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O time que se recusa a perder (ainda mais para o Real Madrid) teve em Oblak o seu salvador

Raça, organização, algumas pancadas e muito coração de um lado, a excelência técnica do outro. O dérbi de Madri das quartas de final da Champions League seguiu fielmente ao roteiro dos últimos episódios, como se a trama fizesse questão de se repetir. Mesmo no Vicente Calderón, o Real buscou a vitória com intensidade enquanto as pernas permitiram. O Atlético, como sempre, recusou-se a ser derrotado com a mesma volúpia e acabou conseguindo. Simeone pode comemorar o 0 a 0.

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Primeiro, porque foi o Atlético quem alcançou o objetivo ao qual se propôs. Gostaria de ter vencido, claro, mas mais uma vez soube segurar o maior rival. Não perdeu, nem tomou gol em casa. Só fica fora das semifinais se for derrotado no Bernabéu ou se cair nos pênaltis. Dentro da filosofia de jogo de Simeone, deu quase tudo certo. Faltou apenas marcar no contra-ataque ou em bola parada. Segundo, porque poderia ter terminado o primeiro tempo muito atrás no placar.

O Real Madrid teve pelo menos quatro excelentes oportunidades de gol e não conseguiu marcar nenhuma delas. Porque no gol estava Oblak, goleiro de 22 anos contratado do Benfica para ser o sucessor de Courtois. Não está sendo titular na sua primeira temporada na Espanha. Esta foi apenas a sua 13ª partida pelo Atlético de Madrid e geralmente sua função é ficar à espreita de Moyá. Mas na ausência do companheiro experiente, assumiu a responsabilidade como gente grande, e não foi nada fácil.

O primeiro adversário a vencer foi Bale. Godín falhou na intermediária, o galês recuperou e saiu cara a cara com Oblak, que fez a defesa no chute pouco caprichado do adversário. De fora da área, o meia canhoto tentou novamente e foi pela segunda vez frustrado. Foi James Rodríguez quem deu sequência ao bombardeio, da meia-lua, com um preciso chute de trivela (agradecemos a homenagem), e o esloveno esticou-se para espalmar. Após arrancada de Varane, James voltou à carga, com uma arremate cruzado, cortado por Oblak.

Isso foi o primeiro tempo. O segundo foi completamente diferente. O Real Madrid não teria pulmão ou fôlego para continuar naquela intensidade para sempre. Cansa mais atacar do que defender daquele jeito. Permitiu ao Atlético de Madrid equilibrar a partida, mas também não é um time que precisa apenas disso para marcar. Precisa de um atacante em forma, como estava Diego Costa na temporada passada, e Manduzkic não poderia estar mais longe disso, embora quase tenha aberto o placar nos minutos finais, quando o time de Simeone abafou o adversário com bolas cruzadas, escanteios e levantamentos. Não chegou, de fato a criar muita coisa.

O Real Madrid foi muito mais eficiente nessa missão, com os estupendos Modric, James e Kroos, o trio de meio-campo. Mas do outro lado havia um goleiro em noite iluminada e um time que se recusa a perder. Recusa-se ainda mais quando o adversário é o Real e mais um pouco desde a final da Champions League. Esse foi o sétimo dérbi pós-Lisboa, em maio do ano passado, e o Atlético de Madrid não perdeu nenhum deles, com quatro vitórias e três empates. Se mantiver esse retrospecto no Bernabéu, vinga-se do rival, em certa medida, e avança às semifinais. A não ser que a vaga seja disputada nos pênaltis, mas nesse caso pode novamente recorrer a Oblak.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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