EspanhaLa Liga

Mourinho fez CR7 jogar muito, mas “monstro” não é só criação dele

José Mourinho e Cristiano Ronaldo deixaram claro o desgaste na relação durante os últimos dias do treinador do Real Madrid. Os portugueses fizeram uma parceria de sucesso durante as três últimas temporadas no Santiago Bernabéu, mas acabaram entrando em choque. Tanto que o atacante, visto antes como um aliado do treinador no rachado vestiário blanco, se uniu ao grupo de Iker Casillas e outros veteranos do elenco ao final da temporada.

E Mourinho não fez muita questão de esconder as rusgas. Primeiro, o treinador deu uma indireta ao camisa 7, dizendo que “não era possível conquistar La Liga com alguns descontentes”, referindo-se às declarações no começo da temporada. Já nesta quarta, Mourinho se queixou da postura de Cristiano durante os treinamentos e os jogos.

“Cristiano Ronaldo talvez pense que sabe tudo e que o treinador não pode fazê-lo crescer mais. Tive um problema muito básico com ele: criticá-lo do ponto de vista tático, o que ele não aceitou muito bem. Ele fez comigo três temporadas fantásticas, não sei se as melhores de sua carreira, mas encontramos para ele uma situação tática fantástica para expressar todo o seu potencial e transformá-lo em gols”, declarou o treinador.

De fato, Cristiano Ronaldo rendeu com Mourinho mais do que com qualquer outro treinador. Assumindo funções mais ofensivas, melhorou sua média de gols e de assistências significativamente em comparação aos tempos de Manchester United. Sua única Bola de Ouro veio nos tempos em que ainda atuava em Old Trafford, o que não diminui o desempenho fantástico com os merengues.

No entanto, vale destacar que os números sob as ordens de Manuel Pellegrini são tão bons quanto os com Mourinho. Somando assistências e gols marcados, Ronaldo participou de 1,31 tentos por jogo com o português, diferença pequena diante dos 1,28 tentos por jogo com o chileno – e em uma época na qual variava entre a ponta esquerda, no 4-2-3-1, e o ataque, apoiando Gonzalo Higuaín no usual 4-4-2 aplicado por Pellegrini.

A percepção que fica é a de que a maturidade atingida por Cristiano Ronaldo no Real é tão ou mais importante do que as orientações táticas de José Mourinho. É óbvio que ouvir o treinador ajuda, mas a explosão física e a precisão nas finalizações acabam sendo os principais motivos para a enxurrada de gols anotados pelo camisa 7. Não fosse assim, não teria participado diretamente de 47% dos tentos do time na temporada, chamando a responsabilidade em momentos nos quais a equipe não parecia organizada o suficiente para vencer.

O desempenho de Cristiano Ronaldo com cada treinador:

José Mourinho – 164 jogos; 1,02 gols/jogo; 0,29 assistências/jogo; 87 minutos/jogo
Manuel Pellegrini – 35 jogos; 0,94 gols/jogo; 0,34 assistências/jogo; 83 minutos/jogo
Alex Ferguson – 290 jogos; 0,41 gols/jogo; 0,21 assistências/jogo; 76 minutos/jogo
Laszlo Bölöni – 2 jogos; 0 gols; 0 assistências; 59,5 minutos/jogo

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo