Espanha

O peso de um gigante II – a missão

“Adiós Champions. Adiós Pellegrini”. Haviam se passado apenas dois minutos do apito final de Real Madrid 1×1 Lyon pela Liga dos Campeões quando o jornal Marca colocou tal chamada em seu site. Nos dias seguintes, o chileno teve de negar que está saindo e os jogadores tiveram de assumir parte da culpa, mas o clima pré-crise fica vivo no Paseo de la Castellana. Vá lá que um time que gastou mais de € 150 milhões em contratações tem obrigação de ficar entre os oito melhores da Europa. Mas é para tudo isso?

Pellegrini pode responder pelos resultados da atual temporada. Seu trabalho não é brilhante. Ele encontrou uma formação para o Real, mas ainda não foi capaz de fazer essa formação jogar de modo fluido. As vitórias acontecem, muito pelo talento dos jogadores e até pelo modo como a equipe usa seu “peso” para se impor diante de adversários pequenos (clique aqui).

Na Liga dos Campeões, onde os adversários não são tão pequenos ou inexperientes como Xerez, Tenerife e Málaga, os merengues sofreram mais. Tanto que perderam em casa de um Milan que vinha se arrastando. O jogo contra o Lyon foi assim. O Real Madrid não atuou mal. Criou um caminhão de chances no primeiro tempo e teve muito azar de não chegar ao intervalo com dois gols de vantagem. No segundo tempo, sofreu um gol em um lance isolado e, a partir daí, caiu no desespero. Como os franceses eram organizados, souberam segurar o resultado sem tanto sofrimento.

Claro, Pellegrini errou. Errou, por exemplo, ao tirar Kaká (e colocar Raúl) quando o time precisava de mais gols. Pelo ambiente do jogo, não era momento de pensar em tática. Era questão de ter em campo jogadores que pudessem levar a equipe aos 3 a 1. Era importante Raúl entrar, mas era importante Kaká ficar.

Mas não foi apenas por isso que os blancos ficaram pelo caminho. É o sexto ano seguido que o Real Madrid não passa das oitavas de final da LC. Em todas essas campanhas, o clube tinha time para ir mais longe, e soçobrou. Não é coincidência.

Ao mesmo tempo em que a tradição e os talentos do elenco empurram o Real a vitórias no Campeonato Espanhol, mesmo quando não atua bem (esse fenômeno não é de hoje), eles ajudam a criar um ambiente negativo nas competições continentais. Há uma crença generalizada em Chamartín que basta dinheiro para montar o melhor time do mundo e ser cria uma expectativa exagerada sobre a LC a cada contratação milionária de Florentino Pérez ou seus genéricos.

É só ver como o Real Madrid se transformou em um moedor de técnicos. Desde Vicente del Bosque (1999 a 2003, pegando o período vitorioso dos “galáticos”), passaram pelo Santiago Bernabéu Carlos Queiroz, José Antonio Camacho, Mariano García Remón, Vanderlei Luxemburgo, Juan Ramón López Caro, Fabio Capello, Bernd Schuster, Juande Ramos e Manuel Pellegrini. Apenas Schuster ficou mais de 12 meses no cargo (ficou 18). Com essa absoluta falta de trabalho de longo prazo, não é possível montar um time de atitude, de personalidade, de consistência e de fluidez de jogo que seja vencedor e atue bonito como a imprensa madrilena quer.

Caso a eliminação da LC se transforme em crise, o Real pode sabotar uma campanha que pode ser vitoriosa no Campeonato Espanhol. Aos trancos e barrancos – e sem convencer –, o time divide a ponta com o Barcelona. Os dirigentes, os torcedores e os jornalistas locais não podem perder isso de vista.

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Equipe Trivela

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