
Para vencer um jogo, não basta ser melhor por mais tempo. É preciso ser mais decisivo. Como dizem os mais antigos, no futebol, o que vale é bola na casinha. E o Barcelona teve mais capacidade para matar o jogo e, por isso, venceu o clássico deste domingo com todos os méritos. Longe de ser uma vitória fácil, os blaugranas contaram principalmente com o talento individual de seus atacantes, contra a força coletiva do Real Madrid na marcação. Coube a Luis Suárez assumir o papel de protagonista e anotar o gol que garantiu o triunfo por 2 a 1. Que deixa o Barça em excelente condição no Campeonato Espanhol, com quatro pontos de vantagem sobre os rivais na liderança.
Era natural que se esperar por um bom jogo no Camp Nou, com tantos craques em ambos os lados. Entretanto, não deixava de ser um clássico. E a tensão era evidente, sobretudo pelo papel decisivo que a partida possuía. O Barcelona visava abrir margem pela reconquista de La Liga, mas não só isso. Bater o Real Madrid também significava manter o moral do time elevado, assim como brecar a recuperação dos merengues, que começou a se desenhar a partir da volta de Luka Modric ao time.
O croata, aliás, ajuda a dar muito mais consistência ao meio-campo do Real. E isso valeu para o melhor primeiro tempo da equipe. Marcando forte no campo de ataque, os merengues não davam muitas brechas para os catalães atacarem. Além disso, tiveram a primeira grande chance da partida a partir de uma ótima arrancada de Marcelo, um dos melhores em campo. Benzema cruzou e Cristiano Ronaldo, sozinho no segundo pau, carimbou o travessão.
Dar brechas para o Barcelona, no entanto, pode ser fatal, mesmo por poucos segundo. O que valeu o primeiro gol da partida, de Mathieu. A partir de uma falta na entrada da área, Messi cruzou no capricho e o zagueiro passou livre da marcação de Sergio Ramos, cabeceando para as redes. Foi a 15ª assistência do camisa 10 no Campeonato Espanhol, também o líder da liga nestas estatísticas.
Entretanto, o jogo que o Real Madrid propunha até fazia o time de Carlo Ancelotti se assemelhar ao do Barcelona. Jogava e não deixava os blaugranas jogarem. Vários foram os lances em que o time da casa precisou dar passes perigosos nas proximidades de sua área. E o gol merengue nasceu a partir de um contragolpe rápido, em excelente trama coletiva. Benzema deu um passe magistral para Cristiano Ronaldo só tirar do alcance de Bravo e comemorar pedindo “calma” outra vez – diante das sistemáticas vaias da torcida. E o goleiro do Barcelona era um dos melhores do time, essencial em várias defesas. Além disso, houve um gol de Bale muito bem anulado pela arbitragem, em impedimento mínimo de Ronaldo na construção da jogada.
O jogo mudou de mãos no segundo tempo, contudo. O Real Madrid até tentou manter a pressão no início, com Benzema chamando a responsabilidade. Mas também começou a se cansar, perdendo a intensidade na marcação. Por fim, o sonho de vencer dentro do Camp Nou se tornou muito mais difícil aos 11 minutos, com o gol decisivo do Barcelona. A partir de um lançamento preciso de Daniel Alves, Luis Suárez dominou com classe e tirou do alcance de Casillas. Os merengues não conseguiriam reagir.
Não que o Real não tenha criado chances para empatar. Na melhor, Bravo voou para espalmar um chute desviado de Benzema. O problema é que, se os madridistas marcassem, seria mais por um lance isolado do que por volume de jogo. E ainda precisavam se preocupar bastante para não tomar o terceiro. Aproveitando a velocidade de seu ataque, o Barça perdeu um caminhão de gols. Neymar saiu de frente para o gol duas vezes, mas errou o alvo. Messi também começou a aparecer mais, criando as jogadas. Já Casillas manteve vivas as esperanças dos visitantes, com duas defesas fundamentais. Em vão.
Pelo nível de jogo, dá para carimbar o favoritismo do Barcelona no Campeonato Espanhol. Quatro pontos, de fato, não é uma grande vantagem. Mas as atuações do time em 2015 credenciam demais ao título. O Real Madrid, por sua vez, tende a recuperar o seu espaço. O jogo deste domingo demonstrou isso, em uma boa atuação como há tempos os madridistas não viam. Mas, para recuperar a liderança, os visitantes precisavam vencer no Camp Nou. Faltou combinar com Suárez.



