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O Real Madrid está tomando susto na defesa e não tem nada de errado com isso

Mais um jogo do Real Madrid, e mais um jogo em que a torcida se irritou. O Villarreal pressionou, criou oportunidades, deu a sensação de que poderia aprontar para cima dos campeões da Europa. O torcedor corneta, reclama da defesa, xinga Casillas, mas os merengues saíram de campo com a vitória de 2 a 0. E vai ser por aí: tomar sustos faz parte do momento que os madridistas estão, e não há nada de errado com isso.

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O bom senso estabeleceu que um time de futebol começa a ser montado pela defesa. Geralmente é assim mesmo, porque estancar a sangria atrás é o primeiro passo para evitar as derrotas. Mas o Real Madrid, sobretudo o desta temporada, é um caso diferente.

A coleção de talentos na frente é tão grande que dá para imaginar que, em algum momento, é o ataque que ancorará a campanha da equipe. O problema é que, com as negociações recentes, esse sistema ofensivo se desestruturou um pouco. Di María, uma figura fundamental para a transição defesa-ataque, saiu. James Rodríguez chegou. E com essa troca se foi a sintonia fina que permitia a talentos como Cristiano Ronaldo, Benzema e Bale decidirem os jogos.

Ancelotti sabe disso, e precisa recriar essa sintonia, agora com o colombiano artilheiro da Copa 2014. Para isso, precisa montar uma equipe a partir do ataque. E, de certa forma, é o que ele vem fazendo.

Neste sábado, o time jogou no contra-ataque. Deu campo ao Villarreal e foi tomando susto atrás. Mas sabendo que, assim que pintasse a oportunidade, o ataque resolveria. Foram 15 finalizações do time da casa no primeiro tempo, mas os craques de branco resolveram quando conseguiram encaixar as jogadas. Modric e Cristiano Ronaldo foram às redes ainda no primeiro tempo. Depois, foi só administrar o 2 a 0.

No final das contas, a partida contra o Submarino Amarelo se desenvolveu de forma mais tranquila, mas festivais de gols como os 8 a 2 contra o Deportivo e eventuais derrotas, como as sofridas contra Atlético de Madrid e Real Sociedad, podem acontecer. Faz parte do processo de montagem dessa equipe, como o extravagante 7 a 3 contra o Sevilla e o 0 a 1 contra o Atlético na temporada passada.

Então, dá para deixar a corneta no baú por mais um tempo.

Foto de Ubiratan Leal

Ubiratan Leal

Ubiratan Leal formou-se em jornalismo na PUC-SP. Está na Trivela desde 2005, passando por reportagem e edição em site e revista, pelas colunas de América Latina, Espanha, Brasil e Inglaterra. Atualmente, comenta futebol e beisebol na ESPN e é comandante-em-chefe do site Balipodo.com.br. Cria teorias complexas para tudo (até como ajeitar a feijoada no prato) é mais que lazer, é quase obsessão. Azar dos outros, que precisam aguentar e, agora, dos leitores da Trivela, que terão de lê-las.

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