Espanha

Mapa para fugir do inferno

Dez times, metade do total, separados por 11 pontos. Doze confrontos diretos em cinco rodadas e três vagas na segunda divisão. A briga pelo rebaixamento no Campeonato Espanhol esquentou na última semana, quando Xerez, Valladolid e Tenerife obtiveram bons resultados e deixaram a condição de doentes terminais. Agora, tudo embolou novamente, com lanternas que ganharam ânimo diante de equipes que já estavam relaxadas com a perspectiva de não terem de lutar contra o rebaixamento.

Veja um rápido guia do que espera cada uma das equipes que ainda se preocupam com o rebaixamento.

Osasuna

Pontos: 38
Últimas cinco rodadas: 7 pontos
Partidas restantes: Athletic Bilbao (C), Real Madrid (F), Deportivo de La Coruña (C), Espanyol (F) e Xerez (C)
O que precisa fazer: Só precisa se garantir em casa no dérbi basco contra o Athletic, o desanimado Deportivo e o talvez já rebaixado Xerez. Situação sob controle, mesmo com duelos fora de casa bastante complicados.
O que não pode fazer: Desperdiçar pontos em casa. Como visitante, o Osasuna pega o Real Madrid (quase perfeito como mandante e ainda em disputa pelo título) e o confronto direto com o Espanyol, outra equipe forte em seu estádio. Se a perspectiva é de poucos pontos fora de casa, o jeito é contar com os jogos em Pamplona.

Almería

Pontos: 38
Últimas cinco rodadas: 2 pontos
Partidas restantes: Espanyol (C), Xerez (F), Villarreal (C), Tenerife (F) e Sevilla (C)
O que precisa fazer: Se tocar que o campeonato ainda não acabou. O Almería fez 18 pontos (quase metade de seu total) nas nove primeiras rodadas do returno. Praticamente havia assegurado o lugar na elite, mas dois pontos nas últimas cinco rodadas é o tipo de relaxamento imperdoável.
O que não pode fazer: Perder os próximos dois jogos. Se cair nos confrontos direto com Espanyol e Xerez, aprofundarão a má fase, terão crise de confiança e verão a zona de rebaixamento se aproximar.

Espanyol

Pontos: 38
Últimas cinco rodadas: 6 pontos
Partidas restantes: Almería (F), Valencia (C), Zaragoza (F), Osasuna (C) e Mallorca (F)
O que precisa fazer: Se mantiver a produção das últimas partidas em casa (3 a 0 no Atlético de Madrid e 0 a 0 com o Barcelona), o Espanyol não terá muito com o que se preocupar.
O que não pode fazer: Confiar em seu ataque, o pior do campeonato.

Sporting Gijón

Pontos: 37
Últimas cinco rodadas: 2 pontos
Partidas restantes: Valladolid (C), Málaga (F), Getafe (F), Atlético de Madrid (C) e Racing de Santander (F)
O que precisa fazer: Tem três partidas fora de casa – o que é péssimo, sobretudo porque são dois confrontos diretos –, mas os jogos em casa são acessíveis. O Valladolid é confronto direto e o Atlético de Madrid está se arrastando em campo, com cabeça apenas em Liga Europa e Copa do Rei. Com seis pontos e mais um empate fora de casa, deve dar para escapar.
O que não pode fazer: Santander e Gijón são cidades próximas, capitais de regiões vizinhas no norte da Espanha. Deixar a definição para a última rodada, fora de casa nesse quase-dérbi com o Racing é perigosíssimo. E, se o time mantiver a produção atual (dois pontos nos últimos cinco jogos), não seria difícil isso ocorrer.

Racing de Santander

Pontos: 36
Últimas cinco rodadas: 5 pontos
Partidas restantes: Villarreal (C), Tenerife (F), Sevilla (C), Valladolid (F) e Sporting de Gijón (C)
O que precisa fazer: Tirar algum coelho da cartola. Pela classificação, a situação dos cântabros está sob controle, com quatro pontos de vantagem sobre o melhor dos rebaixados. Mas a tabela é bastante complicada, com jogos fora de casa contra times em ascensão e em casa contra equipes tecnicamente mais fortes – e um quase-dérbi na última. Tirar algum ponto inesperado é fundamental para o Racing.
O que não pode fazer: O time de Santander é fraco tecnicamente, mas tem mostrado consciência de suas limitações e faz uma campanha estável desde o início. Perder esse ritmo pode afundar a equipe em uma crise, que não teria volta com o campeonato se encerrando.

Zaragoza

Pontos: 34
Últimas cinco rodadas: 8 pontos
Partidas restantes: Real Madrid (C), Deportivo de La Coruña (F), Espanyol (C), Xerez (F) e Villarreal (C)
O que precisa fazer: A tabela não ajuda, mas o Zaragoza faz uma campanha bastante decente no segundo turno (ainda paga pelo péssimo desempenho do primeiro). Se não se assustar com o crescimento de Tenerife e Valladolid e mantiver o futebol competitivo desde a virada do ano, quando resolveu apostar em garotos, deve escapar. Até porque só tem dois confrontos diretos (talvez um, pois o Xerez pode estar rebaixado na penúltima rodada). Mas está passando um risco desnecessário.
O que não pode fazer: Perder em A Coruña. A derrota contra o Real Madrid é provável, e uma segunda queda na Galícia pode recolocar os maños na zona de rebaixamento. Como tem mais tradição que os concorrentes, o risco de queda sempre gera pressão maior.

Málaga

Pontos: 33
Últimas cinco rodadas: 3 pontos
Partidas restantes: Mallorca (F), Sporting de Gijón (C), Athletic Bilbao (F), Getafe (F) e Real Madrid (C)
O que precisa fazer: Sejamos honestos, a tabela do Málaga é uma desgraça. Visita Mallorca, Getafe e Athletic (juntos, os três perderam apenas nove de 48 jogos que fizeram em casa neste campeonato) e pega o Real Madrid. Vencer o Sporting na Andaluzia é obrigação, como arrancar pelo menos dois pontos em Palma de Maiorca, Bilbao ou Getafe. Difícil.
O que não pode fazer: Confiar apenas nos jogos em casa. Se o Real Madrid já estiver desinteressado na última rodada, é possível vencê-lo. Mas o Málaga precisa de uma margem de segurança maior. Se cair à zona de rebaixamento, talvez não tenha forças para sair.

Tenerife

Pontos: 32
Últimas cinco rodadas: 8 pontos
Partidas restantes: Atlético de Madrid (F), Racing de Santander (C), Barcelona (F), Almería (C) e Valencia (F)
O que precisa fazer: O Atlético de Madrid está rezando para o campeonato acabar logo e não tem pudor de perder em casa. O Racing é um time fraco. É perfeitamente possível ao Tenerife vencer as duas próximas partidas, sair da zona de rebaixamento e jogar a pressão para os concorrentes. Se fizer isso, uma vitória contra o Almería nas Ilhas Canárias já pode salvar.
O que não pode fazer: Deixar escapar as oportunidades das próximas duas rodadas. Se precisar fazer pontos no Camp Nou e em Mestalla, o Tenerife pode se preparar para o retorno à segundona.

Valladolid

Pontos: 29
Últimas cinco rodadas: 5 pontos
Partidas restantes: Sporting de Gijón (F), Getafe (C), Atlético de Madrid (F), Racing de Santander (C) e Barcelona (F)
O que precisa fazer: A tabela nem é das piores, mas o Valladolid está quatro pontos atrás do Málaga, o último a não cair. É preciso uma arrancada, como fazer de oito a dez pontos nas próximas quatro partidas. Como o Málaga tem jogos difíceis pela frente, dá para ultrapassar. Mas está difícil.
O que não pode fazer: Deixar de ganhar em Gijón na próxima rodada. Com uma vitória, a desvantagem em relação ao Sporting cai para cinco pontos e a briga se acirra. Uma derrota dos blanquivioletas seria fatal.

Xerez

Pontos: 27
Últimas cinco rodadas: 8 pontos
Partidas restantes: Barcelona (F), Almería (C), Valencia (F), Zaragoza (C) e Osasuna (F)
O que precisa fazer: O Xerez tem uma equipe muito fraca e a tabela é bastante complicada, até porque concentra os jogos difíceis nas próximas três rodadas – o que pode matar a boa fase. Mas os andaluzes se negam a morrer, e isso é notável. O Xerez fez 16 pontos (mais da metade do que possui) nas últimas dez rodadas. Uma evolução notável. Do ponto de vista prático, vencer Almería e Valencia pode manter a equipe respirando por mais tempo.
O que não pode fazer: Entregar os pontos. O time está virtualmente rebaixado, mas a arrancada final manterá a dignidade do Xerez e indica o caminho para um rápido retorno à elite. Ainda mais em um clube que estava à deriva na virada do ano.

My roof, my rules

Uma semana depois de vencer o Real Madrid no Santiago Bernabéu – e ficar com cara de que o título estava no papo –, o Barcelona tropeçou no Espanyol no dérbi catalão e viu a vantagem na ponta cair a um ponto. Não foi um grande negócio sair com o 0 a 0 do Cornellà-El Prat, mas é injusto condenar o Barça. Afinal, os pericos foram perfeitos em anular os blaugranas, de um modo que, talvez, apenas o Rubin Kazan tenha feito (no jogo no Camp Nou pela Liga dos Campeões).

O Espanyol se fechou. A linha defensiva (Chica, Pareja, Victor Ruiz e Didac) não avançou. Aos quatro se uniram os volantes Baena e Forlín e até o meia Callejón. Com isso, a intermediária ficou congestionada, quebrando a velocidade do Barcelona. Messi não conseguiu se deslocar e Xavi ficou preso no meio.

Claro, se fosse tão simples, todo mundo faria isso para segurar o barça. Mas o time de Mauricio Pochettino contou com outros dois elementos: o Barcelona estava sem jogadas pelas pontas (Pedro não teve uma grande noite, Maxwell ficou de meia ofensivo por falta de opções – Ibrahimovic ainda volta de contusão e só jogou no segundo tempo – e Daniel Alves foi injustamente expulso) e cada jogador espanyolista atuou com a dedicação de quem estava em final de Copa do Mundo. Não houve jogo, na prática. Um time tentou anular o outro e conseguiu. Simples assim.

É compreensível. Considerando que uma vaga para competição europeia era ilusão, o torcedor perico tinha apenas dois desejos para a temporada: não rebaixar e não perder para o Barcelona no primeiro dérbi catalão do estádio Cornellà-El Prat. E foi para isso que Pochettino organizou a equipe. Vencer era muito menos importante do que não perder. Até o contra-ataque foi sacrificado em nome de um jogo travado.

Os críticos podem chamar de antijogo. Mas o Espanyol teve seus motivos para elaborar essa estratégia. E o fez com sucesso. Se esse empate tirar o título do Barça, a torcida espanyolista ficará ainda mais satisfeita. E terá valido a pena.

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Equipe Trivela

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