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O novo parâmetro

O Barcelona era o ponto de referência para tudo. Era a excelência, o topo, o melhor do mundo. Era o Sebastian Vettel do futebol. O Kelly Slater dos clubes. O vôlei brasileiro dos gramados. Os All Blacks da bola redonda. Não foram sempre os melhores – o mundo já se curvou a Milan, Fernando Alonso, Tom Curren, seleção italiana e África do Sul – e não serão sempre. Mas são hoje, e ficam como parâmetro para os demais.

Na temporada que vem, provavelmente esse referencial será outro no futebol. O Bayern de Munique pode ganhar terreno se conquistar a Liga dos Campeões e, mês que vem, a Alemanha levar a Eurocopa. Mas, no futebol espanhol, o parâmetro será o Real Madrid. E talvez fique até com o posto imaginário de melhor do mundo se os alemães (clube bávaro e seleção) não forem tão convincentes assim nos próximos 60 dias.

O título espanhol, conquistado nesta semana, só reforça a sensação de troca de guarda entre os gigantes espanhóis. Nem tanto pelo troféu em si, mas principalmente pelas circunstâncias. O Barcelona deu vários sinais de desgaste psicológico, vai trocar de técnico, e começará a temporada com uma sensação de insegurança em relação à capacidade de dar continuidade ao trabalho atual.

Para reforçar ainda mais essa sensação, o Real Madrid encerra esta temporada com a confiança de quem finalmente superou seu rival em campo. Conquistou um campeonato de pontos corridos porque foi melhor, mais forte e mais constante durante uma temporada inteira. No jogo em que esse título poderia ficar em dúvida, venceu o adversário na casa dele, atuando melhor e convencendo. E a tendência é que o trabalho atual continue, com a manutenção do time-base, da comissão técnica e do desejo voraz de contratar craques a valores surreais.

Levar o Campeonato Espanhol é relativamente pouco pelo que o Real Madrid gastou. Não apaga a frustração de cair pelo segundo ano seguido nas semifinais da Liga dos Campeões, completando uma década sem título (e sem final) de uma competição internacional. Mas serve de empurrão psicológico, pois pode marcar a passagem de bastão, o fim de mais uma era de predomínio do Barcelona para o retorno de um período majoritariamente madridista.

Se o Barcelona de Tito Villanueva, ou de quem quer que seja o técnico da equipe, der uma titubeada, rapidamente as pessoas tratarão o Real Madrid como o grande clube do mundo no momento. Não será um time tão espetacular e revolucionário quanto o Barça, e até por isso pode ser mais vulnerável. Mas será o novo ponto de referência. E os madridistas amam ser vistos dessa forma.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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