Espanha

Marcelo Bielsa dá uma ajuda a Muricy Ramalho

Desde que teve uma crise de hérnia, há duas semanas, Muricy Ramalho ficou afastado dos trabalhos diários no Santos. Viciado em futebol e com um grande compromisso marcado para dezembro na agenda, estudou cada variação, cada jogada, cada jogador do Barcelona. E, claro, imaginou meios de fazer seu time superar o gigante catalão no Mundial de Clubes. Já não precisa imaginar mais.

Neste domingo, o Athletic Bilbao mostrou que é possível parar o Barcelona de Guardiola mesmo sem ter o orçamento do Real Madrid ou José Mourinho no banco de reservas. O time basco não apenas empatou com o Barça, como esteve a dois minutos da vitória em um jogo em que contou muito mais com seu próprio futebol do que com a sorte ou uma eventual atuação ruim (o que não aconteceu) do atual tricampeão espanhol.

Muricy tinha essa ideia. Na semana passada, disse que havia analisado diversas partidas do Barcelona e ficava evidente como o campeão europeu atuava bem diante de todos os estilos de jogo. Por isso, a única opção ao Peixe é atuar ofensivamente, considerando que o melhor caminho era usar suas armas, e não tentar anular as do adversário. Foi o que fez Marcelo Bielsa em San Mamés.

O técnico argentino montou o Athletic de modo ofensivo, sem temer o adversário. De Marcos e Iturraspe ficaram na marcação no meio-campo, com Ander Herrera na armação, ajudado pelos rápidos Muniain e Susaeta (que variavam de pontas a meias abertos). Llorente era a referência no ataque. Mais importante que a disposição tática era a determinação dos bascos.

O Athletic correu, correu, lutou, lutou. Não deu oportunidade para o Barcelona respirar. Sem a bola, os bilbaínos sempre chegavam na marcação. Com a bola, sempre estavam prontos para preencher qualquer espaço que o Barcelona cedesse. E assim surgiu o primeiro gol. Susaeta aproveitou um espaço deixado por Daniel Alves e avançou em valocidade pela esquerda. Mascherano chegou na cobertura, mas foi superado pelo atacante basco, que tocou para Herrera tocar no canto esquerdo de Valdés.

Claro que nem todo o esquema coletivo resiste a um momento de grande brilho individual. No empate barcelonista, Abidal estava marcado por um jogador do Athletic. Havia ainda outros três na cobertura. Não havia como a equipe da casa demonstrar mais sentido coletivo na defesa. Mas o francês arrumou um cruzamento na cabeça de Fàbregas, que empatou o jogo.

Mesmo com chuva, o segundo tempo foi no mesmo ritmo. Muita intensidade, muita disputa. Aí, o acaso deu as caras. Um gol quase sem querer de Llorente e o empate do Barcelona com um gol de Messi (o primeiro do argentino em San Mamés) nos acréscimos, após San José (em excesso de vontade) atrapalhar Iraizoz em uma bola fácil para o goleiro.

Guardiola e Bielsa, amigos desde que o espanhol visitou o argentino em sua turnê de estudos para se tornar técnico, saudaram o bom futebol das duas equipes e a justiça do empate. Mas quem ficou feliz foi Muricy. Ele já sabia que o Santos precisaria atacar o Barcelona. Agora, até já tem 90 minutos de vídeo para mostrar a seus jogadores como a estratégia pode funcionar.

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Equipe Trivela

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