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O Sevilla se impôs na Andaluzia e terá a grande chance de despachar o Barcelona na Copa do Rei

O Sevilla enfrentou constantes mudanças no comando técnico desde a saída de Unai Emery, mas se mantém com uma equipe competitiva. Faz boa campanha em La Liga, almeja mais um título na Liga Europa e, agora, se promete como carrasco do Barcelona na Copa do Rei. Se os blaugranas outra vez entraram com um time recheado de reservas no compromisso fora de casa, assim como havia acontecido contra o Levante, desta vez a missão da virada será muito mais árdua. Afinal, os andaluzes se impuseram dentro do Ramón Sánchez-Pizjuán e fizeram por merecer a vitória por 2 a 0, que oferece ótima vantagem ao jogo de volta pelas quartas de final. Pior à desencontrada formação dos catalães, outra vez distante de seu melhor futebol sem os seus protagonistas.

A principal novidade no time do Barcelona era Kevin-Prince Boateng. O ganês comandava o ataque, ao lado de Malcom e Carles Aleñá. Outra surpresa foi a utilização de Nelson Semedo como lateral esquerdo, para conter as investidas de Jesús Navas por ali. Já do meio para trás, alguns titulares da equipe de Ernesto Valverde, a exemplo de Ivan Rakitic, Gerard Piqué e Arthur. O Sevilla, por sua vez, vinha com a sua base principal e poucas alterações. Mesmo sem tanto ímpeto, tinham um time bem mais preparado.

O primeiro tempo começou morno. O Barcelona jogava de maneira segura. Trabalhava a bola no meio com Arthur e Rakitic, enquanto contava com a firmeza de sua defesa para evitar os perigos. Já Boateng era acionado para o pivô, sem conseguir finalizar. O Sevilla também não se expunha, após três derrotas consecutivas nas últimas semanas, e insistia infrutiferamente nos cruzamentos. Somente às portas do intervalo é que as chances começaram a aparecer. Wissam Ben Yedder comandava seu ataque, mas pecou pela falta de precisão. Aos 35 minutos, o francês fez uma jogadaça. Deixou Piqué e Arthur na saudade, mas finalizou para fora. Malcom pôde responder pouco depois. Após receber de Arthur, driblou o goleiro e lamentou por acertar o lado de fora da rede, com pouco ângulo. Já aos 43, foi a vez de Jasper Cillessen salvar o Barça. Ben Yedder testou o goleiro, que fechou o ângulo e aliviou a sua equipe.

Já no início do segundo tempo, o Sevilla começou com tudo. Ia empilhando oportunidades e abriu o placar logo cedo. Pablo Sarabia preparou uma jogada para Ibrahim Amadou que o companheiro desperdiçou. Assim, aos 13, o espanhol tratou de estufar as redes. Quincy Promes arrancou pela esquerda e, na lateral da área, cruzou para Sarabia completar no segundo pau. E o outro tento quase saiu no minuto seguinte, em mais um lance de Promes, desta vez para Éver Banega cabecear para fora.

Estéril, o Barcelona logo se mexeu com as entradas de Luis Suárez e Philippe Coutinho. Os dois deram um susto de cara, em lance no qual o brasileiro bateu por cima do travessão. De qualquer maneira, as ações do Sevilla pela lateral funcionavam, até que Ben Yedder finalmente fizesse por merecer o seu gol. Em jogada nascido em uma bola perdida por Coutinho, Banega bateu cruzado da esquerda e encontrou o francês sozinho na segunda trave, completando de carrinho. Na comemoração, o artilheiro homenageou Emiliano Sala, seu adversário nos tempos de futebol francês. Ao Barça, restava tentar diminuir o prejuízo, mas os andaluzes se seguravam bem. Na melhor chance, Suárez mandou para fora. A tarefa no Camp Nou será complicada.

Para superar o Levante, o Barcelona se valeu da solução costumeira de seus problemas: Lionel Messi. O camisa 10 teve grande atuação, assim como Ousmane Dembélé, e arrancou o placar necessário para a classificação. Desta vez, o buraco é mais embaixo. O Sevilla possui um time ajeitado e com melhores peças individuais. Além disso, o fato de não ter sofrido o famigerado gol em casa ajuda bastante. A deixa para completar o feito está nas mãos dos rojiblancos. Terão uma semana para se preparar ao reencontro.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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