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O que move o Atlético nesta Champions é a dor das finais perdidas, diz Simeone

Diego Simeone realiza um trabalho fantástico à frente do Atlético de Madrid. Conseguiu chegar duas vezes à final da Champions League, desafiando equipes com orçamentos muito maiores que o seu. No entanto, em vez de títulos europeus, colecionou decepções catastróficas. Foram duas derrotas na decisão para o grande rival Real Madrid, com requintes de crueldade: gol de Sergio Ramos nos minutos finais da primeira, pênaltis, na segunda.

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Ele admite que, depois da segunda derrota, em Milão, questionou se tinha a força necessária para continuar liderando o Atlético de Madrid, mas, em vez de desistir, transformou a decepção e angústia em força para fazer a única coisa que lhe resta: tentar outra vez. Os colchoneros estão nas quartas de final da competição europeia pela quarta temporada seguida.

“Qualquer outro time teria baixado a cabeça depois de perder duas finais de Champions League, mas aqui estamos tentando lutando por isso novamente”, afirmou Simeone, em entrevista à rádio Onda Cero. “Para mim, a final de Milão foi um fracasso”. O Atlético de Madrid dominou o jogo contra o Real Madrid, no San Siro, mas não conseguiu vencer no tempo regulamentar ou na prorrogação e perdeu na disputa de pênaltis. “O que move o Atlético nesta temporada da Champions League é a dor. É o que nos dá força para continuar tentando. Eu sinto essa dor toda vez que ouço o hino da Champions”.

A segunda profunda decepção em três anos tornou a temporada atual mais difícil para o Atlético de Madrid. As coisas complicaram com a profusão de jogadores machucados, e o time escorregou. No final do ano passado, chegou a ter uma sequência de apenas duas vitórias em sete rodadas de La Liga. Mas, desde então, foi derrotado apenas pelo Barcelona e, com a categórica vitória sobre o Sevilla, no último domingo, já está a dois pontos da terceira posição.

“Temos melhorado desde o começo de 2017. Estamos mais equilibrados nas partidas e defendendo melhor”, explicou. “Esta tem sido uma das temporadas mais difíceis desde que eu cheguei ao clube, com as lesões de Oblak e Fernández, com Tiago não conseguindo se recuperar, e com momentos em que o time não conseguiu responder com consistência. Diante disso, nós tivemos que nos reinventar. Melhoramos, mas restam dez finais pela frente”.

Simeone sempre tem que responder duas perguntas: treinaria o Real Madrid? E a seleção argentina? As respostas são sempre as mesmas. “Eu nunca treinaria o Real Madrid. É lógico por causa dos meus sentimentos. Eles não me chamariam para isso também. Sou jovem, talvez um dia eu treine algum outro clube espanhol”, afirmou. “Em algum ponto da minha carreira, gostaria de treinar a Argentina, mas preciso melhorar como treinador. Gostaria de fazer isso na reta final da minha carreira, se eles ainda me quiserem”.

Com o contrato de Torres chegando ao fim, Simeone não deu pistas sobre o futuro do atacante, mas afirmou que “ele está no Atlético porque eu quis que ele viesse” e que “Fernando é um símbolo e um ídolo do clube e sempre será”. Também destacou o quanto Griezmann é inteligente. “Preciso falar pouco com ele. Ele tem muita rapidez para entender o que a equipe precisa”, afirmou o treinador de 46 anos, que não consegue se desligar do futebol.

“Quando vou ao cinema, eu acabo sentando ali e pensando sobre como podemos atacar melhor, quais jogadores eu deveria contratar, como acalmar um jogador e com quais jogadores eu preciso conversar. Tenho dificuldades para dormir e, quando acordo, meu corpo inteiro dói. Eu durmo 15 minutos e já estou totalmente acordado. Quando vencemos, mas jogamos mal, eu fico de mau humor”, encerrou.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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