Em retrospecto, o salto do Bordeaux para o Barcelona em 2018 foi um equívoco a Malcom, mas a coragem de fazê-lo e também o bom nível que apresentou na temporada em que esteve na Catalunha também mostram bastante do jogador que é. Em entrevista ao Marca, o brasileiro, hoje no Zenit, admitiu que ficou um pouco triste de deixar o clube, mas demonstrou orgulho pelo que conseguiu fazer nas oportunidades escassas que teve.
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Perguntado se por trás de sua saída estaria uma possível conversa com Valverde sobre seu tempo de jogo no que seria sua segunda temporada no Barça, Malcom desconversou e preferiu ressaltar o que deu certo.
“A única coisa que levo comigo é que, sempre que tive a oportunidade, estive pronto para jogar, ninguém pode dizer o contrário. Quando estive no campo, dei meu máximo. Fui bem, dei um pouco mais de energia ao jogo. Saí um pouco triste, mas sabia que tinha realizado meu sonho: joguei na Champions League, marquei contra o Real Madrid em um clássico e parti com a cabeça tranquila, porque fiz um bom trabalho”, avaliou.
Ainda muito jovem, com apenas 22 anos, parece saber o valor de não se destruir as pontes que construiu. Revela manter contato com Abidal, diretor esportivo culé, e reforça que deixou o clube sem nenhum problema de relacionamento. Era simplesmente uma questão de tempo de jogo.
“Nunca fui mal interpretado. Deixei o Barcelona com uma boa relação com eles. Eu apenas queria jogar futebol. Todo jogador profissional quer jogar, e o Zenit queria que eu jogasse. Então, escolhi o Zenit. Não tive nenhum problema.”
Malcom tentou ao máximo ser elogioso à sua ex-equipe, mas concordou que a qualidade de Messi ajuda a esconder problemas coletivos do time: “Sim, alguns deles. Mas, com o Leo, o Suárez, Griezmann, Rakitic, De Jong, Arthur, Vidal, eles têm muitos outros jogadores também. Não é só o Leo, é o grupo todo. O Leo é o melhor jogador do mundo, às vezes faz coisas malucas e ajuda o Barcelona demais. É por isso que, às vezes, quando se fala de Barcelona, falam sobre o Leo. É normal, por tudo que ele faz”.
A temporada do Barça, até aqui nada tranquila, deverá ser ainda mais complicada nestes próximos três meses, e o clube certamente não acharia ruim se tivesse o brasileiro como opção para o ataque. Entre lesões e negociações, restaram apenas quatro jogadores de ataque: Messi, Griezmann, o garoto Ansu Fati, de apenas 17 anos, e Álex Collado, do Barça B.
De qualquer forma, o tempo passou, a fila andou, e Malcom parece plenamente satisfeito de sua escolha. “Havia três ou quatro equipes (interessadas), mas o Zenit é a que mais me queria, e então eu os escolhi. Brasileiros já jogaram aqui e fizeram história, e eu também quero fazer história e ser um ídolo aqui. Os torcedores gostam muito de mim aqui, os treinadores estão sempre perguntando se preciso de alguma coisa. Foi fácil escolher o Zenit”, explicou.
Se fora de campo as coisas têm ido bem, dentro deles Malcom poderia contar com maior sorte. Não é a mais fácil das temporadas de estreia. Logo após trocar o Barcelona pelo Zenit, sofreu uma lesão no centro de treinamento, enquanto praticava cobranças de bola parada.
“O técnico (Sergei Semak) me disse que queria que eu cobrasse faltas e escanteios novamente, e eu estava bastante disposto. Depois do treino, fiquei praticando, exagerei na dose e rompi o tendão. Foi a pior coisa que poderia ter acontecido. Agora, estou ansioso para voltar a jogar”, projetou.
O destino foi cruel com o jogador, que havia feito apenas dois jogos oficiais pela equipe russa antes da lesão e acabou ficando de fora do restante da temporada. Em preparação para a nova campanha, que começa no fim de fevereiro, não vê a hora de deixar aqueles dias mais duros para trás.
“Quando você está machucado, parece que o tempo não passa. Graças a deus eu tenho minha família, minha esposa, que está sempre comigo. Mas foi muito difícil. Às vezes eu nem vejo as partidas, porque sua vontade é sempre de estar lá, jogando. Porém, agora estou muito feliz de voltar a treinar com o grupo e a jogar, mesmo que apenas em amistosos.”



