Espanha

O homem-Champions

Uma derrota para o 17º colocado e outra em casa para o 14º. Mesmo com esses dois resultados nas últimas três rodadas, o Málaga segue como uma das melhores apostas para uma das duas vagas restantes da Espanha na próxima Liga dos Campeões. Tem mais talento que os concorrentes, oscila menos e, principalmente, já ocupa a quarta posição. E, se a vaga for a La Rosaleda, não seria injusto dar todo o bicho para Santiago Cazorla.

Mesmo em uma liga largamente dominada por Real Madrid e Barcelona, em que os dois times sozinhos marcaram quase 30% (para ser exato, 28,7%) dos gols de toda a competição, é possível um jogador ofensivo de outra equipe estar entre os melhores do campeonato. É o que tem feito o camisa 12 malaguenho.

O Málaga contou com os milhões de euros do xeique catariano Abdullah Al Thani para deixar de ser um time ioiô e passar a brigar por vagas em competições europeias. Mas o time não se tornou realmente sólido. A inconstância é uma marca em todos os setores. Há momentos em que a defesa brilha, como no empate por 1 a 1 contra o Real Madrid no Santiago Bernabéu. Há outros em que é uma tragédia, como na derrota por 3 a 0 para o Levante. O ataque pode ficar omisso, como nos 2 a 0 do Betis há três semanas, ou aparecer no atacado, como nos 4 a 2 contra o Rayo Vallecano duas rodadas antes.

O único jogador de desempenho constante é Cazorla. O meia – campeão da Eurocopa pela Espanha em 2008 – marcou oito gols e deu cinco assistências no campeonato, uma responsabilidade direta em mais de um quarto dos gols do Málaga. No elenco, apenas o venezuelano Salomón Rondón tem índices parecidos.

Além disso, por jogar no centro, na direita e na esquerda, mais avançado e recuado, dando bastante flexibilidade para Manuel Pellegrini adaptar o time às necessidades de cada momento. Com 57,6 passes (84,8% de acerto), 7,4 lançamentos e 2,2 passes para finalização por partida, ele faz o jogo do Málaga fluir*. Com a bola parada, também aparece bem, sobretudo nas cobranças de faltas. Foi com uma delas que o meia asturiano empatou o jogo contra o Real Madrid nos minutos finais.

* Para se ter uma ideia, vamos aos números de Xavi (provavelmente o melhor passador do mundo hoje) para as estatísticas destacadas de Cazorla: 92,5% de acerto nos passes, 7,7 lançamentos certos e 2,2 passes para finalização. A discrepância não é tão grande.

Com esse desempenho, Cazorla é o ponto de referência do Málaga. Os bons momentos da equipe passam por ele, e é assim que a equipe consegue os pontos que a mantém na quarta posição do Campeonato Espanhol, mesmo com um time pouco confiável e que não tem um rendimento compatível com o dinheiro investido.

Se os andaluzes chegarem à Liga dos Campeões pela primeira vez na história, será por mérito de seu melhor jogador. Um jogador que merece fazer companhia a Xavi no meio-campo ideal de La Liga 2011/12.
 

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Equipe Trivela

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