Espanha

Como a lesão de Bellingham e o Mundial podem atrapalhar planos do Real Madrid no mercado

Meia inglês desfalcará o início da próxima temporada após o Mundial de Clubes; ausência pode influenciar reformulação do elenco sob comando de Xabi Alonso

O Real Madrid terá que lidar com um problema sensível logo no início da próxima temporada. Jude Bellingham, um dos pilares da equipe, passará por uma cirurgia no ombro após a disputa do novo Mundial de Clubes da Fifa, o que deve afastá-lo dos gramados por até 12 semanas.

A ausência do inglês coloca o clube em alerta, tanto pelos impactos dentro de campo quanto pelas decisões que podem ser aceleradas no mercado de transferências.

A lesão de Bellingham

O problema no ombro esquerdo do meia vem desde novembro de 2023, quando Bellingham sofreu uma luxação durante um jogo contra o Rayo Vallecano. Desde então, atuou com uma proteção no local, participando de quase toda a temporada mesmo sob limitações.

A decisão por um procedimento cirúrgico foi adiada por conta da reta final de LaLiga, da Champions League e da Euro 2024, onde o meia defendeu a Inglaterra até a final contra a Espanha.

Jude Bellingham durante partida do Real Madrid
Jude Bellingham durante partida do Real Madrid (Foto: Imago)

Agora, com o novo Mundial sendo uma prioridade estratégica e financeira para o clube, Bellingham seguirá jogando até julho, mas a cirurgia parece inevitável em seguida.

A final da competição está prevista para o dia 13 de julho. Caso o clube chegue longe, o procedimento no ombro de Bellingham deve ocorrer na segunda metade do mês, com retorno apenas para outubro, dependendo da recuperação.

Isso significa que os primeiros dois meses da temporada 2025/26, incluindo as rodadas iniciais de LaLiga e a estreia na Champions, acontecerão sem o meio-campista. Ele também pode perder partidas importantes da Inglaterra nas Eliminatórias da Copa do Mundo.

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O que o Madrid perde com a ausência de Bellingham?

Mais do que números, Bellingham é um meio-campista completo: combina inteligência tática, chegada na área, agressividade defensiva e um faro de gol raro para a posição, ainda que seus nove gols nesta temporada podem parecer modestos comparados aos 19 da campanha de estreia.

Com a chegada de Mbappé, Bellingham já vinha atuando de forma mais recuada, conectando setores e iniciando jogadas o que aumentou sua responsabilidade criativa e organizacional. Sua ausência exigirá adaptações.

Bellingham com faixa protetora para lesão no ombro
Bellingham com faixa protetora para lesão no ombro (Foto: Imago)

Para além do impacto dentro das quatro linhas, o vestiário do Madrid também sentirá a ausência do camisa 5. Aos 21 anos, Bellingham já é um dos líderes do grupo, respeitado por colegas e influente mesmo com o espanhol ainda em aprendizado.

A ausência do meia também pode afetar a integração de Trent Alexander-Arnold, que deve desembarcar em Madrid após o fim de seu contrato com o Liverpool. Amigos próximos fora de campo, os dois poderiam dividir o processo de adaptação, algo que se complica com Bellingham afastado dos treinos diários.

Quem pode preencher o vazio? E o mercado?

Xabi Alonso assumirá o comando do Real Madrid com uma missão imediata: encontrar soluções para suprir a ausência de seu principal meio-campista. Nenhum jogador do atual elenco tem o mesmo perfil.

O jovem Arda Güler mostrou lampejos e grande capacidade ofensiva, mas carece da presença física e da intensidade de Bellingham. Já Tchouaméni, mais defensivo, foi utilizado por Ancelotti para dar equilíbrio quando o inglês ficou suspenso.

Alonso pode optar por uma recomposição coletiva, dividindo as funções que antes estavam concentradas em Bellingham. Mas há também uma questão estrutural: o estilo do novo técnico, marcado por transições rápidas e circulação curta de bola no Bayer Leverkusen, exige uma adaptação de um meio-campo habituado a maior posse e condução individual.

Resta saber como Bellingham, mais livre sob Ancelotti, se encaixará nesse novo sistema quando estiver de volta, e se o time mudará até lá. Com isso, o mercado de transferências se torna uma peça-chave.

O Madrid já assegurou o zagueiro Dean Huijsen e mira o lateral-esquerdo Álvaro Carreras, mas não descarta reforçar o meio-campo, principalmente após reconhecer que a saída de Kroos pesou mais do que o imaginado.

Um nome que pode voltar ao radar é Nico Paz. O jovem argentino de 20 anos teve 50% de seus direitos vendidos ao Como, da Itália, mas o Madrid manteve cláusulas de recompra. Com boas atuações na Serie B, Paz pode retornar por 8 milhões de euros já em 2025, e é visto como alguém capaz de integrar o elenco principal em médio prazo.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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