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Málaga precisa de um dono que pense no clube de verdade

A sentença já era esperada, mas o Málaga ainda mantinha os últimos recursos para tentar revertê-la. Por fim, a Corte Arbitral do Esporte (CAS) definiu que os boquerones não poderão disputar a próxima edição da Liga Europa, para qual tinham assegurado a classificação através do Campeonato Espanhol. Uma pendência declarada há meses, por conta dos salários atrasados pelo clube andaluz no final da temporada 2011/12.

A situação financeira delicada do Málaga vem de algum tempo. Depois de viverem um conto de fadas após a chegada do xeique Abdullah Al Thani, que prometeu milhões de investimentos e colocou o clube na Liga dos Campeões, os albiazules passaram a sofrer quando o magnata cansou de seu brinquedo. Perderam seus principais jogadores e passaram acumular dívidas, sem desembolsar um tostão em busca de reforços.

Manuel Pellegrini fez milagre com o Málaga nesta temporada. Trouxe medalhões em fim de contrato, apostou em promessas como Isco e montou uma equipe eficiente. Foi capaz não apenas de se classificar para as competições europeias em La Liga, com teve desempenho histórico até as quartas de final da Liga dos Campeões – na qual só caiu por causa do polêmico gol do Borussia Dortmund, nos acréscimos do segundo tempo.

Com a provável saída de Pellegrini, os albiazules ainda não começaram a ensaiar sua reestruturação. Nem mesmo a situação dos jogadores começou a ser regularizada, com dez membros do elenco em fim de contrato. Sem o bem-vindo dinheiro da Liga Europa, mesmo que não tenha a tarefa extra de disputar o torneio continental, o Málaga terá um pouco mais de dificuldades de se organizar. E, sem planejamento, os objetivos ficam ainda mais distantes.

A situação poderia ser ainda mais caótica, mas ao menos a diretoria conseguiu quitar antes de abril as dívidas que o clube mantinha e diminuir a pena imposta pela Uefa, que era de duas temporadas longe das competições continentais. Agora, Al Thani precisa ser mais consciente e resolver, de fato, se quer se manter de verdade no controle dos boquerones. Ou então, deixá-lo para alguém que realmente tenha competência para fazê-lo.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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