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O 100º gol por um clube é especial, ainda mais quando é o clube do coração, como Torres no Atlético

Ser ídolo de um grande clube é um privilégio, mas também carrega uma grande responsabilidade. Implica ser mais festejado que os outros, mas também ser mais cobrado. Fernando Torres se tornou uma sombra do jogador que aterrorizava defesas com a camisa do Atlético de Madrid e do Liverpool. Desde que voltou ao Atlético, ele ainda tenta voltar a apresentar um futebol que justifique a idolatria. Lutando contra as lesões e as atuações abaixo da expectativa, o camisa 9 viveu um momento especial ao marcar o seu 100º gol pelo clube, diante do Eibar, em vitória por 3 a 1. Entrou para a história em um momento que o Atlético mira a ponta da tabela, ainda sonhando com o título.

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A temporada de Torres até aqui está longe do que ele mesmo certamente imaginava. No começo da temporada, o Atlético contratou Jackson Martínez, do Porto, para ser o camisa 9 titular – ainda que ele vestisse a 11. O colombiano entrou em uma seca de gols e más atuações e acabou vendido ao Guangzhou Evergrande, da China. Veio também Luciano Vietto, outro atacante. Ainda enfrentou uma lesão que o atrapalhou nos últimos jogos. Não ficou nem entre os relacionados para os últimos três jogos. Voltou neste sábado, no banco.

A seca de gols atormentava Torres. A última vez que tinha marcado um gol tinha sido no dia 19 de setembro, diante do próprio Eibar. Eram 19 jogos sem marcar. Um turno inteiro. Uma marca dura para quem veste a camisa 9. A segunda pior da sua carreira. A primeira foi entre 2011 e 2012, pelo Chelsea, quando ficou 26 jogos sem marcar. Mais ainda se é ídolo. Tudo isso entrou em campo junto com Torres, aos 31 minutos do segundo tempo, quando ele substituiu Yannick Carrasco, que também vem sendo um dos destaques do time. O placar já estava 2 a 1 para o Atlético.

Aos 46 minutos do segundo tempo, a chance se apresenta, limpa e clara, nos pés de Torres. O atacante que se tornou piada nos últimos anos depois de perder tantos gols com a camisa do Chelsea, especialmente, onde chegou por uma fortuna e saiu de graça. Mas desta vez, Torres não deixou a chance passar. Completou para o gol o cruzamento de Vietto, marcou e decretou a vitória rojiblanca no estádio Vicente Calderón, lotado como habitual.

“Ter marcado é um prêmio. Já é um prêmio poder estar no gramado depois de tantos anos em um clube onde comecei. É uma honra e um prêmio ter marcado o gol 100 e poder estar entre os grandes goleadores do clube”, afirmou Torres, depois do jogo. “Esta vitória significa que estamos na luta. Este ano tem que acabar com um título e este é o caminho”, continuou Niño Torres. “Quanto mais gols, melhor”, falou ainda o atacante, sobre o objetivo para o resto da temporada.

O gol 100 veio 14 anos e oito meses depois do seu primeiro, no dia 3 de junho de 2001, contra o Albacete. “Antes de tudo, quero fazer uma menção a Fernando. Um momento importante para ele na sua carreira esportiva. Fazer 100 gols no clube da sua vida, onde sempre se entregou ao máximo, onde sempre pertenceu, é muito emocionante para todos, tanto para os companheiros quanto para as pessoas do clube. Uma felicitação enorme”, disse Simeone.

O 100º gol pelo Atlético coloca Torres em um grupo bastante restrito de jogadores. Só Luis Aragonés (173 gols), Adrián Escudero (169), Paco Campos (144), José Gárate (135), Joaquín Peiró (125), Adelardo Rodríguez (113), Elícegui (110), José Juncosa (103), Enrique Collar (105) e Sergio Agüero (101) tinham esta marca até este sábado. Um grupo do qual Torres agora faz parte.

Torres ainda tem muito a fazer para mostrar que pode ser um jogador efetivo, útil e importante no Atlético de Madrid. Mas isso é só do ponto de vista técnico. A torcida o abraça, independente de qualquer coisa, porque Torres é um dos seus. Sempre será. Estar ali é um privilégio que ele sabe desfrutar. Diante de especulações sobre o seu futuro, com times chineses especulando pagar um salário astronômico ao atacante, esta pode ser a sua última temporada pelo clube do coração, o clube que o formou. Ainda não se sabe e o seu contrato só vai até o final da temporada. O que se sabe é que Torres sabe que veste uma camisa que faz toda diferença na sua vida. E que cada gol, como este de sábado, é viver um pouco mais do sonho de um jogador que, aos 31 anos, ainda busca tentar ser feliz.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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