Ninguém vende melhor seus pratas-da-casa que o Southampton

Os números confirmam o que todo o mundo já imaginava: nos últimos anos, ninguém vendeu melhor seus pratas-da-casa que o Southampton. Nas últimas três temporadas, os Saints foram o time a obter as maiores cifras negociando os jogadores lançados de suas próprias categorias de base, com os € 90,2 milhões das vendas de Chambers, Lallana e Shaw, todos no início desta temporada. O retorno à Premier League, a estabilidade e as boas campanhas na elite contribuíram com os números, significativamente superiores aos dos outros clubes.
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O estudo, conduzido e publicado pela CIES Football Observatory, contempla jogadores entre 15 e 21 anos que foram negociados desde julho de 2012. Na divisão entre ligas, a francesa é a que mais se destacou, arrecadando 27% (€ 292 milhões) do valor total obtido por clubes das cinco principais ligas europeias. La Liga (26% ou € 276 milhões), Premier League (21% ou € 227 milhões), Bundesliga (15% ou € 163 milhões) e Serie A (11% ou € 114 milhões) completam a relação.

Na segunda colocação, com € 76 milhões arrecadados, aparece o Lille, que alavanca a Ligue 1 e ajuda bastante a competição a liderar o quesito. O dinheiro veio das negociações de Gianni Bruno, Mathieu Debuchy, Lucas Digne, Divock Origi (que se apresenta ao Liverpool na próxima temporada) e Eden Hazard, hoje completamente adaptado ao Chelsea e um dos principais craques da Premier League.
O Campeonato Espanhol, que aparece na segunda colocação, tem em Real Sociedad e Sevilla seus principais representantes. Os dois aparecem, nesta ordem, em 3º e 4º lugares, com € 62,2 milhões e € 51,5 milhões. Enquanto os sevillistas conseguiram esse valor com diversas vendas, todas elas curiosamente para a Inglaterra, os bascos chegaram ao seu com apenas duas negociações, ambas em âmbito nacional: Griezmann (Atlético de Madrid) e Illarramendi (Real Madrid).
Entre todas as coisas que podemos observar a partir do estudo da CIES, talvez a mais sintomática seja o fato de como a Premier League já atrai há um certo tempo destaques de outras grandes ligas. Nos últimos anos, deu um salto o número de contratações de destaques de La Liga por clubes ingleses. É sintomático sobretudo pois esse panorama tende a aumentar com o crescente distanciamento financeiro que ganhou força com o novo acordo pelos direitos de televisão do Campeonato Inglês.

Para times de outros países, ficam evidentes os pontos prejudiciais. Manter atletas de alto nível será cada vez mais difícil. Entretanto, como a lista revela, a riqueza dos clubes ingleses, em um ponto, é prejudicial para eles próprios. Com a exceção do Southampton e sua base fantástica, o número de ingleses na lista é bem pequeno. No top 20, apenas Saints e Manchester United conseguem seu espaço, e este último principalmente pela venda pontual de Welbeck ao Arsenal. Cobrada por títulos desde a distante Copa de 1966, a seleção inglesa precisará pensar em alternativas para conseguir formar equipes competitivas nos próximos anos, já que seus próprios atletas não têm tanto espaço.
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