Copa do ReiEspanha

O Rayo era valente e contava com sua dose de sorte, mas o Barça virou no fim e avançou na Copa do Rei

O Rayo Vallecano teve encontros costumeiros com o Barcelona na última década, mas vive uma realidade distinta atualmente. O objetivo dos franjirrojos é o acesso de volta à primeira divisão e, nesta condição, a equipe da segundona era franco atiradora contra os blaugranas nas oitavas de final da Copa do Rei. Pois o time treinado por Andoni Iraola pôde sonhar com uma zebra em Vallecas. Marcava forte desde o campo de ataque, era salvo pelas seguidas bolas dos visitantes nas traves e ainda saboreou o primeiro gol da noite. Porém, com Messi, o Barça não cairia assim tão fácil. Os catalães viraram por 2 a 1 e avançaram às quartas de final. Outra vez contaram com ótima partida de Frenkie de Jong, que cresce nas mãos de Ronald Koeman.

Lionel Messi estava disponível após cumprir suspensão e entrou em campo, liderando o mistão do Barcelona. O camisa 10, de quebra, se tornou isoladamente o jogador do clube com mais aparições pela Copa do Rei – chegando a 76 jogos, um a mais que o mítico Josep Samitier. Entretanto, o primeiro tempo não guardaria uma partida tão tranquila aos blaugranas, entre o “quase” das bolas na trave e a postura do Rayo.

O Barcelona iniciou o embate com ampla posse de bola, mas pouco fazia diante da ótima marcação do Rayo Vallecano. A equipe de Andoni Iraola marcava firme, sem se retrancar, avançando em campo para pressionar. No entanto, o gol catalão quase saiu aos 18. Junior Firpo cruzou e Frenkie de Jong desviou de carrinho, mas parou no travessão. Além disso, o goleiro Stole Dimitrievski também precisava evitar um sufoco maior. E não seriam esses riscos que mudariam a mentalidade dos madrilenos, ainda subindo a marcação para forçar os erros. A estratégia dava resultados.

Por volta dos 30 minutos, o Rayo Vallecano exploraria os lados e teria uma sequência de chegadas mais perigosas no ataque, mas nada que ameaçasse tanto a meta defendida por Neto. Apesar da presença de Messi, estava difícil de acionar o craque. A nova bola na trave do Barcelona aconteceu aos 34, num avanço de Trincão, que começava a chamar mais a responsabilidade. O goleiro Stole Dimitrievski fez a defesa e, na sobra, a batida desviada de Riqui Puig carimbou o poste. O Barça aproveitou o momento no fim do primeiro tempo para deixar seu domínio mais claro novamente, com Dimitrievski realizando outra boa defesa diante de Antoine Griezmann.

O segundo tempo começou com mais uma bola na trave. E mais uma vez o Barcelona lamentava o erro. Messi cobrou uma falta direto para o gol, mesmo em posição difícil, e beijou o travessão. Os blaugranas seguiram com a posse, mas a coragem do Rayo Vallecano daria frutos num momento desencontrado dos visitantes. Os franjirrojos abriram o placar aos 18 minutos. Álvaro García tinha acabado de sair do banco e disparou pela direita. Bateu fechado e Neto não conseguiu espalmar. Dentro da pequena área, Fran García só empurrou. Apesar da dose de sorte ao longo da noite, o Rayo também tinha méritos. E parecia pronto a provocar um terremoto na Copa do Rei.

Entretanto, a vantagem do Rayo Vallecano não durou mais do que seis minutos. Ronald Koeman realizou três alterações de uma só vez – com as entradas de Jordi Alba, Pedri e Ousmane Dembélé. E o Barcelona já tinha Messi, além de contar bastante com De Jong. O meio-campista deu um ótimo passe em profundidade a Griezmann, que saiu nas costas da marcação e só rolou para o camisa 10 concluir. O empate não esfriou totalmente o Rayo, mas os anfitriões tinham mais trabalho contra um Barça que ganhou confiança.

O gol da virada inverteria papéis, aos 35. Messi lançou Jordi Alba e o lateral tocou para De Jong arrematar às redes. Durante os minutos finais, o Rayo Vallecano ainda tentou um milagre, mas sem tanta contundência no abafa. E o terceiro blaugrana não veio por um raro preciosismo de Messi. Acionado por Pedri, o craque fez fila dentro da área, mas demorou para finalizar e a bola bateu no lado externo da trave. Nada que fizesse falta, diante da pressão insuficiente dos franjirrojos nos suspiros finais.

O sorteio das quartas de final da Copa do Rei acontece na próxima sexta-feira. Diante das eliminações de Atlético de Madrid e Real Madrid, o Barcelona é favorito à taça, mas deve tomar cuidado principalmente com Sevilla e Athletic Bilbao – caso os bascos confirmem sua ascensão contra o surpreendente Alcoyano nesta quinta. Neste momento, é a chance de título mais concreta aos blaugranas. E quase o Rayo Vallecano atrapalhou esses planos, numa edição do torneio distante de confirmar favoritismos.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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