Parceria com Suárez e Neymar é a melhor da carreira de Messi, e foi o próprio argentino que afirmou isso

Há exatamente 34 dias, com os cinco gols marcados na goleada por 6 a 0 sobre o Getafe, o trio formado por Messi, Suárez e Neymar batia o recorde de um tridente no Barcelona, chegando a 100 gols e superando aquele formado pelo argentino com Eto’o e Henry, na temporada 2008/09. Restavam sete jogos garantido nesta temporada, e a diferença de 16 gols para o recorde absoluto na Espanha, estabelecido por Cristiano Ronaldo, Higuaín e Benzema, em 2010/11, nos fez acreditar que, embora possível, era muito difícil o MSN alcançá-lo. Na decisão da Copa do Rei, os dois gols de Messi e o de Neymar colocaram o trio culé à frente do madridista, com 120 gols na campanha 2014/15. Número impressionante alcançado pela melhor parceria que o camisa 10 do Barça teve em sua carreira, segundo o próprio craque.
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Em entrevista exclusiva ao site Squawka, especilizado em estatísticas, Messi recordou os grandes nomes com quem atuou no ataque do Barcelona. Exaltou a ligação que teve com Ronaldinho no início de sua carreira, não deixou de mencionar alguns dos companheiros mais recentes, como Villa, Sánchez e Pedro (que ainda está no clube). Mas disse que com nenhum desses se deu também, tecnicamente falando, como com o uruguaio e o brasileiro.
“Tenho sorte. Joguei com tantos atacantes incríveis ao longo dos anos. Tive uma ótima conexão com o Ronaldinho. Joguei com Samuel Eto’o, Thierry Henry, com Pedro, David Villa, Alexis (Sánchez). Mas tenho que dizer que é difícil superar a parceria com o Neymar e o Suárez. Os dois estão em seu ápice. Estamos juntos como trio apenas há uma temporada, então ainda há trabalho a ser feito na parceria, e todos podemos melhorar juntos. Mas todos nós vemos isso como trabalho em equipe”, comentou Messi.
O argentino falou também do potencial que os dois têm de, individualmente, alcançarem o topo e, um dia, conquistar o prêmio de melhor do mundo. As palavras podem ser apenas demagogia, mas também podem refletir a opinião sincera do craque, e, para o torcedor do Barcelona que espera que o brasileiro seja o sucessor da liderança técnica do clube no futuro, é um alívio ouvir o reforço disso vindo justamente do atual líder. “Eu já falei antes que, com a qualidade, o toque e a forma física que tem, o Neymar pode se tornar o melhor do mundo. O mesmo vale para o Luís. Seu toque, sua visão, sua movimentação e seu jogo instintivo são incríveis. Todos nós oferecemos algo diferente e tornamos melhores uns aos outros”, encerrou o camisa 10, exaltando a sintonia do trio.
Os comentários de Messi sobre o futuro não se resumiram apenas a projeções sobre seus companheiros. Com a tendência de atletas mais veteranos mudando de posição para estender suas trajetórias no futebol, como Pirlo fez nos últimos anos – de maneira muito bem-sucedida -, o argentino admitiu que essa é uma das alternativas que enxerga para os passos finais de sua carreira. “É possível. Muitos jogadores são recuados quando chegam aos estágios finais de suas carreiras, e isso certamente é uma opção para mim, virar um meio-campista completo. Já joguei muio no meio de campo, e cubro muitas áreas por ali. Estou feliz por jogar como atacante, no meio, só espero que possa continuar assim. Há muitos jogadores que prolongaram suas carreiras, jogando em uma posição diferente, onde talvez você não dependa tanto da explosão o tempo todo, da sua velocidade”, ponderou.
Explosão e velocidade são duas palavras que descrevem bem parte da essência do futebol de Messi, e, portanto, não espanta que Ronaldo Fenômeno tenha sido seu grande ídolo. Perguntado sobre as figuras que mais admirava no mundo do futebol, o argentino escolheu o brasileiro e, como não poderia deixar de ser para quem era adolescente nos anos 1990, Zidane como grandes exemplos: “O Ronaldo, do Brasil, foi meu ídolo na infância. Ele era incrível pelo Barcelona e pelo Brasil, nunca tinha visto um atacante mais talentoso. Marcava gols do nada, e sua finalização era a melhor do futebol. Era um grande cara fora do campo também. E, quanto a modelos, você tem que olhar para o Zidane. Amava vê-lo jogar, mas ele também era um herói na França, um grande homem fora do futebol”.

Além da genialidade, a estante repleta de prêmios individuais e a impressão de que estão no panteão de maiores jogadores da história, Ronaldo, Zidane e Messi compartilham de um sentimento: a dor de se chegar a uma decisão de Copa do Mundo e ver o sonho do título escapar. Para os dois primeiros, outras edições reservaram a glória, mas o argentino vive com essa incerteza. A pressão por parte daqueles que cobram dele a conquista para ser visto como o maior da história deve contribuir para o sentimento amargo, mas o craque do Barça garante que o revés do ano passado serviu de motivação para esta temporada.
“Perder a Copa do Mundo foi um grande golpe. Queria vencê-la pelos argentinos de todas as partes, por meu país, e fiquei muito chateado depois. Mas ser profissional significa seguir em frente rapidamente depois de momentos de baixa. Se você está em campo e perde uma chance, não pode ficar se lamentando, precisa pensar se conseguirá marcar na próxima. Então, sim, perder a Copa do Mundo te motiva a fazer melhor, e você quer usar a raiva e a decepção como motivação”, revelou. Pelo retorno ao seu melhor futebol que esta temporada tem apresentado, o combustível funcionou.


