Espanha

O Monstro do Lago Ness e La Liga

As pessoas querem acreditar no monstro do Lago Ness. Seria bom para todos (pelo menos quem vive do turismo na região de Inverness) se ele existisse. Algumas pessoas dizem que já o viram, mas ainda não há provas concretas disso. É mais ou menos o que acontece com o Málaga. Dinheiro de mecenas à parte, muita gente quer acreditar que o tal “Manchester City espanhol” pode incomodar Barcelona e Real Madrid. Não precisa ser campeão, porque ainda há quem veja com restrição o surgimento repentino de novos-ricos com dinheiro árabe, mas mudar ligeiramente a relação de forças do futebol espanhol já seria interessante.

Após as seis primeiras rodadas, os resultados até fizeram os mais otimistas dizerem que já tinham visto a tal “terceira força”, como algum pescador de Inverness jura já ter visto o plesiossauro apelidado de Nessie. O Málaga tinha quatro vitórias, um empate e uma derrota, e estava a um ponto dos líderes Barcelona e Levante, empatado com o Real Madrid. Início empolgante de uma equipe que parecia pronta para ocupar a terceira posição e até ficar de sombra para os dois gigantes. Será mesmo?

Neste domingo, o Málaga perdeu por 3 a 0 do Levante. Claro, não dá para usar apenas um resultado para destruir um trabalho que ainda está no começo. Ainda mais porque foi um jogo com circunstâncias especiais. Os levantistas vivem um grande momento – provavelmente insustentável em longo prazo – e abriram o marcador cedo. Aos 30 minutos do primeiro tempo, o goleiro malaguista Caballero defendeu uma bola fora da área e foi expulso. O experiente volante Maresca saiu para a entrada de Rubén, o goleiro reserva. Na sequência do lance, os valencianos fizeram 2 a 0. A partida dos boquerones estava comprometida.

De qualquer modo, os problemas do time de Manuel Pellegrini não se limitam ao jogo de Valência. A equipe tem uma base experiente (com 29 anos, é o segundo time com média de idade mais alta do campeonato, menor apenas que a do Levante), mas que não se conhece. Dos 11 titulares deste domingo, sete chegaram a La Rosaleda no último verão. Esse grupo vai precisar de um tempo para virar um time de verdade, para articular jogadas, para aprender como usar o potencial de todos.

Por enquanto, isso não aconteceu. As primeiras seis rodadas tiveram algumas armadilhas para quem olha apenas o placar. Houve apenas uma vitória convincente, os 4 a 0 sobre o Granada. Fora isso, foram vitórias apertadas sobre adversários que estão na parte de baixo da tabela. Contra o Getafe, o Málaga perdia até os 43 minutos do segundo tempo. Conseguiu uma virada-relâmpago.

O maior sintoma de que o Málaga ainda tem margem para evolução é o modo como ele tem construído suas jogadas. Dos dez gols marcados, apenas três foram de bola rolando. Os outros sete foram de bola parada (três de falta, dois de cruzamentos em cobranças de falta e dois de cruzamentos de escanteios). No que tem dependido de ensaio de jogadas ou habilidade individual, os boquerones conseguiram se virar (destaque aí para Cazorla, responsável pelos três gols de falta). No entanto, ainda pena quando precisa criar algo coletivamente.

Isso não significa que os malaguistas sejam uma farsa ou já decepcionam. Significa apenas que não se pode iludir pelos bons resultados das primeiras rodadas. O modo como o time ruiu diante do Levante mostra que ainda é uma equipe em formação. Com potencial para crescer, mas ainda em formação. Talvez um bebê-plesiossauro.

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Equipe Trivela

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