
Quando conquistou La Liga em 2013/14, o Atlético de Madrid quebrou o próprio recorde de pontos no primeiro turno do torneio. Líderes ao lado do Barcelona, os colchoneros fecharam a metade inicial da campanha com 50 pontos – somente dois empates e uma derrota. Um desempenho incrível. Porém, se repetir a marca parece dificílimo, o clube não demorou a terminar o primeiro turno outra vez na ponta, graças às oscilações dos dois gigantes. Embora os blaugranas tenham um jogo a menos, os rojiblancos encerraram a 19ª rodada acima de todos os outros concorrentes. Liderança mantida graças a uma vitória difícil, batendo o Celta de Vigo por 2 a 0 dentro do Estádio Balaídos – algo que o Barça não conseguiu em setembro.
Mais uma vez, Antoine Griezmann teve papel decisivo para o Atlético. Grande nome da equipe, o francês abriu o placar aos quatro minutos do segundo tempo. Deu uma enfiada de bola milimétrica para Luciano Vietto, que devolveu a tabela para o companheiro estufar as redes. Com 10 tentos e duas assistências, o camisa 7 teve participação direta em 44,4% dos gols do Atleti na Liga. Já nos minutos finais, quando o Celta buscava o empate, Yannick Ferreira Carrasco definiu o placar graças a um contra-ataque mortal.
Ao lado das bolas paradas, os contragolpes e Griezmann continuam sendo os grandes trunfos ofensivos do Atlético de Madrid nesta temporada. Mas, a despeito da grande fase do atacante, os números do ataque não têm sido tão expressivos: foram 27 tentos em 19 rodadas, 20 a menos do que na temporada do título e a pior marca do time desde 2006/07. Assim, a solidez defensiva se tornou um fator ainda mais primordial aos rojiblancos, que marcaram mais de dois gols só uma vez em toda a campanha. Oblak, Godín e os demais esteios defensivos preponderam.
O Atlético de Madrid sofreu apenas oito gols em 19 partidas, uma marca espetacular. São sete tentos a menos que Barcelona e Málaga, em segundo no quesito. Além disso, considerando as cinco grandes ligas europeias, só o Bayern de Munique consegue igualar os colchoneros – e disputando dois jogos a menos. No ano do título, o time de Diego Simeone tomou três gols a mais. Só o Barcelona conseguiu balançar as redes mais que uma vez contra o clube de Madri nesta temporada.
A atual média, de 0,42 gols sofridos por jogo, pode colocar o Atleti até mesmo na história de La Liga. O número supera a melhor defesa já registrada em uma temporada completa na Espanha, o Deportivo de La Coruña de 1993/94. Com Mauro Silva e Donato entre os destaques na retaguarda, os albiazules sofreram 18 tentos em 38 rodadas, média de 0,47. Levando em conta apenas o primeiro turno, no entanto, o Depor sofreu apenas seis gols naquele ano. O Atlético iguala a segunda melhor marca, registrada antes também pelo Barcelona de 1986/87 e pelo próprio Atlético de 1995/96, quando conquistou o doblete. Já em toda a história das cinco grandes ligas europeias, apenas quatro times fecharam suas campanhas com uma média melhor que a atual dos rojiblancos, e só um desde os anos 1980, o Chelsea de 2004/05.
Se quiser seguir brigando pelo título, o Atlético de Madrid precisa melhorar a sua produção ofensiva. Não dá para viver tantas vezes no fio da navalha. Mas, por enquanto, a defesa já deu conta de garantir a liderança. De qualquer forma, os colchoneros precisam ter consciência do passado: quando estabeleceu o recorde, o Depor foi apenas vice-campeão. Perdeu a taça na última rodada para o Barcelona, com o mesmo número de pontos, mas desvantagem no saldo de gols do confronto direto. O empate por 0 a 0 na partida decisiva contra o Valencia, com um pênalti desperdiçado por Djukic, até hoje dói na alma dos torcedores albiazules.



