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Obra de Messi ainda está inacabada

Messi tem só 24 anos e já é o maior artilheiro da história do Barcelona. Messi tem só 24 anos e já foi eleito três anos seguidos o melhor jogador do mundo. Messi tem só 24 anos e já é tricampeão da Liga dos Campeões e bicampeão mundial. Messi isso, aquilo. E com apenas 24 anos. Aí, virou moda compará-lo com os maiores jogadores da história, inclusive se estaria no mesmo patamar de Maradona ou até de Pelé.

Bobagem. Não que seja errado comparar jogadores de épocas diferentes. É válido, todo mundo faz isso em tudo quanto é esporte. A questão aí é comparar dois jogadores aposentados com um que ainda nem chegou à metade de sua carreira. Não dá para comparar a obra finalizada de Maradona e Pelé com a inacabada de Messi. Não temos perspectiva histórica completa de Leo como já temos de El Diez e do Rei.

“Ah, mas pelo que ele já fez até agora…” Será mesmo que dá para falar com base no que “ele já fez até agora”? A perspectiva histórica pode mudar, mesmo com o que já aconteceu. Ronaldinho é o maior exemplo disso. Em maio de 2006, muitos já colocavam o gaúcho como o terceiro maior da história “pelo que ele já fez”. Seis anos se passaram e ele não construiu mais nada. Sua obra terminou ali, e a perspectiva histórica sobre seu futebol mudou completamente. Hoje, é difícil encontrar alguém que o coloque entre os 15 maiores de todos os tempos.

Messi ainda tem uns dez anos de carreira, e o que ocorrer nesse período pode mudar a visão que temos sobre ele e mesmo sobre o que ele já fez. Ele pode murchar como Ronaldinho, acumular fracassos pela seleção argentina e deixar de ser o jogador sobrenatural quando a atual era encantada do Barcelona terminar. Ou então, ele pode levar a Argentina a dois títulos mundiais, repetir o sucesso do Barça em outro clube e, já veterano, levar seu Newell’s Old Boys ao título da Libertadores. Ou ele pode ter algum problema grave que interrompa sua carreira rapidamente.

Para cada um desses destinos, a visão da obra de Messi seria uma. Na primeira, ele seria visto como um craque que se perdeu pelo caminho. Na segunda, pode construir algo que nem o maior dos saudosistas perderia tempo discutindo se Pelé era tão bom quanto ele. E, no terceiro, sempre haveria um “e se ele tivesse continuado?” ao se falar de sua carreira, abrindo a cada torcedor a possibilidade de criar mentalmente a realidade alternativa que bem quisesse.

Há muita gente com desejo incontrolável de transformar logo o presente em eternidade, em colocar tudo como “feito histórico”. Mas só o tempo mostra o que é histórico ou não. O futuro tem impacto para analisar o passado recente. Messi já é maior que Pelé? Daqui uma década teremos a resposta, não precisa ter pressa. Por enquanto, dá para dizer que ele é um fenômeno, que, hoje, é maior que os demais jogadores em atividade e que já tem um lugar na história, não importa qual. Tá bom, né?

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