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O raio x dos 86 gols de Messi

De pé esquerdo, de primeira, dentro da grande área, com passe de Iniesta, no canto inferior. O 86º gol de Lionel Messi em 2012 não poderia ser mais representativo. A jogada resumiu o caminho mais curto entre o artilheiro e as redes durante a quebra do recorde. O camisa 10 foi letal não apenas por conta da qualidade técnica extraordinária, mas também pela capacidade em simplificar os lances e se posicionar da maneira ideal para as conclusões.

 

Os recursos técnicos por trás da magia

A canhota foi a arma preferida para fazer as vítimas, criando 77 tentos. E a maioria absoluta deles veio com categoria. Foram 65 bolas na rede batendo de “chapa”, com a parte interna do pé, e 67,4% em chutes colocados ou rasteiros. A perna direita serviu como recurso complementar, gerando nove gols, enquanto o oportunismo proporcionou três gols de cabeça ao “gigante” de 1,69 m de altura.

Não houve habitat mais natural a Messi do que a grande área. O goleador finalizou para as redes 71 vezes de dentro do retângulo, 16 delas da pequena área. De qualquer maneira, os gols de média e longa distância não foram tão raros assim, saindo em 15 oportunidades. E, aos goleiros, restou se ralar na grama: 76,7% dos chutes que resultaram em gol vieram rasantes.

Finalização
Pé esquerdo – 77
Pé direito – 6
Cabeça – 3

Tipo de chute
Chapa – 65
Peito do pé – 14
Bico – 4

Forma de chute
Colocado – 34
Rasteiro – 24
Cobertura – 9
Pancada – 7
Sem goleiro – 7

Posição no campo
Grande área – 55
Pequena área – 16
Fora da área – 15

Canto do gol
Direito inferior – 28
Centro inferior – 9
Esquerdo inferior – 19
Direito superior – 11
Centro superior – 6
Esquerdo superior – 13

Os diferentes caminhos para o recorde

Obviamente, o jogo coletivo do Barcelona e a qualidade de seus companheiros ajudou Messi a atingir números tão expressivos: 53 gols saíram a partir de assistências precisas de seus colegas, 24 deles nas consagradas trocas de passes blaugranas. A precisão nas bolas paradas resultou em 20 tentos, sete deles em cobranças de falta. Já as famosas arrancadas do argentino acabaram nas redes sete vezes.

Diante dessas situações de gol, não surpreende que Messi tenha decidido com um ou dois toques na bola 75,5% das vezes. Ao todo, o atacante precisou encostar na redonda 185 vezes para chegar aos 86 gols – em média, 2,15 toques por tento. Contudo, um dos mais belos saiu graças ao individualismo: com dez toques, o camisa 10 anotou o terceiro dele e definiu a vitória por 4 a 3 sobre o Brasil em junho, em tento indicado ao Prêmio Puskas.

Situação de gol
Troca de passes – 24
Pênalti – 13
Enfiada de bola – 11
Cruzamento – 10
Lançamento – 8
Arrancada – 7
Cobrança de falta direta – 7
Rebote / Sobra de bola – 6

Toques na bola
Um – 51 gols
Dois – 14 gols
Três ou quatro – seis gols
Cinco – três gols
Seis ou dez – dois gols
Oito ou nove – um gol

Os coadjuvantes do feito

Concorrente de Lionel Messi à Bola de Ouro da Fifa, Andrés Iniesta também pode se colocar como o principal ajudante do camisa 10 na indicação. O espanhol foi o maior “garçom” do artilheiro no Barcelona, com nove assistências – superando Pedro justamente no jogo do recorde. Na seleção argentina, o maior passador foi Gonzalo Higuaín, com três assistências.

Entre as vítimas de Messi, ninguém sofreu mais que Bernd Leno. O goleiro do Bayer Leverkusen buscou seis bolas nas redes contra o camisa 10. Já Iker Casillas e Diego Alves são os que mais oscilaram. Os arqueiros de Real Madrid e Valencia aparecem entre os mais vazados, mas são os únicos que passaram três partidas invictas contra o atacante. E os principais vilões são Petr Cech e Artur Moraes: não tomaram gols nas duas partidas contra o argentino e ainda proporcionaram maus momentos na Liga dos Campeões – a eliminação e a lesão.

Líderes em assistência
Andrés Iniesta – 9
Pedro – 8
Cesc Fàbregas, Alexis Sánchez – 6
Daniel Alves, Xavi – 4
Cristian Tello, Gonzalo Higuaín – 3
Sergio Agüero, Ángel Di María, Fernando Gago, Adriano, Sergio Busquets, Martín Montoya, Jordi Alba – 2
Seydou Keita, Isaac Cuenca, Eric Abidal, Thiago Alcântara – 1

Goleiros mais vazados
Bernd Leno – 6 gols
Iker Casillas, Diego Alves, Cristian Álvarez, Gustavo Munúa, Gorka Iraizoz, Roberto Jiménez, Andriy Dikan – 4 gols
Willy Caballero, Claudio Bravo, Júlio César, Dudu Aouate, Miguel Moyà, Carlos Kameni, Diego Benaglio, Rafael, Daniel Aranzubia – 3 gols
Outros nove goleiros – 2 gols
Outros sete goleiros – 1 gol

Goleiros invictos
Iker Casillas, Diego Alves – 3 partidas
Petr Cech, Artur Moraes – 2 partidas
Outros 12 goleiros – 1 partida

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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