Espanha

Negócio da China. Será mesmo?

Orçamento para a temporada: € 24,9 milhões, sendo € 13,1 em folha salarial. Dívidas: € 18,7 milhões. Faturamento previsto na temporada: € 12 milhões. Não precisa ser um gênio da matemática financeira para perceber que há um problema sério com a Real Sociedad. O clube está afundado em dívidas e não consegue encontrar saídas viáveis para se reconstruir. A diretoria chegou a propor redução salarial após o rebaixamento da temporada passada, mas os jogadores não concordaram. No desespero, o clube ficou sujeito a situações suspeitas.

Foram convocadas eleições para 3 de janeiro e, até agora, apenas um candidato se apresentou. E com um papo muito esquisito. O empresário Iñaki Badiola apareceu com o discurso de comandar o renascimento txuri urdin com uma administração “revolucionária” (termo dele), visão de negócios e muito profissionalismo. Até aí, parece bom. O problema é quando ele começa a detalhar seu plano.

O projeto se chama “Erreala Primeran” (“A Real Sociedad na Primeira” em basco). A idéia é devolver a Real Sociedad à primeira divisão e usá-la para levar a imagem do País Basco para o resto do mundo. O clube seria um exemplo de “sonho, orgulho, alegria, entretenimento, negócios e esporte” para o mundo. Parece ou não a intenção de fazer um Barcelona basco? Como se a Real Sociedad pudesse ter uma projeção tão grande quanto os blaugranas.

A coisa fica mais difícil de acreditar. Para viabilizar tal crescimento, Badiola prometeu realizar uma auditoria externa nas contas txuri urdin e aumentar as fontes de renda. Com as atuais,d e acordo com o empresário, o clube morre. A tais “novas fontes de renda” seriam receitas de marketing na Ásia, sobreduto na China. Para isso, a Real colocaria suas camisas para venderem nos free shops dos aeroportos de Pequim e Xangai a apenas € 1,20, facilitando a popularização em cidades que, juntas, receberão cerca de 128 milhões de turistas (contas de Badiola) até 2010.

Outra conexão chinesa seria na administração do Anoeta. O clube compraria definitivamente o estádio da prefeitura de San Sebastián e poderia realizar ações no local. A primeira seria rebatizar o estádio de Beijing Arena 2008 e receber um amistoso da seleção olímpica chinesa pouco antes dos Jogos Olímpicos. Com a audiência estimada do público chinês, a Real teria ainda mais projeção no país mais populoso do mundo.

Em campo, o candidato a presidência da Real Sociedad espera contar com as revelações das categorias de base do clube, além de alguns reforços. Ele afirma que conversou com 117 jogadores, 47 agentes e 12 diretores de outros clubes. Isso já para a virada do ano, pensando em promover a Real Sociedad logo no primeiro semestre de gestão. Algo complicado se imaginar que os donostiarras estão em nono lugar da Segundona após 15 rodadas e que o técnico galês Chris Coleman afirmou que deixa o cargo se Badiola for eleito..

Para administrar tudo isso, o dirigente formaria um conselho de 26 membros, quase todos bascos e ligados ao clube. Menos um: o chinês Feng Bai Ye, diretor geral da Lighthouse, empresa de Badiola. Fica evidente que o empresário comanda um grupo que usa contatos na China e, de alguma forma, a Real Sociedad poderia ser uma ferramente a mais para isso.

Convenhamos, o projeto não parece fazer o menor sentido, pois nem o mais otimista dos empreendedores acreditaria em uma repentina popularização internacional da Real Sociedad. Pela quantidade de interrogações e queixos caídos que o extravagante projeto apresenta, muita gente desconfia das reais intenções de Badiola. Há elementos para ficar com essa dúvida. Aí, é questão de acompanhar os próximos passos no segundo clube mais importante do País Basco e um dos mais tradicionais formadores de talento do futebol espanhol.

O problema está nas quartas… como sempre
Suécia, Grécia e Rússia. O grupo da Espanha na Eurocopa é mais que acessível. Os espanhóis já venceram (e perderam também) dos suecos nas eliminatórias para a competição e enfrentaram gregos e russo na Euro 2004 (um empate e uma vitória). Considerando o bom futebol apresentado pela Fúria nos últimos jogos, dá para imaginar os ibéricos passando de fase na primeira posição.

O problema começa aí. Já há quem veja a Espanha como uma das candidatas ao título, um clamoroso exagero. Mais que isso, nas quartas-de-final, os ibéricos cruzariam com equipes do grupo C, formado por Holanda, Itália, França e Romênia. A não ser que ocorra uma grande surpresa, o adversário seria mais forte que a Fúria.

Fica traçado o caminho para mais uma frustração, algo que poderia ser diminuído se a própria imprensa e torcida espanholas não criassem expectativas desmedidas sobre o time. E se algumas discussões fossem superadas, como o eventual retorno de Raúl ao time.

O técnico Luis Aragonés mesmo disse que não teria onde colocar o capitão do Real Madrid. E tem razão, ainda mais com Fàbregas, Iniesta, Xavi e David Silva formando um quarteto tão sólido no meio-campo e Villa e Fernando Torres tendo de brigar por um lugar na frente.

CURTAS

– Movimentação no Barcelona: Eto’o já tem condições de jogar. Deco, por outro lado, continua com problemas. O meia, que se recupera de uma lesão no músculo adutor da coxa esquerda, percebeu que os médicos do clube não prestavam atenção a seu treino. Irritado, foi embora.

– O Espanyol segue causando polêmica. Antes de qualquer jogo na Espanha, é tradicional que os presidentes dos clbues almocem juntos. Isso não ocorreu horas antes de Espanyol x Barcelona. Daniel Sánchez Llibre, presidente perico, se negou a comparecer, alegando que os clubes romperam relações há mais de um ano.

– Joan Laporta, presidente culé, afirmou que Sánchez Llibre é infantil.

– Mais uma do Espanyol: o clube enviou um comunicado a todos os participantes da liga espanhola informando que seus jogadores não chutarão a bola para fora do campo caso um jogador esteja caído no campo. Os espanyolistas consideram que há muitos casos em que um jogador se fica no chão apenas para interromper as jogadas do adversário.

– Para o Espanyol, o árbitro é que tem de pedir para parar o jogo se a contusão for séria. Os pericos ainda sugeriram que todos os demais clubes façam o mesmo. Alguns árbitros já se manifestaram a favor da idéia catalã.

– O goleiro Diego, ex-Atlético-MG, estreou no Campeonato Espanhol no Almería x Sevilla. Assim, ele se tornou o primeiro goleiro brasileiro a atuar no Campeonato Espanhol. Sua atuação foi tão boa (ao menos quatro milagres) que já fica uma dúvida se ele não deveria assumir a titularidade de Cobeño.

– Se você viu Valencia x Athletic Bilbao pela TV, estranhou o enquadramento. A transmissão foi quase toda feita por uma câmera bem do alto (apenas alguns replays eram de outras câmeras), posicionada como se fosse câmera do impedimento. Entrei em contato com o colega Paulo Andrade, que narrou o jogo pela ESPN Brasil.

– Ele explica: “Realmente a focalização do jogo de domingo passado, no Mestalla, estava terrível. Não tivemos (e até conversei com o responsável da ESPN por isso), acesso aos motivos da imagem que prejudicou sensivelmente a transmissão do jogo, mas acredito que tenha sido exatamente pela ‘briga’ que ainda movimenta clubes e retransmissoras do Campeonato. Bem, se foi por isso, para acentuar ainda mais o problema, nós (a TV que transmitiu o jogo), sequer fomos comunicados da falha”.

– Veja a seleção da 14ª rodada do Campeonato Espanhol: Diego.(Almería); Jarque (Espanyol), Pepe (Real Madrid), Pablo (Atlético de Madrid) e Calvo (Valladolid), Martins (Recreativo de Huelva), Yeste (Athletic Bilbao), Messi (Bardelona) e De la Red (Getafe); Raúl (Real Madrid) e Llorente (Athletic Bilbao).

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Equipe Trivela

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