Espanha

Os outros

“Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você conhece a si mesmo, mas não o inimigo, para cada vitória conquistada, você também sofrerá uma derrota.” O general, estrategista militar e filósofo chinês Sun Tzu deixou claro a importância de conhecer o inimigo ao escrever esse trecho de “A Arte da Guerra”. Isso se aplica à seleção brasileira na Copa do Mundo? Talvez, se a cabeça de todos ficar focada na baboseira de “guerreiros para cá” e “defender a pátria” para lá. O Mundial serve como momento de confraternização dos povos e as outras 31 equipes são apenas adversários.

Tudo bem, mas isso não impede os brasileiros de abrirem o olho com a Espanha, seleção considerada por muitos como a grande concorrente do Brasil ao título na África do Sul. Até porque os espanhóis são campeões europeus e lideram na bolsa de apostas de Londres. Algo justificável, pois o time realmente é bom e, dessa vez, a empolgação dos torcedores não é exagerada.

Então, vamos abaixo a um “quem é quem” de toda a seleção espanhola (com dados atualizados até a data de publicação deste texto). E, depois, não diga que se surpreendeu com esse time.

GOLEIROS

1 – Iker Casillas

Clube: Real Madrid
Temporada 2009/10: 46 J / 44 GS
Eliminatórias: 9 J / 4 GS
Pela seleção: 103 J / 59 GS

Foi o melhor goleiro do mundo há uns anos, mas perdeu esse posto para Júio César nas duas últimas temporadas. Claro, isso se deveu muito ao excelente desempenho do brasileiro na Internazionale. Mas também é verdade que Casillas já esteve melhor. Continua sendo um goleiro seguro, líder em campo e nada o impede a voltar a ser espetacular. Talvez a excessiva exposição à fragilidade defensiva do Real Madrid o tenha prejudicado na temporada.

12 – Victor Valdés

Clube: Barcelona
Temporada 2009/10: 55 J / 34 GS
Eliminatórias: 0 J
Pela seleção: nunca jogou

O goleiro do Barcelona nunca foi o preferido de Luís Aragonés e Vicente del Bosque, mas ganhou sua vaga na seleção espanhola. Não é constante como Casillas, mas fez uma quantidade razoável de grandes defesas para levar todos a aceitá-lo como bom goleiro. Sobra-lhe experiência em clubes e já há quem o peça como novo titular da seleção, mas a falta de partidas com a camisa da Espanha pode pesar.

23 – Pepe Reina

Clube: Liverpool-ING
Temporada 2009/10: 51 J / 40 GS
Eliminatórias: 1 J / 1 GS
Pela seleção: 19 J / 9 GS

Dos três goleiros espanhóis, é o mais oscilante. É capaz de atuações seguras e de frangos inacreditáveis. No entanto, tem a seu favor a experiência e a capacidade de crescer nos momentos decisivos. É também muito bom para defender pênaltis.

DEFENSORES

2 – Raúl Albiol

Clube: Real Madrid
Temporada 2009/10: 41 J / 1 G
Eliminatórias: 6 J / 0 G
Pela seleção: 22 J / 0 G

Volante de origem, Albiol já se consolidou como zagueiro. Foi contratado por € 15 milhões pelo Real Madrid, o que se mostrou um exagero pela primeira temporada. Não é um jogador ruim, mas é apenas um defensor regular, que cumpre suas funções. Pode ser opção na lateral direita.

3 – Gerard Piqué

Clube: Barcelona
Temporada 2009/10: 94 J / 7 G
Eliminatórias: 6 J / 3 G
Pela seleção: 15 J / 4 G

Piqué fez um grande negócio quando trocou o Manchester United pelo Barcelona. Na Inglaterra, não teria espaço na disputa com o ídolo local Rio Ferdinand e o sólido Vidic. Mas um zagueiro de sua capacidade não podia ficar no banco. Com bom posicionamento, força na bola aérea e concentração nos 90 minutos, forma um bom complemento à garra e liderança de Puyol.

4 – Carlos Marchena

Clube: Valencia
Temporada 2009/10: 34 J / 3 G
Eliminatórias: 3 J / 0 G
Pela seleção: 57 J / 2 G

Zagueiro experiente, que pode jogar de volante. Foi muito bem na Eurocopa que a Espanha conquistou há dois anos, mas não é um jogador espetacular. É bom para completar o elenco, até porque tem uma incrível marca: nunca perdeu com a camisa da Furia.

5 – Carles Puyol

Clube: Barcelona
Temporada 2009/10: 48 J / 1 G
Eliminatórias: 6 J / 1 G
Pela seleção: 82 J / 2 G

Zagueiro relativamente baixo, de cabelo engraçado e jeito estabanado. As aparências levam os mais precipitados a considerar Puyol um jogador tosco. Mas as aparências podem enganar. Puyol cresceu muito nas últimas três temporadas. Defende com uma determinação fervorosa, é um líder em campo e é muito rápido na antecipação. Além disso, pode jogar de lateral-direito.

11 – Joan Capdevila

Clube: Villarreal
Temporada 2009/10: 48 J / 6 G
Eliminatórias: 9 J / 1 G
Pela seleção: 43 J / 4 G

O ponto mais fraco da defesa espanhola. Capdevila é correto na marcação e ligeiramente acima da média no apoio. Não seria surpreendente se perdesse a posição de titular, ainda que a concorrência não seja das melhores.

15 – Sergio Ramos

Clube: Real Madrid
Temporada 2009/10: 40 J / 4 G
Eliminatórias: 8 J / 0 G
Pela seleção: 58 J / 5 G

Há quem o considere um grande zagueiro e um lateral mediano. Outros o vêem como um excelente lateral e um zagueiro apagado. Eu fico com a segunda opção. Sergio Ramos é um pouco estabanado e, por isso, compromete muito no meio da defesa. Na lateral, tem mais margem de erro e pode se destacar como lateral-bom-na-marcação-porque-começou-como-zagueiro (Maradona que o diga). Ofensivamente, é melhor quando entra na área adversária para cabecear do que caindo pela ponta. Atenção: a última temporada dele foi abaixo da média, com falhas constantes e insegurança preocupante.

17 – Álvaro Arbeloa

Clube: Real Madrid
Temporada 2009/10: 38 J / 2 G
Eliminatórias: 1 J / 0 G
Pela seleção: 14 J / 0 G

Sabe quando coloquei que a concorrência de Capdevila não era essa maravilha toda? Então, o motivo é Arbeloa. Lateral mediano, não se destaca na marcação e não chama a atenção no ataque. Ainda assim, não seria surpreendente se assumisse um lugar entre os 11 titulares. No Real Madrid, foi ofuscado por Marcelo até o brasileiro ser deslocado para o meio-campo.

MEIO-CAMPISTAS

6 – Andrés Iniesta

Clube: Barcelona
Temporada 2009/10: 42 J / 1 G
Eliminatórias: 6 J / 1 G
Pela seleção: 41 J / 6 G

Jogador importantíssimo no elenco espanhol. Em teoria, compõe com Xavi a melhor dupla de volantes do mundo, trocando passes e armando o jogo no Barcelona e na Espanha. Iniesta está um pouco abaixo do companheiro na capacidade de manter a posse de bola, mas é mais versátil: avança com mais naturalidade, pode fazer as vezes de meia externo e até de ponta-esquerda. Por isso, os torcedores espanhóis ficam apreensivos ao ver que o final de temporada foi difícil, com contusão e demora para voltar à forma.

8 – Xavi Hernández

Clube: Barcelona
Temporada 2009/10: 53 J / 7 G
Eliminatórias: 9 J / 0 G
Pela seleção: 85 J / 8 G

Não sabe como parar a Espanha? Pergunte a José Mourinho como fazer. Na Liga dos Campeões, ele concentrou a marcação da Internazionale em Xavi, o que asfixiou o setor criativo do Barcelona e deixou Messi isolado. Uma atenção mais que justificada: o meia marca bem, toca a bola com facilidade constrangedora e dita o ritmo de seu clube e de sua seleção. Melhor jogador da Euro 2008, seu desempenho é fundamental para o sucesso da Espanha.

10 – Cesc Fàbregas

Clube: Arsenal-ING
Temporada 2009/10: 36 J / 19 G
Eliminatórias: 7 J / 2 G
Pela seleção: 48 J / 5 G

Se a situação física instável de Iniesta preocupa, é tranquilizador para os espanhóis saber que, no banco, está Fàbregas. Talvez Cesc não tenha a mesma capacidade de Xavi de trocar passes curtos e rápidos, mas é mais incisivo na condução da bola, sobretudo em contra-ataques. Reserva de luxo que cairia bem em qualquer outra seleção.

13 – Juan Mata

Clube: Valencia
Temporada 2009/10: 44 J / 14 G
Eliminatórias: 4 J / 3 G
Pela seleção: 7 J / 3 G

Em algumas listas, aparece como atacante. Mas a verdade é que Mata é meia ofensivo no Valencia. Não é um jogador espetacular, mas tem bom entrosamento com Silva (o que pode ter pesado em seu favor na disputa com Cazorla) e chega bem ao ataque.

14 – Xabi Alonso

Clube: Real Madrid
Temporada 2009/10: 40 J / 3 G
Eliminatórias: 8 J / 1 G
Pela seleção: 67 J / 8 G

Como Marcos Senna em 2008, Xabi Alonso exerce uma função fundamental para o equilíbrio da seleção espanhola. Com uma linha de meio-campistas que trabalha muito na armação, ele fica como único volante de verdade da equipe. Assim, tem menos liberdade para avançar devido à responsabilidade de concentrar a proteção à defesa. Seus lançamentos devem ser considerados.

16 – Sergi Busquets

Clube: Barcelona
Temporada 2009/10: 52 J / 1 G
Eliminatórias: 3 J / 0 G
Pela seleção: 12 J / 0 G

Volante que cresceu rapidamente no cenário espanhol. Há duas temporadas estava apenas estreando como titular do Barcelona, ainda como aposta. Desde então, já se consolidou no clube e ganhou uma vaga na seleção. Bom na marcação, ainda peca pela inexperiência, que o faz perder a cabeça ou exagerar na força em algumas entradas.

20 – Javi Martínez

Clube: Athletic Bilbao
Temporada 2009/10: 42 J / 7 G
Eliminatórias: 0 J
Pela seleção: 1 J / 0 G

Considerando que disputava posição com Marcos Senna, pode ser visto como uma surpresa na lista final de Del Bosque. Javi Martinez é o principal nome da nova geração basca. Segue a tradição local de futebol de força e raça, mas sabe o que fazer com a bola nos pés.

21 – David Silva

Clube: Valencia
Temporada 2009/10: 36 J / 10 G
Eliminatórias: 5 J / 3 G
Pela seleção: 33 J / 6 G

O Valencia é muito menos midiático que Barcelona e Arsenal. Por isso, David Silva não desperta tanta atenção do público brasileiro como Xavi, Iniesta e Fàbregas. Mas trata-se de um excelente meia. Fundamental para o equilíbrio do Valencia, fez uma ótima Eurocopa, sobretudo pela capacidade de abrir o jogo pela esquerda.

22 – Jesús Navas

Clube: Sevilla
Temporada 2009/10: 48 J / 12 G
Eliminatórias: 0 J / 0 G
Pela seleção: 4 J / 0 G

Uma versão destra de David Silva, ainda que o valencianista seja tecnicamente superior. Navas gosta de cair pela ponta para criar jogadas e pode ser uma arma em jogos que se apresentem complicados. Parece estar superando as crises de ansiedade que sofria quando ficava longe de sua terra (região de Sevilla) e vinha sabotando sua carreira na Furia.

ATACANTES

7 – David Villa

Clube: Valencia*
Temporada 2009/10: 42 J / 28 G
Eliminatórias: 7 J / 7 G
Pela seleção: 56 J / 37 G

Candidato de peso na luta pela artilharia da Eurocopa. Villa chuta bem de longa distância, é oportunista dentro da área e sabe lutar pela bola enquanto for possível. Além disso, se encaixa bem no estilo de jogo da Espanha, com toques rápidos e velocidade. Fez uma temporada 2009/10 muito boa, que só não chamou mais a atenção porque o Valencia como um todo foi discreto. Como já acertou com o Barcelona para os próximos anos, não corre o risco de entrar no Mundial desconcentrado pelas especulações de mercado.

9 – Fernando Torres

Clube: Liverpool-ING
Temporada 2009/10: 32 J / 22 G
Eliminatórias: 7 J / 0 G
Pela seleção: 72 J / 23 G

Ninguém duvida do talento de El Nião, mas a verdade é que o atacante do Liverpool não é o espanhol que desperta mais temor aos adversários. Villa é mais incisivo na área e tem características mais parecidas com a dos meias. Torres trabalha melhor saindo da área e, eventualmente, em contra-ataques. Outro problema é a condição física, em dúvida depois de uma temporada repleta de lesões.

18 – Pedro Rodríguez

Clube: Barcelona
Temporada 2009/10: 52 J / 23 G
Eliminatórias: 0 J
Pela seleção: 1 J / 0 G

Merece ser olhado com atenção. É verdade que entrou em um Barcelona para lá de arrumado, em que não era preciso tanto para se encaixar, mas o santacrucero (de Santa Cruz de Tenerife) o fez com louvor. Não apenas jogou bem, como mostrou versatilidade tática (jogou de atacante, de meia e de ala) e foi decisivo em diversas competições. Na medida em que foi fazendo gols importantes, ganhou mais confiança para se impor na disputa com Henry no Barcelona.

19 – Fernando Llorente

Clube: Athletic Bilbao
Temporada 2009/10: 50 J / 23 G
Eliminatórias: 1 J / 0 G
Pela seleção: 6 J / 3 G

Atacante pesado, que sabe usar seu corpo na briga com os zagueiros oponentes por espaço na área. Sua convocação dá opção ao ataque espanhol, que conta basicamente com jogadores leves e técnicos. Ter um homem mais fixo pode ser importante em jogos complicados, em que é preciso fazer um abafa para um gol no segundo tempo.

TÉCNICO

Vicente del Bosque

Pela seleção: 24 J / 23 V / 0 E / 1 D

Técnico discreto, tem como virtude saber dar continuidade a trabalhos anteriores e juntar jogadores de muito talento sem que haja atritos. Foi assim que assumiu o Real Madrid em 1999, levando os galáticos a seu período mais vencedor. Tem adotado a mesma política na Espanha. Manteve o sistema de jogo campeão da Eurocopa com Luís Aragonés, mas promoveu discretas mudanças, como a entrada de Xabi Alonso e o aparente abandono do 4-1-4-1.

* David Villa já foi vendido ao Barcelona, mas foi convocado como jogador do Valencia.

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Equipe Trivela

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