BrasilEspanha

O futuro basco

Iñigo Córdoba e Asier Parra. Anotem esses nomes, porque em poucos anos devem aparecer na primeira divisão espanhola, defendendo o Athletic Bilbao. Hoje, são apenas dois garotos de 14 anos, destaques da equipe basca no Next Generation Trophy, torneio internacional sub-15, realizado na Áustria há duas semanas e que terminou com o Athletic campeão. No entanto, a chance dos dois se profissionalizarem é bem maior do que a média em todo planeta.

Estive presente em Salzburg, à convite da organização da competição, para acompanhar o torneio. Foram 12 times – Bayern Munique, Schalke 04, Anderlecht, Lens, Basel, Swansea, Werder Bremen e os representantes da Red Bull, Brasil, New York, Salzburg e Leipzig -, de nove países e a final disputada entre bascos e brasileiros. Após 0 a 0 no tempo normal – duas partes de 25 minutos – e derrota por 4 a 3 nos pênaltis, o RB Brasil ficou com o vice-campeonato. Foram, de longe, os dois melhores times da competição.

Nesse pequeno prisma do futebol mundial tive a oportunidade de conhecer mais de perto o trabalho espetacular feito pela base do Athletic Club, que mantém mais de 100 escolinhas associadas aos seus times menores para a descoberta de talentos – a última revelação é Iker Muniain. Gostem ou não de sua filosofia, é impossível não valorizar o que o clube faz ao longo das décadas, se mantendo ao lado de Barcelona e Real Madrid como os únicos clubes que nunca foram rebaixados na Espanha. Mais: no passado, foi um dos grandes campeões da Espanha, e hoje se mantém extremamente competitivo.

Citei Córdoba e Parra, mas poderia indicar outros garotos que vi também na competição. Sasse, o camisa 10 do time brasileiro, é um clássico meia canhoto; o volante Pará é outro destaque, com enorme qualidade. Lens e Bayern também mostraram garotos com muito potencial, mas como escrevi no primeiro parágrafo, os bascos têm uma probabilidade maior de se tornarem jogadores profissionais. Iñigo Córdoba foi artilheiro do torneio e eleito melhor jogador. Gosta de atuar aberto, é rápido e habilidoso, e ainda marca seus golzinhos. Já Parra é um meia criativo, com boa visão de jogo.

Aliás, esse time basco tem mais algumas curiosidades. Atua junto desde o sub-9, por isso demonstrou um entrosamento muito superior ao dos rivais. É treinado por uma lenda do clube: Joseba Etxeberria, que comanda uma equipe pela primeira vez e, naturalmente, conquistou seu primeiro título. Aliás, fiz uma longa entrevista com o ex-camisa 17… Vai ao ar no Futebol no Mundo, na ESPN Brasil, em breve.

Pra finalizar, um outro ponto de vista de tudo isso a partir do que observei: na média, entre os garotos, os brasileiros ainda são os mais habilidosos; no entanto, mesmo no sub-15, já é possível perceber a responsabilidade tática dos times europeus. E como estes também têm jovens talentosos, mesmo que em menor quantidade, a matemática padrão tático + habilidade ainda é mais favorável aos estrangeiros. E um último detalhe: os brasileiros são os que mais fingem faltas e reclamam com os juízes. Esse é um grave problema de formação dos nossos jogadores, que ocorre em todos os clubes e precisa ser combatido pelos treinadores.

Mostrar mais

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo