Copa do ReiEspanha

O Barça teve uma força tremenda para arrancar uma de suas maiores viradas na Copa do Rei: 5×3 sobre o Granada

O Barcelona se submetia a uma eliminação dolorosa na Copa do Rei. Fazia uma grande partida, mas era daquelas noites em que nada parecia dar certo, com o Granada abrindo dois gols de vantagem no Estádio Nuevo Los Cármenes. Porém, a ferocidade ofensiva do Barça transformou a frustração em uma virada memorável. Depois de muito parar na trave e no goleiro adversário, o time enfim anotou os gols necessários após os 42 do segundo tempo, forçando a prorrogação com o empate por 2 a 2. No primeiro tempo extra, os catalães passaram à frente, apesar do novo tento dos andaluzes. Já nos 15 minutos finais, a superioridade barcelonista se converteu num merecido placar de 5 a 3. Um resultado imenso, que garante a classificação às semifinais, em partida na qual Messi e Griezmann se mostraram mais afiados que nunca – com a presença vital também de Alba.

O Barcelona parecia pronto a construir uma vitória sem tantas dificuldades. O início da partida guardou uma grande pressão dos blaugranas, mas o goleiro Aarón Escandell logo começou a fazer seu nome. Pegou uma cabeçada de Ronald Araújo e logo depois parou Lionel Messi. Neste lance, a sobra ainda ficou com Trincão, que viu o goleiro se recuperar milagrosamente para mandar por cima do travessão. Os andaluzes respiravam aliviados e conseguiam evitar o pior, só conseguindo a primeira finalização aos 20 minutos.

O Barcelona não criava oportunidades com tamanha frequência, mas seguia amplamente superior. Messi teria outra chance aos 24, quando cobrou falta e buscou o ângulo, mas Aarón de novo apareceu. E a prova de que a noite exigiria muito esforço dos blaugranas veio aos 32, quando o Granada abriu o placar. O Barça tentava sair jogando na defesa e os andaluzes roubaram a bola na beira da grande área. Alberto Soro cruzou rasteiro e Kenedy completou na pequena área. Logo depois, o brasileiro quase anotou o segundo, com seu time saindo um pouco mais. Quando os catalães tentaram responder, Aarón parou Sergi Roberto.

O Granada voltou com duas mudanças para o segundo tempo, inclusive sacando Kenedy. Os andaluzes estavam bem mais atentos e anotaram o segundo gol logo aos dois minutos. Ángel Montoro realizou um excelente lançamento em profundidade, para Roberto Soldado sair às costas da zaga. O veterano arrancou sozinho e tocou na saída de Marc-André ter Stegen. A reviravolta ao Barcelona se tornava mais difícil. Ronald Koeman logo realizaria uma série de alterações, mandando a campo Sergiño Dest, Ousmane Dembélé e Martin Braithwaite. Entretanto, levaria um tempo até o Barça acordar do baque e reiniciar a pressão.

Aarón parecia com o corpo fechado e realizou outra defesaça aos 15, num chute de Messi que ia em direção ao canto. Como se não bastasse, antes de dar lugar a Dembélé, Trincão mandou no travessão. A blitz era tremenda, com Messi mais encarregado da armação para tentar destravar a zaga do Granada. Se faltava organização, sobrava coração. O Barça arriscava bastante e, com o passar dos minutos, aumentava o bombardeio. Mas também veio um susto, com um gol anulado de Darwin Machís aos 31. Seria o último suspiro antes da surra barcelonista nos 15 minutos finais.

O Granada resistia muito graças a Aarón. O goleiro realizou uma defesa sensacional em bicicleta de Antoine Griezmann, antes de negar outra vez o tento a Ronald Araújo. De novo o travessão o ajudaria, com Dembélé soltando a bomba contra a barra aos 41. A insistência do Barcelona só gerou frutos aos 42, num lançamento de Messi na intermediária. Griezmann apareceu livre na linha de fundo e, quase sem ângulo, conseguiu chutar para o gol. A bola bateu no corpo de Aarón e entrou. Faltava pouco para o apito final, mas o Barça estava mais vivo do que nunca.

Antes que os acréscimos chegassem, a trave se provaria inimiga do Barcelona mais uma vez. Messi arriscou da entrada da área e acertou a parte interna do poste, em bola que inacreditavelmente não entrou. Mesmo assim, os blaugranas teriam forças para reviver. Aos 47, a jogada do primeiro gol se repetiu. Messi lançou e Griezmann escapou pelo lado esquerdo da área. O francês desta vez ajeitou de cabeça e Jordi Alba apareceu como um artilheiro, emendando para o fundo das redes. O Barça forçava uma prorrogação com todos os méritos, ainda que o Granada tenha desperdiçado boa chance no último ataque, em cabeçada de Luis Javier Suárez que seguiu para fora.

Na prorrogação, era de se esperar que o Barcelona entrasse fortalecido. Os blaugranas permaneceram martelando e esbarrando em Aarón. O goleiro pegou um chute de Messi e também espalmou uma cabeçada de Braithwaite. O terceiro gol, da virada, saiu aos nove. Alba cruzou e Griezmann subiu no meio da zaga para definir de cabeça. Só não deu muito tempo para comemorar. Logo depois da saída de bola, o Granada ganhou um pênalti. Fede Vico cobrou e deixou tudo igual novamente, mostrando como os andaluzes não se entregariam.

A vitória do Barcelona seria definida mesmo no segundo tempo da prorrogação, quando o Granada dava sinais de cansaço e também não tinha a mesma concentração na defesa, até pela necessidade de responder no ataque. O quarto gol surgiu aos três minutos, de novo com participação de Messi. O camisa 10 chutou de fora da área, Aarón espalmou e Frenkie de Jong marcou no rebote. Já aos oito, o placar foi concluído com o quinto tento do Barça. O lance já era muito bonito, com uma envolvente troca de passes, mas Messi foi travado. Na sequência, Griezmann cruzou de trivela e Alba acertou um sensacional chute de primeira. Golaço, para dimensionar a virada maiúscula dos blaugranas.

Que sobrem desconfianças em cima do Barcelona, até pela maneira como a partida se desenhava, a postura do time para se classificar mostra caráter. Foram 36 finalizações, de um time que não deixou de lutar, mesmo que o goleiro adversário estivesse inspirado e a trave atrapalhasse bastante. A vitória é inesquecível. O sorteio das semifinais da Copa do Rei acontecerá na próxima sexta-feira. Sevilla e Levante (que despachou o Villarreal nesta quarta) são os outros já classificados. A última vaga será definida nesta quinta, entre Betis e Athletic Bilbao.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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