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Messi: “Penso cada vez menos em fazer gols. Estou recuando para ser mais criador que finalizador”

Em meio a problemas coletivos, o Barcelona recorreu muito a Lionel Messi nos últimos anos, e o argentino correspondeu. Sempre corresponde. É o atual detentor dos prêmios de melhor do mundo, mas também está se aproximando dos 33 anos e precisa fazer ajustes ao seu estilo de jogo para continuar no mais alto nível. Em entrevista a La Liga veiculada pela DAZN, e reproduzida em trechos no Goal.com, afirmou que está cada vez mais recuando sua posição dentro de campo e virando um armador, embora seja um dos melhores artilheiros da história.

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“Penso cada vez menos em fazer gols. Estou começando a dar mais passos para trás para ser mais criador do que aquele que finaliza. Obviamente, eu gosto de marcar e, se tiver uma chance, vou aproveitá-la, mas toda vez que vou para o campo estou menos focado em fazer gols e mais focado no jogo. Eu nunca fui obcecado por gols”, afirmou o maior goleador da história de La Liga.

“Eu entendo que as pessoas vão falar sobre isso quando eu parar de fazer tantos gols, mas isso faz parte do jogo, parte de crescer como jogador e me adaptar aos tempos, de ser o melhor jogador para você e para o time”.

“Houve um tempo em que eu não marquei tantos gols. Eu sempre fiz gols pela base da Argentina e do Barcelona, mas eu tive problemas para marcar durante os primeiros anos do time principal. Ou eu cometia erros ou tinha azar. Eu tinha muitas chances, mas não conseguia marcar. Até que um dia, tudo clicou e a bola começou a entrar. Demorou alguns anos para isso acontecer”, completou. “Eu lembro que Eto’o me disse: ‘o dia que você começar a marcar, nunca vai parar’. “

A posição de Messi no Barcelona também sempre flutuou. “Quando cheguei, jogávamos com uma formação 3-4-3, que era complicada para mim porque eu estava jogando na parte de cima do diamante. Eu era um armador acostumado a fazer o que vinha fazendo desde pequeno, me movimentando com muita liberdade. E às vezes eu jogava pela ponta. A realidade é que eu não tinha escolha e fui colocado na direita”, disse.

“Rijkaard me colocou na direita, que era uma posição completamente nova para mim. Eu nunca havia jogado nela antes. Eu tive que começar naquele lado e pouco a pouco fui me acostumando. Eu estava feliz porque estava jogando e o que você quer é jogar, onde quer que seja. Eu pouco a pouco comecei a gostar daquela posição”.

“Eu me acostumei rapidamente, na verdade, porque jogar com o pé invertido significou que eu poderia levar a bola para o meu pé mais forte quando cortasse para o meio e era fácil para mim cortar para o meio e ter uma visão do campo à minha frente. Eu rapidamente me acostumei, nesse sentido”.

“Naquela época, nós jogávamos com Giuly, Eto’o e Ronaldinho, e eu comecei a entrar no time. Depois, comecei a ser usado muito mais e era mais comum ver pontas invertidos”, completou.

Quando Guardiola assumiu a equipe, teve a ideia de utilizá-lo como o “falso 9”, o atacante que aproveita os espaços entre as linhas de defesa e meio-campo e entra na área para finalizar, enquanto analisava vídeos do Real Madrid antes de um clássico.

“Eu lembro que foi uma surpresa para mim porque eu fui chamado na véspera do jogo ao escritório de Guardiola e me disseram que ele estava vendo muitos jogos do Real, como fazia com todos os adversários”.

“Ele conversava com Tito Vilanova e eles pensaram em me usar como falso nove. Ele colocaria Samuel e Thierry Henry pelos lados, e eu jogaria como falso centroavante. Eu não ficaria naquela posição, mas me aproximaria do meia central”.

“A ideia era que os zagueiros do Real Madrid me seguiriam e os dois rápidos pontas que tínhamos apareceriam nas suas costas. Na verdade, um dos gols de Henry foi assim. Foi uma surpresa para nós e para o Real. Eu lembro que tivemos muita posse e sempre tínhamos um homem extra no meio de campo”.

“Eu nunca havia jogado como centroavante, mas conhecia a posição porque implicava que eu saísse de trás, sem ser um número 9 estático. Não foi uma grande mudança para mim. Eu vinha jogando pelos lados por anos e sabia como era a posição”, disse.

E quando Xavi e Iniesta saíram do Barcelona, Messi recuou mais um pouco. “Eu me acostumei a jogar mais para trás nos últimos anos, pegando a bola e me aproximando dos meias para ter mais posse. Isso também aconteceu porque não tínhamos mais Xavi ou Iniesta porque, com eles, tínhamos muita posse durante o jogo inteiro. Sem eles, eu comecei a recuar um pouco mais para dar superioridade numérica, sempre com a ideia de chegar à frente e tentar marcar também”, explicou.

 O recorde mais significativo

Lionel Messi é detentor de muitos recordes, mas um deles é especial: maior artilheiro da história de La Liga, com 432 gols em 466 rodadas. “Alguns jogadores espetaculares atuaram nesta liga, a melhor do mundo, e ser o maior artilheiro dela, com o que La Liga representa, é especial”, afirmou.

“Acho que é um dos recordes mais legais que tenho. Eu passei muitos e muitos anos nesta liga, muitas temporadas. Eu não sei se outro atacante está aqui há tanto tempo quanto eu (Aritz Aduriz, do Athletic, estreou dois anos antes que Messi em La Liga). Isso me ajuda a continuar crescendo em termos de gols e é uma honra fazer parte da história de La Liga”, completou.

O duelo com Cristiano Ronaldo

Cristiano Ronaldo e Messi em 2015, no prêmio da Fifa (Getty Images)

Além do peso das camisas envolvidas, o clássico entre Barcelona e Real Madrid também colocavam frente a frente os dois melhores jogadores da última década, e o duelo com Cristiano Ronaldo sempre terá um significado importante para Messi.

“É um duelo que será eterno porque durou tantos anos e é fácil se manter no nível mais alto por tanto tempo, especialmente nesses dois clubes em que estávamos, que são tão exigentes. Competir cabeça a cabeça por tantos anos será lembrado para sempre”.

“A rivalidade esportiva entre nós era bacana em um nível pessoal. Eu acho que os torcedores gostavam dela, do Real Madrid ou do Barcelona e também os que apenas gostam de futebol”.

“Quando Cristiano estava no Real Madrid, os jogos contra ele sempre foram especiais. O Real Madrid, pelo que esses jogos significam, tornou-o muito mais especial, mas esses tempos estão para trás e as coisas seguem”, encerrou.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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