Espanha

Meu reino por um camisa 9

As raízes da atual seleção espanhola se deram há cinco anos, com Luís Aragonés no Mundial da Alemanha. Desde então já se via o início do futebol com base na posse de bola e em jogadores técnicos e rápidos no meio-campo. Nesse tempo, os espanhóis já usaram 4-4-2 (Copa 2006), 4-1-3-2 (Euro 2008), 4-1-4-1 (Eliminatórias da Euro 2008 e final do mesmo torneio) e 4-2-3-1 (Copa 2010). Em todas essas formações, era fundamental o último número. Afinal, o meio-campo podia trocar passes à vontade. De nada adiantaria se não houvesse alguém para finalizar.

Os atacantes sempre foram David Villa e Fernando Torres, que ficavam como dupla de frente ou se revezavam como único atacante de referência. Funcionou por muito tempo, tanto que a Fúria é campeã europeia com gol de Torres e Mundial com Villa de artilheiro do torneio (ao lado de outros três jogadores). No entanto, pode ser o momento de pensar em um Plano B.

Torres deixou de ser um atacante de elite mundial, mas Villa continua sendo um jogador efetivo, titular do melhor clube do mundo. O problema de Villa é que… ele deixou de atuar como finalizador principal de sua equipe. Desde que chegou ao Barcelona, o asturiano passou a jogar mais pela esquerda, abrindo espaço para Messi jogar como atacante de meio. Claro que ele ainda sabe exercer a função que o consagrou no Valencia e na seleção, mas é preciso alguma readaptação.

A menos de um ano da Eurocopa 2012, isso já começa a se tornar um problema para Vicente del Bosque. O técnico tentou uma formação ofensiva inusitada contra a Inglaterra. Deixou Villa na esquerda, como no Barcelona, e colocou David Silva centralizado. O meia do Manchester City não era centroavante ou atacante de referência, apenas um jogador ofensivo que ficava no meio. Silva subia e descia, e integrava ao meio-campo e, se desse, aparecia para concluir. Messi faz isso no Barcelona e funciona. Mas Silva, por melhor que seja, não é Messi.

Mesmo jogando em Wembley, a Espanha dominou quase o jogo todo. Um domínio estéril. O time tocava a bola, mas o meio-campo não sabia para quem passar. Flatava profundidade para as jogadas. Isso ficou evidente no segundo tempo. Fàbregas, que entrara no lugar de Xavi, teve boa oportunidade (quando os ingleses já venciam por 1 a 0), mas o cacoete de meia o induziu a procurar alguém para tocar a bola. Não achou ninguém.

A Espanha precisa acelerar essa busca por um atacante que tenha como vocação buscar o gol. Dois nomes já estão no radar de Del Bosque há um tempo: Negredo e Llorente. O primeiro não é bem um atacante de referência, mas tem produtividade boa pela seleção (cinco gols em sete jogos). O segundo pinta como bom nome, ainda que o técnico relute em dar mais espaço a ele.

Nesse cenário, fica difícil de justificar a ausência por mais tempo de Soldado. O atacante do Valencia fez apenas duas partidas pela Espanha, em 2007, quando defendia o Osasuna. Ele não é um primor de técnica, mas está em evolução e se destaca por finalizar e fazer bem o papel de pivô. Talvez não seja a solução, mas um teste se faz necessário.

Independentemente do nome escolhido, a Espanha precisa pensar em uma renovação no ataque. Porque não adianta ter o melhor meio-campo do mundo, se ele não encontrar alguém para finalizar seu trabalho.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo