‘Disse a Luis Enrique que ele estava nos transformando em robôs e que não éramos computadores’
Ex-jogador do técnico espanhol relembra campanha surpreendente em LaLiga e adaptação à filosofia de trabalho
Antes de conquistar a Champions League inédita na história do PSG, Luis Enrique deu seus primeiros passos como treinador no time B do Barcelona. Após passagem frustrada pela Roma, o espanhol assumiu o Celta de Vigo em 2013/14, quando despontou como um dos nomes mais promissores de sua geração.
Durante participação no podcast “Offsiders”, Augusto Fernández relembrou como teve que se reinventar com a chegada de Luis Enrique. O argentino estava no Celta desde 2012 e vinha atuando como ponta, porém, passou a ser escalado como meio-campista central com o novo treinador.
Fernández não foi o único a enfrentar mudanças com o espanhol, que implementou uma filosofia de jogo completamente diferente da temporada passada, quando o Celta de Vigo brigou contra o rebaixamento em LaLiga. E o choque de estilos fez com que a equipe passasse a oscilar.

— Fui falar com Luis Enrique e disse: “Senhor, não entendemos. (Você) assumiu um time que escapou por pouco do rebaixamento e nós não conseguimos entender. Parece que estamos pensando no que temos que fazer em campo, recebo a bola e fico pensando no que o outro jogador vai fazer e depois no que eu devo fazer.” — começou Augusto Fernández
— Expliquei a situação para ele e disse que ele estava nos transformando em robôs, que não éramos computadores — finalizou o ex-jogador argentino.
Como Luis Enrique reverteu situação do Celta de Vigo?
Nas primeiras nove rodadas daquela edição do campeonato, o Celta teve apenas uma vitória, três empates e cinco derrotas. Fernández relembra que a resposta de Luis Enrique a seu desabafo foi que “a responsabilidade era dele”, e que “o vestiário deveria se manter focado” para que o cenário se revertesse.
A conversa franca entre o meia argentino e o técnico espanhol surtiu efeito, e o elenco comprou a filosofia pautada em um “jogo de posse de bola agressiva”. Até o fim de 2013/14, o Celta de Vigo se distanciou do fantasma da segunda divisão e terminou LaLiga na 9ª posição.
— Fomos muito bem, com uma identidade clara e um estilo de jogo muito atraente. Dominamos os nossos adversários — declarou Augusto Fernández.

À época, Luis Enrique incentivou a participação do goleiro na primeira fase de construção para ter vantagem numérica, o que causou estranheza entre os atletas do Celta. O ex-atleta admite que chegou a pensar que o treinador era “maluco”, mas, com o tempo, compreendeu a importância tática desse aspecto do jogo.
— Isso mostra que muitas vezes não é a ideia em si, mas como o técnico te faz acreditar nela. Se ele te faz acreditar, você se entrega totalmente. É por isso que o diálogo é tão importante, fazendo sem impor, para que seja sentido. Caso contrário, o jogador percebe e não acredita — concluiu Fernández



