Futebol espanhol

Como histórico de Mourinho explica ‘amor’ do Real Madrid por Rodri no mercado atual

Possível contratação do meio-campista espanhol vai além da reposição para Toni Kroos e segue um padrão que acompanha a carreira de José Mourinho há mais de duas décadas

A possível chegada de Rodri ao Real Madrid vai muito além da oportunidade de mercado ou da necessidade de substituir o vazio deixado por Toni Kroos. Se as negociações com o Manchester City avançarem até um desfecho positivo, o clube merengue estará entregando as chaves do meio-campo justamente ao perfil de jogador que sempre ocupou um lugar central nas equipes de José Mourinho.

O interesse do Real não é exatamente novo, mas ganhou outra dimensão com o retorno do treinador português ao Santiago Bernabéu. Depois de uma temporada turbulenta, Mourinho assumiu a missão de reconstruir uma equipe que perdeu identidade em diversos momentos de 2025/26.

A reformulação já começou com reforços em diferentes setores, como Bernardo Silva, Denzel Dumfries, Marc Cucurella e Ibrahima Konaté, enquanto outros nomes seguem no radar. Entre todos eles, porém, Rodri simboliza algo diferente: representa a peça capaz de organizar o funcionamento coletivo.

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Ao longo de mais de duas décadas de carreira, Mourinho mudou sistemas, adaptou características ofensivas e trabalhou com elencos completamente distintos. Há, contudo, um elemento que atravessa praticamente todas as fases de sua trajetória: a presença de um meio-campista capaz de comandar o ritmo da equipe.

Nem sempre esse jogador possuía exatamente as mesmas características de Rodri, mas invariavelmente era o ponto de equilíbrio em torno do qual o restante do time se organizava.

O maestro sempre esteve no centro do projeto de Mourinho

Lampard foi um dos pilares do Chelsea de Mourinho em sua primeira passagem pelo clube londrino
Lampard foi um dos pilares do Chelsea de Mourinho em sua primeira passagem pelo clube londrino (Foto: SBI / Icon Sport)

Ainda no Porto, clube onde conquistou a Champions League e projetou seu nome para a elite do futebol europeu, Mourinho já demonstrava essa preferência. O cérebro daquela equipe era Deco, responsável por dar criatividade e fluidez ao jogo, enquanto Costinha garantia a sustentação defensiva. A combinação permitia que o restante do time funcionasse de forma equilibrada.

Não por acaso, Deco foi o atleta que mais vezes atuou sob o comando de Mourinho durante sua passagem pelo Dragão. Em 106 partidas, acumulou números expressivos, com 23 gols e 69 assistências, tornando-se o principal articulador de uma equipe que entrou para a história do clube português.

Quando desembarcou no Chelsea pela primeira vez, Mourinho encontrou outro perfil de protagonista. Frank Lampard estava longe de ser um organizador clássico, mas era o jogador ao redor do qual girava toda a produção ofensiva dos Blues. Enquanto Claude Makélélé e Michael Essien garantiam intensidade e proteção, Lampard aparecia como o meio-campista decisivo, chegando constantemente à área e participando diretamente dos gols.

A fórmula ajudou o Chelsea a conquistar dois títulos consecutivos da Premier League e consolidou Mourinho como um dos técnicos mais influentes do futebol mundial.

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De Cambiasso a Xabi Alonso: diferentes perfis, mesma função

Mourinho orienta Xabi Alonso durante jogo do Real Madrid
Mourinho orienta Xabi Alonso durante jogo do Real Madrid (Foto: Angel Boluda / Action Plus / IMAGO)

Na Internazionale, Mourinho chegou a manifestar publicamente o desejo de contratar Deco novamente para preencher a função de armador. O negócio não aconteceu, mas isso não alterou a lógica de sua equipe.

Embora Wesley Sneijder tenha sido o jogador mais criativo daquele histórico time campeão da Champions, era Esteban Cambiasso quem representava a verdadeira referência do meio-campo.

Inteligente taticamente, seguro com a bola e fundamental na organização coletiva, o argentino disputou 94 partidas sob o comando do português, sendo um dos atletas mais utilizados durante a passagem pelo San Siro. Ao seu lado, Dejan Stankovic exercia papel semelhante, oferecendo equilíbrio e liderança ao setor.

Foi, porém, no Real Madrid que Mourinho trabalhou com aquele que talvez seja o exemplo mais próximo do que Rodri representa atualmente.

Recém-campeão mundial com a Espanha em 2010, Xabi Alonso rapidamente tornou-se o cérebro da equipe merengue. Apenas Cristiano Ronaldo disputou mais partidas sob o comando do Special One naquele período. A construção das jogadas passava obrigatoriamente pelos pés do camisa 14, responsável por acelerar, controlar ou desacelerar o jogo conforme a necessidade.

A confiança depositada em Alonso refletia exatamente aquilo que Mourinho sempre buscou: um jogador capaz de interpretar os diferentes momentos da partida e oferecer estabilidade ao restante da equipe.

Um padrão que atravessou toda a carreira do Special One

Mesmo nos trabalhos menos vitoriosos da carreira, esse perfil continuou aparecendo. Na segunda passagem pelo Chelsea, Mourinho fez questão de convencer Cesc Fàbregas a assumir o protagonismo do time, aposta que terminou com mais um título inglês.

Depois vieram experiências mais curtas no Manchester United, Tottenham, Roma e Fenerbahçe. Embora os resultados tenham ficado abaixo do auge vivido em Porto, Chelsea e Inter, a lógica permaneceu praticamente inalterada.

Nemanja Matić tornou-se um de seus homens de confiança, acompanhando o treinador em diferentes clubes. Em Manchester, o sérvio dividia responsabilidades com Paul Pogba; na Roma, com Leandro Paredes. Pierre-Emile Hojbjerg e Fred exerceram função semelhante em Tottenham e Fenerbahçe, respectivamente.

O último “Rodri” de Mourinho foi Enzo Barrenechea, no Benfica. E é justamente essa sequência que ajuda a explicar por que o melhor jogador da Copa do Mundo 2026 se tornou prioridade absoluta no novo projeto madridista. O Real busca encaixar a peça que historicamente sempre serviu de alicerce para as equipes de José Mourinho.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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