Real Madrid x Atlético de Madrid: o que esperar do duelo tático entre Arbeloa e Simeone
Em confronto de similaridades, derby de Madri promete ser mais movimentado do que o normal
Real Madrid e Atlético de Madrid se enfrentam neste domingo (22), às 17h (horário de Brasília), no Estádio Santiago Bernabéu, pela 29ª rodada de LaLiga e a batalha tática entre Álvaro Arbeloa e Diego Simeone promete ser uma atração à parte. Mais parecidos do que o costume, dois cenários podem se desenhar no derby: um jogo de trocação ou de aspecto truncado.
Por se tratarem de duas equipes que exploram bastante as transições ofensivas, principalmente pelas válvulas de escape que possuem, Real e Atlético enxergam suas melhores versões sem a necessidade de controlar a posse e exercer um jogo de paciência. Na verdade, a objetividade com bola é a grande pauta dos dois lados neste derby em específico.
O Real Madrid de Arbeloa
Partindo de uma espécie de 4-4-2, o Real Madrid de Arbeloa possui variações e gatilhos interessantes para jogos grandes, que possam propiciar situações de contra-ataque.
Caracterizado por ter se tornado uma equipe mais sólida defensivamente sob o comando do ex-lateral, os Merengues se postam com duas linhas de quatro bem compactas. Em situações de pressão, mais recorrentes sem Kylian Mbappé em campo, Vinicius Júnior é quem lidera o movimento de subir para abafar a saída adversária. Em bloco baixo, uma característica desse time é muitas vezes defender com uma linha de cinco, mediante a Valverde baixar acompanhando possíveis infiltrações adversárias.

Com bola, o Real Madrid é uma equipe bem mais objetiva do que com Xabi Alonso. O grande foco é atacar a profundidade, com Vini e Mbappé explorando as costas dos defensores tanto com bolas longas, quanto em situações de contrução por dentro. A automação mais concreta do trabalho de Arbeloa até então é recuperar a posse o quanto antes para, em posição favorável, buscar imediatamente as corridas em diagonal e/ou de ruptura da sua dupla de ataque.
Pensando em um contexto sem Mbappé, que ainda retorna ao campo gradativamente, as transições merengues ganharam um novo elemento: movimentos de apoio à bola para atrair os zagueiros rivais e tirá-los da referência de linha defensiva, abrindo espaços para as corridas. Assim aconteceram dois dos gols de Federico Valverde no duelo de ida contra o Manchester City e o cenário pode se repetir, em algum momento, contra o Atleti.
Ao mesmo tempo, com Mbappé, uma outra dinâmica ganha destaque. A presença do francês dentro da área e seus movimentos visando as costas dos zagueiros, acabam por ‘afundar’ a linha de defesa adversária, criando um espaço oportuno para finalizações de média distância de frente para a área. Novamente Valverde aparece como arma.
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O Atlético de Madrid de Simeone
Em semelhança ao rival, o Atleti também parte do 4-4-2 como base tática da equipe, que se pauta pelo equilibrio da abordagem ofensiva a partir dos lados do campo e o aspecto físico como trunfo para se impor nos duelos.
No contexto defensivo, este Atlético de Madrid é mais inseguro do que o habitual. Nos últimos 10 jogos na temporada, sofreu 19 gols. Isso se explica pela dificuldade de compactação defensiva e erros a partir da saída de bola. Os dois duelos contra o Tottenham, pelas oitavas de final da Champions League, evidenciaram a falta de equilibrio do time de Simeone neste sentido, tendo pouca paciência para reter a posse e com dificuldades para a recomposição defensiva. Em relação à estrutura, o 4-4-2 é a base, mas é comum observar o time em um 5-3-2, com Giuliano Simeone retornando pela direita.

Se o Atleti sofre mais gols que o esperado, o ataque vem compensando. Apesar da dificuldade em impor um controle da posse, os Colchoneros possuem uma abordagem ofensiva interessante. Enquanto o lado direito conta com Giuliano, um destro, explorando a linha de fundo, a canhota tem Lookman, também destro, mas abusando dos movimentos em diagonal para explorar as costas da defesa. Justamente por não se prender a linha lateral, Lookman gera espaço para as subidas de Ruggeri, proporcionando superioridade pelo flanco em questão.
Um movimento interessante no contexto de ataque é a infiltração de Marcos Llorente no intervalo entre lateral e zagueiro. O espanhol se aproveita dos fatos de Molina ficar mais retido e Giuliano fixar o ala adversário em amplitude, criando-se um espaço oportuno tanto para finalizar quanto para executar o último passe. Por dentro, Griezmann e Julián Álvarez são muito móveis. Enquanto o francês se coloca como um segundo atacante, o argentino sai muito da área para participar da construção, gerar espaços e finalizar de média distância. O grande ponto de atenção para Arbeloa e o Real Madrid.



