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Volantes do Brasil passaram melhor que Xavi e Iniesta

Os números da Espanha costumam ser tão fora da escala que muitas vezes perdemos o parâmetro. Na final da Copa das Confederações, os espanhóis acertaram 88% dos passes. Índice alto, mas é o pior desde que Vicente del Bosque assumiu a equipe, logo após a conquista da Eurocopa de 2008. E muito disso tem a ver com o modo como o Brasil fechou seu meio-campo.

No começo, a estratégia foi de marcação pressão, com Hulk e Oscar participando demais. A partir dos 20 minutos, a Espanha conseguiu tocar mais a bola. Ainda assim, não tinha efetividade. Porque o Brasil soube recuar sem correr riscos para explorar contra-ataques. E esse “saber recuar” tem ligação direta com a atuação da dupla de volanets.

Pensando apenas do ponto de vista tático (e esse não é o único jeito de se ver um jogo, que fique claro), Luiz Gustavo foi o principal jogador do Brasil. Foi incansável para fechar espaços e não deixar Xavi e Iniesta carimbarem as jogadas. E, para isso, contou com a companhia de Paulinho, muito mais recuado do que o normal.

Juntos, ambos tiveram quatro desarmes, sete interceptações de jogadas e oito faltas cometidas. E, mais recuados, tiveram bom desempenho ajudando a iniciar os contra-ataques. Foram os brasileiros que mais acertaram passes (92% Luiz Gustavo e 90% Paulinho) e ainda acertaram cinco lançamentos em cinco tentativas (todos de Luiz Gustavo).

O sinal de como o desempenho defensivo da dupla teve resultado está no que Xavi e Iniesta, seus oponentes diretos em campo, fizeram. O primeiro acertou 92% dos passes e o segundo, 85%, números mais baixos de ambos em toda a Copa das Confederações. Considerando o desempenho conjunto das duas duplas, a brasileira teve melhor aproveitamento de passes. Isso mostra como uma soube destruir e, a partir disso, iniciar a construção de jogadas. E a outra foi inócua.

Neymar, Fred e Hulk foram os três grandes jogadores da final pela participação nos lances de gol. Mas isso foi possível, em grande parte, pela grande atuação de Luiz Gustavo e a colaboração essencial de Paulinho.

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Ubiratan Leal

Ubiratan Leal formou-se em jornalismo na PUC-SP. Está na Trivela desde 2005, passando por reportagem e edição em site e revista, pelas colunas de América Latina, Espanha, Brasil e Inglaterra. Atualmente, comenta futebol e beisebol na ESPN e é comandante-em-chefe do site Balipodo.com.br. Cria teorias complexas para tudo (até como ajeitar a feijoada no prato) é mais que lazer, é quase obsessão. Azar dos outros, que precisam aguentar e, agora, dos leitores da Trivela, que terão de lê-las.

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