
O Atlético de Madrid precisava reagir no Campeonato Espanhol. Diante da vitória da Real Sociedad na sexta-feira, os colchoneros passaram o final de semana fora da zona de classificação à Liga dos Campeões. Neste domingo, tinham um compromisso difícil, recebendo o Celta no Estádio Vicente Calderón. E quem esteve nas arquibancadas presenciou uma das melhores partidas da temporada na Espanha. O time de Diego Simeone passou por maus bocados. Perdeu várias chances, não foi tão eficiente e esteve por duas vezes em desvantagem no placar. No entanto, buscou a virada por 3 a 2 da maneira mais cardíaca possível, com dois gols depois dos 41 do segundo tempo. Injeção de fúria nos rojiblancos, importante em um período tão instável.
O choque de realidade ao Atleti aconteceu bastante cedo. Aos cinco minutos, Gustavo Cabral aproveitou a saída errada de Moyá após cobrança de escanteio para colocar os galegos em vantagem. A resposta dos colchoneros, ao menos, não demorou a acontecer. E de um jeito sensacional. Fernando Torres dominou com estilo, antes de virar uma belíssima puxeta, encobrindo o goleiro Sergio Álvarez. Certamente, um dos gols mais bonitos da carreira do centroavante, que ajudou a incendiar a partida.
As duas equipes buscavam o ataque. O Celta quase retomou a dianteira, com Jozabed acertando a trave. Já aos 30, a virada caiu no colo do Atlético. Porém, aquele que tinha sido herói, virou vilão, dentro da sina dos colchoneros na marca da cal. Pênalti para os anfitriões, em lance discutível. Na cobrança, El Niño encheu o pé e carimbou o travessão de Sergio Álvarez. O sofrimento dos madrilenos se ampliaria mais um pouco, com dificuldades para se impor diante dos visitantes.
No segundo tempo, o Atlético de Madrid passou a ter um pouco mais de iniciativa. Faltava criatividade para transformar o abafa em chances concretas. E, contra um adversário veloz como o Celta, os erros podem ser fatais. John Guidetti deu o aviso ao perder uma oportunidade claríssima aos 33. Um minuto depois, não desperdiçou, concluindo a jogada que começou em ótima enfiada de Iago Aspas e teve continuidade com uma assistência tão boa quanto de Daniel Wass. Sobravam poucos minutos para uma reviravolta mais do que necessária aos rojiblancos.
Então, o milagre aconteceu. Mas não caiu do céu. Diego Simeone já havia renovado as energias em seu ataque, com as entradas de Kevin Gameiro e Ángel Correa. Todo pressão, o Atleti martelava. E empatou aos 41, em lance de felicidade imensa de Yannick Ferreira-Carrasco, após errar muito nos minutos anteriores. A bola sobrou na entrada da área e o belga emendou o foguete, sem dar tempo de reação para Sergio Álvarez. De excelente fase no primeiro semestre, o camisa 10 não balançava as redes desde novembro. Pouco depois, Gameiro daria sua contribuição, ajeitando de cabeça o cruzamento de Correa. Apagado durante todo o tempo, Antoine Griezmann apareceu justamente para decidir. Sua primeira finalização aconteceu depois de 88 minutos, para o fundo do gol. À beira do campo, Simeone se inflamou. O Celta ainda tentou empatar, ameaçando em bolas alçadas. Mas o quarto dos anfitriões só não saiu porque Gameiro esbarrou no travessão.
Em um início de ano titubeante, foi a vitória mais importante do Atlético de Madrid em 2017. Também a mais empolgante. A situação na quarta colocação não é simples, com o Sevilla quatro pontos à frente, além da Real Sociedad no encalço, um ponto atrás. Mas a motivação de uma noite de êxtase como a deste domingo vale demais. Agora, os colchoneros ganham uma semana para trabalhar. Pegam o Sporting de Gijón na próxima rodada, em encontro para somar mais três pontos. Depois, se preparam para o Bayer Leverkusen na Liga dos Campeões. O sangue voltou a ferver num momento bastante pertinente.



