensa espanhola afirmou que ele teria pedido para deixar o Camp Nou. Entrou em campo nos minutos finais e fez um gol ao seu estilo, em um lance de pura estrela. Talvez o seu último pelo clube. E em uma Supercopa Europeia que será muito mais celebrada do que de costume pelos blaugranas, diante de todas as emoções vividas durante os 120 minutos na Geórgia.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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