Lição de casa
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Muitas vezes, damos nosso melhor, nos esforçamos ao máximo, dedicamos todas nossas energias para alcançar algo, mas nem sempre isso é possível. Aceitem ou não, o velho ditado popular “querer não é poder” se mostra irredutível em diversas oportunidades. Esse é o caso do Real Madrid na temporada 2009/09 da Liga espanhola.
Nos últimos 15 jogos, foram 14 vitórias. Uma marca impressionante, e que o deixaria, tranquilamente, na primeira colocação da maioria dos campeonatos nacionais pelo mundo. Em seu próprio território, porém, isso não é suficiente. Em uma temporada que o Barcelona pratica um dos melhores futebol jogado nos últimos anos, os Merengues sonham, mas está difiícil alcançar os Culés – por sinal, a última derrota madridista na Liga foi justamente para o Barça, por 2 a 0, em 13 de dezembro.
Obviamente que essa sequência de resultados positivos não é suficiente devido o mau começo que o clube teve na temporada, o que resultou na demissão de Bernd Schuster. O substituto do técnico alemão, no entanto, carrega grande responsabilidade pelo que vem acontecendo.
Juande Ramos já havia provado ser um grande treinador na sua passagem vitoriosa pelo Sevilla, com duas Copas Uefas conquistadas. Foi para o Tottenham onde teve um grande início, depois naufragou nas fragilidades de um clube com muito dinheiro, pouca organização e enorme pressão. Chegou ao Santiago Bernabéu no final de 2008 e desde então conseguiu dar padrão de jogo ao time.
Por causa da confusão política em que o Real sempre está envolto, ele não tem a confirmação de sua permanência no cargo para a próxima temporada, tanto que assinou contrato somente até o final do Campeonato Espanhol. Florentino Pérez, candidato mais forte a assumir o clube nas próximas eleições, dentro de algumas semanas, não tem tanta simpatia pelo técnico espanhol.
Mesmo assim, alheio a todas as confusões e com o elenco em mãos, Juande faz com que o Real Madrid e sua torcida sigam sonhando com o título nacional.
Na parte tática a equipe está tranquila, com a defesa muito bem montada e segura com Casillas no gol e a dupla de zagueiros Pepe e Cannavaro. Nas laterais, sem muito brilho, Sergio Ramos, Salgado, Torres e Heinze dão conta do recado. No meio, Lassana Diarra era a peça na marcação que faltava para o time, principalmente por compor bem o setor com Snejder.
Enquanto isso, Robben e Higuaín estão jogando muita bola, principalmente o argentino. E na frente, a velha e boa solução caseira chamada Raúl está tendo uma temporada como há tempos não tinha.
Assim, comendo pelas beiradas, o Real Madrid segue na cola do líder Barcelona. E fora de campo a comissão técnica e os próprios jogadores utilizam de outras táticas para tentar pressionar o rival e, quem sabe, desestabilizá-los para as rodadas finais – faltam oito rodadas e a vantagem catalã é de seis pontos, sendo que os dois eternos rivais se enfrentam em 3 de maio, em Madrid.
Juande Ramos tem destacado que o mais importante é sua equipe seguir jogando bem, porque naturalmente as vitórias aparecerão. Já Pepe, após a vitória sobre o Valladolid, neste final de semana, por 2 a 0, foi ainda mais direto. “Os jogadores do Barcelona são humanos e vão falhar”, sentenciou o zagueiro português.
Nessa última rodada, o Barça recebeu o Recreativo de Huelva e também fez 2 a 0. Isso com uma equipe que pode ser classificada de mista, já que o técnico Pep Guardiola já optou por poupar alguns de seus atletas para a segunda partida das quartas de final da Liga dos Campeões. A sequência culé no torneio, inclusive, é uma das apostas do Real Madrid de que os rivais não vão conseguir manter o fôlego nas rodadas finais do Campeonato Espanhol.
Por isso, de migalha em migalha, esperam achar o caminho da redenção e levar mais uma taça para a brilhante sala de troféus do Bernabéu. E, preferencialmente, que a da LC não siga para o Camp Nou.