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O jogador menos utilizado no Real Madrid é… Kaká

O segundo maior salário do Real Madrid é também do jogador menos utilizado por José Mourinho na temporada. Kaká, 30 anos, com salários de € 9 milhões anuais (no elenco madridista, perde apenas para Cristiano Ronaldo, que ganha € 12 milhões ao ano), só jogou mais que jogadores do Castilla, o “time B”, do Real Madrid. Mesmo aqueles que pouco entram em campo, como o goleiro reserva Antonio Adán, tem mais minutos em campo que Kaká.

Kaká esteve em campo apenas 503 minutos nesta temporada pelo Real Madrid. Foram 12 jogos, com dois gols e duas assistências. Desses jogos, em oito o brasileiro veio do banco de reservas e em três começou jogando e foi substituído. Com esses 503 minutos, Kaká fica à frente apenas de Nacho Fernández (363), Álvaro Morata (249), Diego López (180), Jesé Rodríguez (155), Lassana Diarra (117), Denis Cheryshev (59), Álex (59) e Jesús Fernández (45). Destes, Diego López foi recontratado pelo Real Madrid em janeiro e Lassana Diarra foi vendido ainda no início da temporada. Os demais são todos jogadores do Real Madrid Castilla que foram utilizados eventualmente pelo treinador.

Era sabido que José Mourinho não daria muitos minutos a Kaká, depois do que se viu na última temporada. Mesmo assim, é surpreendente que, no elenco de 25 jogadores do time principal, ele seja o jogador com menos minutos em campo. Diego López, goleiro contratado na janela de janeiro, ainda tem menos minutos que o brasileiro, com 180 minutos pelos dois jogos que disputou. Mesmo Ricardo Carvalho, que chegou a ser avisado que não seria utilizado no início da temporada, já esteve em campo mais minutos que o camisa 8 do time merengue: 810.

O jogador que mais minutos jogou pelo Real Madrid na temporada é previsível: Cristiano Ronaldo, com 2969. Xabi Alonso é o segundo, com 2718 minutos, seguido por Iker Casillas (2529), Álvaro Arbeloa (2367) e Sergio Ramos (2322). Na posição de Kaká, Mesut Özil tem feito boa temporada e é o sexto jogador com mais minutos em campo, com 2271. Ángel Di María vem sem seguida com 2100 minutos. Outro concorrente de Kaká é Luka Modric, contratado nesta temporada, que esteve em campo 1706 minutos.

Até mesmo José Maria Callejón tem mais minutos que o brasileiro. O meia espanhol jogou 1330 minutos. Ainda que exerçam papéis relativamente diferentes, é surpreendente que até mesmo esse jogador, pouco cotado no início da temporada, já seja uma opção muito mais frequente que o brasileiro. E é impossível justificar apenas dizendo que Kaká não está bem. O jogador não tem uma lesão desde outubro de 2011. Mas segue tendo poucas oportunidades.

Kaká pode não estar em grande fase técnica e é verdade que algumas das vezes entrou em campo e pouco fez pelo Real Madrid. Só que nesta temporada, é até difícil dizer isso, pela sequência quase inexistente de jogos. Ao contrário de Callejón, que pouco faz pelo time, mas segue entrando nas partidas com mais frequência. E não é só Callejón: exceção a Özil, que tem jogado muito bem, ainda que continua sendo inconstante, Modric não convenceu com a camisa merengue e Callejón… Bom, é um jogador excelente. Para o Getafe. Para o Real Madrid, não faz diferença alguma.

Kaká não é um jogador que recupera tanto na marcação, ainda que tenha mostrado vontade nesse sentido nas vezes que teve chance. Mas é um jogador muito mais capaz de produzir jogadas ofensivas, algo que Callejón, mesmo nos seus melhores dias, não consegue fazer. É um jogador correto que, vez por outra, acerta uma boa jogada pelas pontas e eventualmente marca um gol. Callejón tem 29 jogos nos 1330 minutos que esteve em campo, com cinco gols e quatro assistências. Nada impressionante.

Na seleção, Kaká mostrou um bom futebol e um entendimento fácil com jogadores como Neymar e Oscar, de nível parecido com o que se encontra no Real Madrid. Apesar de não ter sido chamado por Felipão – provavelmente por não jogar quase nunca -, o jogador fez boas partidas sob o comando de Mano Menezes, no fim da passagem deste pela seleção. E deixou uma boa impressão. Tanto que, mesmo sem jogar, sua convocação era esperada.

No jogo contra o Granada, o Real Madrid não podia contar com Özil, suspenso. Mourinho optou por colocar Modric em campo. Kaká não foi sequer relacionado para o banco de reservas, mas Callejón sim. E entrou em campo. Será que Kaká não tem espaço para jogar nem em partidas assim? Deveria ter.

O Real Madrid não quer perder dinheiro vendendo Kaká barato. É justo e legítimo que assim o façam. Mourinho não quer que Kaká vá para uma equipe concorrente no Real Madrid na Liga dos Campeões, embora essa vontade já tenha sido aparentemente atropelada pela diretoria do Real Madrid, que sabe que tem um jogador caro e pouco utilizado. Nos próximos meses, Kaká continuará custando caro aos cofres do Real Madrid, que continua com um jogador subutilizado. Segundo se falou na Itália, Kaká aceitou reduzir o salário para € 6 milhões anuais para jogar no Milan. Só que o clube italiano não aceitou para os € 18 milhões pedidos pelo Real Madrid pelo brasileiro. Um impasse que, até agora, tem sido ruim para todos os envolvidos.

Atualização: Para quem quiser entender melhor a guerra nos bastidores entre Kaká e Mourinho, falei sobre isso aqui.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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