Espanha

Laudrup traz à tona aquela velha discussão sobre o Barça

Os feitos de Michael Laudrup como jogador são inquestionáveis. E aos poucos, essa competência vai se repetindo na experiência do dinamarquês como treinador. Campeão da Copa da Liga inglesa com o Swansea, Michael deu uma entrevista no mínimo esclarecedora à revista World Soccer.

Entre análises e explicações sobre o sucesso do Swansea na última temporada, Laudrup acabou tocando num assunto que sempre gera polêmica: afinal, quem foi melhor, o Barça Dream Team de 1992 ou o de Messi? Ao menos na visão do dinamarquês, os seus colegas campeões europeus em 1992 levam vantagem.

Calma, não é uma declaração tão simples assim. Michael fez algumas considerações antes de simplesmente cravar que a sua geração foi mais importante. Quando atleta, passou cinco anos no Camp Nou, de 1989 a 94, quando saiu direto para o Real Madrid. Não como Luís Figo e Ronaldo, Laudrup ainda é adorado pelos torcedores dos dois lados da maior rivalidade espanhola.

“Quando olho para o Barcelona, vejo que é um lugar onde fui sortudo o bastante para conquistar algo especial, e fomos os primeiros a conquistar algo grande, neste caso, vencer a Copa dos Campeões (atual Liga dos Campeões)”, comenta Laudrup.  E foi aí que o dinamarquês falou aquilo que ninguém esperava.

“O Barcelona atual é um tremendo time, com mais qualidade técnica do que o nosso. Mas temos algo que eles nunca poderão ter: fomos os primeiros. Antes de nós, o clube vencia um título a cada sete anos. De repente, vencemos quatro ligas em quatro anos. Isso é difícil de competir e vejo algo parecido agora no Swansea. Daqui a 15 anos talvez tenhamos uma equipe bem melhor, um treinador mais competente, mas eles nunca conseguirão superar o que fizemos por uma simples razão: fomos pioneiros”, comenta.

Por alguma razão, temos tendência a comparar o presente com o passado, como se apenas uma verdade precisasse existir. Laudrup foi de certa forma cuidadoso ao analisar os feitos de quando era jogador. E sim, ele tem razão quando usa essa argumentação. Ruim mesmo é quando a velha guarda resolve menosprezar as façanhas de Messi e esse Barça que tem sido o pilar da seleção espanhola nos últimos anos.

O ideal seria que respeitássemos o passado da mesma forma como ficamos assombrados com o presente e o futuro.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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